Pré-hipertensão: o que é e como prevenir

Saúde
12 de Setembro, 2022
Pré-hipertensão: o que é e como prevenir

A pré-hipertensão ocorre quando a pressão arterial está elevada, mas ainda não atingiu os valores necessários para o diagnóstico de hipertensão, ou seja, acima de 140/90mmHg.

Dessa forma, é fundamental fazer o diagnóstico para iniciar as medidas de prevenção e tratamento de acordo com as necessidades de cada indivíduo, evitando assim complicações cardiológicas, renais e neurológicas. Se não for tratada corretamente, a pré-hipertensão pode evoluir para hipertensão, uma condição que traz sérios riscos para a saúde. 

De acordo com o jornal científico The Lancet, o número de pacientes com hipertensão dobrou no mundo nos últimos 30 anos. A análise foi feita com 100 milhões de adultos, entre 30 e 79 anos, em 184 países. 

O que é pré-hipertensão? 

Como já explicado anteriormente, pré-hipertensão significa pressão arterial elevada, mas não o suficiente para ser diagnosticada como hipertensão. Contudo, ela já merece atenção especial e um tratamento adequado.

Isso porque uma pesquisa brasileira coordenada por pesquisadores do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) mostrou que o tratamento para a pressão alta é mais eficaz quando iniciado na fase de pré-hipertensão. O estudo Prever Prevenção contou com 31 cientistas de 11 estados do país e dos Estados Unidos.

O termo, em si, é relativamente novo: na década de 40, ele era mais conhecido entre os médicos como hipertensão transitória. Nos anos 70, passou a ser chamado de pressão “limítrofe”, recebendo o nome de “normal-alta” na década de 90 e somente virando “pré-hipertensão” a partir de 2003.

Vale ressaltar, também, que a pré-hipertensão não só aumenta o risco de hipertensão, como também de doenças cardiovasculares.

Sintomas de pré-hipertensão

Geralmente, a doença não apresenta sintomas, mas quem os tem relata tonturas, dor de cabeça, enjoos, cansaço excessivo, dor no peito, respiração dificultada e visão embaçada.

Diagnóstico da pré-hipertensão

Veja abaixo as classificações da doença:

  • Menos de 90/60mmHg: pressão baixa;
  • Entre 90/60 a 120/80: pressão normal;
  • De 121/81 a 139/89: pré-hipertensão;
  • Acima de 140/90: pressão alta.

Quais exames ajudam a identificar?

O teste mais conhecido é realizado por meio de medidas da pressão arterial no braço do paciente, com um aparelho devidamente calibrado e ajustado de acordo com a espessura do membro. Ele deve ser realizado em repouso, para que fatores externos não interfiram nos resultados.

Mesmo assim, somente a medição pontual, muitas vezes, não é suficiente para diagnosticar o problema. Isso porque os valores podem sair mais altos do que o normal — caso a pessoa fique nervosa na presença de um profissional de saúde (a síndrome do jaleco branco) ou faça uma refeição muito pesada antes do teste, por exemplo.

Por isso, os especialistas geralmente recomendam também o MAPA: Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial. Nele, o indivíduo fica 24 horas com um aparelho programado para fazer aferições automáticas na pressão arterial a cada 15 ou 20 minutos. Desse modo, é gerada uma média da pressão arterial no indivíduo.

As consequências da pré-hipertensão sem controle

Não podemos ignorar a pré-hipertensão, pois ela pode evoluir para hipertensão, de acordo com a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo. Como consequência de ter a circulação sanguínea afetada, o órgão não consegue receber sangue e oxigenação adequadamente, aumentando a probabilidade de um infarto, por exemplo.

Os hipertensos também precisam redobrar a atenção em relação ao AVC (Acidente Vascular Cerebral), já que a doença também afeta as artérias da cabeça, que ficam mais frágeis e, consequentemente, mais suscetíveis a estreitamentos e rupturas. 

Existem ainda outros riscos para aqueles pacientes que convivem com a pressão alta, tais como:

  • Pequenas obstruções e hemorragias no cérebro que podem eliminar os neurônios, causando demência e até perda da memória;
  • Insuficiência renal: a pressão elevada influencia nos valores que irrigam a retina (tecido no fundo dos olhos). Diante desse cenário, o paciente pode sofrer com vista embaçada e perda da visão

Principais causas da pré-hipertensão

É importante investigar a presença de outras doenças. Isso porque apesar de ser fortemente influenciada pela genética, a pressão arterial elevada também pode estar relacionada a condições como pré-diabetes, diabetes tipo 2, obesidade e dislipidemia.

Além disso, maus hábitos de vida também contribuem para a questão. Eles incluem má alimentação (rica em sódio e gorduras), sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, estresse e ansiedade.

Por que é importante medir a pressão com regularidade? 

O monitoramento da pressão ajuda a identificar com mais agilidade casos de pré-hipertensão e hipertensão. Assim, quanto mais cedo o diagnóstico for feito, melhor será o tratamento. 

Dessa forma, é possível acompanhar a pressão em farmácias, postos de saúde ou até mesmo sua própria residência. Para aqueles pacientes que preferem a terceira opção, é fundamental contar com monitores de pressão arterial que sejam aprovados pela Anvisa, pois garantem um diagnóstico com mais qualidade e precisão. 

A Sociedade Brasileira de Hipertensão criou uma lista com os monitores mais indicados. É importante conhecer as características de cada um para entender quais são as alternativas que correspondem melhor ao seu perfil. Além disso, a SBH indica que o paciente permaneça em repouso por um período de cinco minutos antes de medir a pressão. 

Leia mais em: Hipertensão gestacional é principal causa de morte materna no Brasil

Tratamento

Os tratamentos para pré-hipertensão irão variar de acordo com cada caso. Eles podem incluir o controle de outras condições associadas, mudanças no estilo de vida, controle do estresse e até o abandono de alguns hábitos (como o tabagismo).

Quais profissionais podem ajudar?

Uma equipe multidisciplinar de saúde será essencial tanto para o diagnóstico como para o tratamento da pré-hipertensão. As especialidades mais indicadas incluem:

  • Cardiologista: ajuda a identificar a condição e indica as melhores estratégias para o controle da mesma, evitando que ela evolua para a hipertensão;
  • Nutricionista: auxilia na mudança de hábitos alimentares, considerando as necessidades nutricionais do paciente bem como as suas preferências;
  • Educador físico: permite que a prática esportiva faça parte da rotina de forma segura;
  • Psicólogo: importante para o controle do estresse e para ajudar o paciente a lidar com outros possíveis problemas emocionais.

Como prevenir a pré-hipertensão? 

De acordo com Edilberto Castilho Júnior, cardiologista do Hospital Santa Catarina, é fundamental evitar consumo excessivo de sal, produtos embutidos e enlatados, além de refrigerantes e bebidas alcoólicas

O profissional ainda destaca que parar de fumar e fazer atividade física também ajudam na prevenção da doença. 

Para o cardiologista, exercícios aeróbicos e anaeróbicos são ótimos escudos contra a doença. O consumo de alimentos saudáveis, como frutas, verduras, legumes e grãos também é importante. 

No entanto, caso você seja sedentário e pretenda iniciar uma atividade física, recomenda-se procurar um cardiologista para que o profissional verifique se você está apto a fazer exercícios. 

Já em relação à alimentação, é fundamental buscar ajuda com uma nutricionista para que ela liste quais são os alimentos mais indicados para o seu perfil. Aqui, deve-se evitar dietas padrões da internet. Afinal, cada corpo é único e tem as suas particularidades. 

Em grande parte dos casos, tanto a pré-hipertensão quanto a hipertensão são doenças silenciosas. Para se ter uma ideia, até os danos aos órgãos, como coração, cérebro, rins e olhos podem ocorrer sem o paciente sofrer com nenhum tipo de sintomas. 

Segundo a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, mesmo sem sinais da doença, deve-se medir a pressão de forma regular, mas a preocupação deve ser ainda mais intensa quando existem sinais de que a pressão está elevada, como dor no peito, dor de cabeça, tontura, zumbido, palpitações, fraqueza, falta de ar, sangramento nasal e visão embaçada.

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Fonte

  • Dr. Edilberto Castilho Júnior, Cardiologista do Hospital Santa Catarina.

Referências/bibliografia

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