Candidíase: conheça as causas, os sintomas e os tratamentos

Saúde
29 de Agosto, 2022
Candidíase: conheça as causas, os sintomas e os tratamentos

A candidíase ocorre por um desequilíbrio na flora vaginal, propiciando a proliferação exacerbada da Cândida. Trata-se de um fungo saprófito, isto é, que já habita, normalmente, o organismo. Uma de suas principais causas é o enfraquecimento do sistema imunológico. Conheça outras causas, além dos sintomas e tratamentos. 

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O que é candidíase?

A candidíase é considerada uma infecção fúngica. Pode ser causada por várias espécies da levedura Cândida, mas a mais comum é a Candida albicans. E apesar de muita gente associar a condição às regiões genitais (principalmente das mulheres), ela pode afetar outros locais, como a boca, o intestino e até a pele!

Isso acontece porque a Cândida normalmente está presente de forma natural na pele, no aparelho digestivo e nas partes genitais das mulheres. Geralmente, ela não causa problemas, mas quando se multiplica demais no local em questão, causa a candidíase.

Apesar de ser incômoda, a condição raramente é fatal. No entanto, existem dois casos considerados mais sérios:

Candidíase invasiva

Quando a infecção atinge outras áreas do corpo, como válvulas cardíacas, cérebro, baço, rins e olhos. É mais comum em pessoas com o sistema imunológico debilitado e em pacientes hospitalizados.

Candidemia

Infecção na corrente sanguínea cujo risco é aumentado em casos de cirurgias muito invasivas, uso de cateteres ou tubos intravenosos, e ingestão de certos antibióticos. Exige tratamento imediato.

Tipos de candidíase

Como já dito anteriormente, vale lembrar que a candidíase não ocorre apenas na região vulvovaginal. A doença também pode acontecer na região oral ou esofágica, principalmente em pacientes hospitalizados e imunossuprimidos. Conheça melhor outros locais que podem apresentar a infecção:

Candidíase cutânea

Quando a condição acontece na pele, gerando uma erupção avermelhada e com pus, além de coceira e incômodo. Acontece mais nas dobras (como axilas e virilhas), mas pode se espalhar para outros lugares.

O tratamento geralmente é feito com pomadas antifúngicas e medicamentos via oral. Além disso, alguns hábitos são essenciais para prevenir o problema. Por exemplo: manter a higiene adequada do local, evitar roupas úmidas, secar muito bem o corpo depois do banho, usar peças mais largas e confortáveis e consumir açúcar e carboidratos refinados com moderação.

Candidíase intestinal

Em condições especiais, pode haver uma predisposição para o supercrescimento fúngico e para a infecção invasiva pelo fungo Candida albicans no intestino, podendo preceder uma infecção sistêmica mais grave capaz de acometer vários órgãos. Essas condições especiais podem ser geradas por:

  • Disbiose intestinal: o desequilíbrio da flora bacteriana natural do intestino;
  • Queda da imunidade: doenças como o diabetes mellitus, Síndrome da Imunodeficiência Humana Adquirida — AIDS, pacientes em tratamento para câncer ou uso de medicamentos imunossupressores.

Os sintomas geralmente se resumem em arrotos, inchaço na barriga, indigestão, náuseas, diarreia e gases (em casos mais sérios, há também febre e sepse, isto é, infecção generalizada). Os tratamentos dependem muito da gravidade da doença, sendo o mais importante o uso de medicamentos antifúngicos.

Candidíase esofágica

Um tipo mais raro da infecção, ela pode indicar Síndrome da Imunodeficiência Humana Adquirida — AIDS. Entre os sinais, podem ser citados dor ao engolir e dor no peito. O tratamento também é feito com medicações orais.

Candidíase no homem

Neles, a condição pode provocar desconforto urinário, ardência e vermelhidão no pênis. Em geral, o problema surge quando há uma queda na imunidade. É por isso que indivíduos com condições que suprimem o sistema de defesa são mais suscetíveis à doença. A má higienização do órgão genital também cria um ambiente propício para os micro-organismos.

Evitar o uso prolongado de calças jeans e cuecas que não sejam de algodão consistem em boas medidas de prevenção. Por fim, roupas úmidas devem ser trocadas.

Candidíase na gravidez

A baixa na imunidade e os altos níveis de hormônios favorecem a proliferação de fungos presentes naturalmente na flora vaginal durante a gestação. Contudo, é importante ressaltar que a infecção não prejudica o bebê. Existe, sim, uma pequena chance de o bebê ser contaminado na hora do parto, entretanto, a condição pode ser tratada facilmente com orientação médica.

Por isso, o médico deve ser sempre consultado para fazer o diagnóstico correto e orientar o tratamento mais indicado para o problema, que pode ser realizado por via tópica, com cremes vaginais ou banhos de assento.

Candidíase mamária

Como o nome sugere, ela atinge a região das mamas, e costuma acometer principalmente mulheres que estão no período pós-gestacional por conta da amamentação dos bebês.

A partir disso, é possível perceber sintomas como dor, vermelhidão, pele repuxada, feridas com dificuldade de cicatrização, coceira, entre outros. Nas mães que estão amamentando, pode-se notar ainda uma pequena descoloração na região da auréola e do mamilo e descamação. Assim, a pele fica mais sensível, e por vezes, brilhosa.

E a doença também pode acabar afetando ainda os bebês. Nesses casos, os recém-nascidos que recebem a amamentação podem ter os populares “sapinhos”, que são manchas brancas que deixam a língua e gengiva mais sensíveis.

De acordo com o quadro da paciente, ela deverá seguir as orientações do ginecologista, porém, existem casos mais graves que precisam de intervenção de um mastologista ou um dermatologista em paralelo. Assim, utiliza-se pomadas antifúngicas, como nistatina e o nitrato de miconazol, aplicadas após cada momento de amamentação. Quando as pomadas não resolvem, recomenda-se o tratamento via oral.

Candidíase oral

Conhecida popularmente como “sapinho”. Caracteriza-se pelo aparecimento de placas cremosas e esbranquiçadas na língua, nos lábios, no céu da boca, na parte interna das bochechas e, às vezes, até nas gengivas ou amígdalas. Podem também surgir lesões avermelhadas semelhantes a aftas, com dor ou ardência nas regiões afetadas.

Embora seja comum nos bebês, adultos também podem ter candidíase oral. É o caso de imunossuprimidos por conta de doenças que afetam o sistema imunológico (HIV e câncer, por exemplo), ou como consequência ao uso de imunossupressores, corticoides, antibióticos e quimioterápicos.

Em crianças, o tratamento é com antifúngico de uso local, como a nistatina, diariamente durante 10 dias. Já os adultos devem ser tratados com antifúngico de uso oral em cápsulas, como o fluconazol, também por 10 dias. Depois, deve-se fazer manutenção com nistatina via oral após escovar os dentes.

Sintomas da candidíase

Os sintomas de candidíase incluem, sobretudo, coceira intensa na região genital, geralmente acompanhada de vermelhidão, inchaço e um corrimento branco, similar a uma coalhada seca. Esse corrimento pode ficar mais amarelado ou esverdeado ao longo dos dias. Além disso, a candidíase também pode causar dor na hora da relação sexual e para urinar.

Leia mais: Candidíase Intestinal: O que é, sintomas, causas e tratamento

Fatores de risco para a candidíase

As causas da candidíase são multifatoriais. Os principais fatores de risco são:

  • Baixa imunidade;
  • Alimentação rica em carboidratos;
  • Pessoas com diabetes e obesidade;
  • Pessoas imunossuprimidas;
  • Gestantes;
  • Anticoncepcionais orais;
  • Infecções recentes, pois diminuem a imunidade;
  • Uso prolongado de medicamentos, como antibióticos ou corticoides;
  • Alterações hormonais;
  • Estresse excessivo;
  • O uso de roupas muito apertadas e sintéticas (sem algodão);
  • Ficar com o roupa de banho molhadas por muito tempo;
  • Duchas vaginais.

Outro hábito que também contribui para o desenvolvimento do fungo é bem conhecido: lavar a calcinha no chuveiro, já que a roupa íntima fica mais suscetível a fungos e bactérias. Por fim, outra causa é o uso de sabonete sem o Ph certo (4,5) ou antibactericida, pois os mesmos alteram o pH vaginal.

Diagnóstico da candidíase

O diagnóstico é feito pelo exame papanicolau, em que o especialista verá uma mucosa avermelhada com um corrimento tipo “leite talhado”. Nos casos de candidíase recorrente, geralmente, o ginecologista coleta uma pequena amostra do corrimento. Assim, é importante identificar o tipo de cândida para fazer o tratamento adequado.

Quais profissionais procurar?

No caso da candidíase vaginal, um médico ginecologista é o mais indicado para diagnosticar e tratar a condição — nos homens, o profissional mais adequado é o urologista. Casos de candidíase em outras regiões pedirão profissionais especializados em diferentes áreas, como mastologista (candidíase mamária), dermatologista (cutânea) e gastroenterologista (intestinal).

Como acabar com a candidíase? Principais tratamentos

A princípio, o tratamento da Candida albicans é feito com antifúngico, como cremes vaginais ou medicamento oral. Além disso, é necessário o acompanhamento de uma equipe multiprofissional. Assim, o primeiro passo é a mudança no estilo de vida. Para isso, deve-se ter um acompanhamento nutricional, fazer atividades físicas, meditação (para alívio do estresse) e acompanhamento psicológico. Nos casos mais complicados, em que há dor na relação, a fisioterapia pélvica pode ajudar.

Anestésicos tópicos também podem amenizar os sintomas. A automedicação é contraindicada, pois pode tornar a doença mais resistente e recorrente. Por isso, procure sempre um ginecologista. Por fim, se não tratada, as complicações são distúrbios psicológicos, como ansiedade e depressão; dor durante a relação sexual; vaginismo ou candidíase recorrente.

Principais perguntas sobre a candidíase

Afinal, a candidíase tem cura? 

Sim! O tratamento individualizado e integral consegue manter o equilíbrio da flora vaginal, fazendo com que a candidíase desapareça. A Cândida, no entanto, sempre continuará na flora, mas não de forma exacerbada. 

Remédio caseiro para candidíase com limão e vinagre funciona?

Sempre que houver indícios de que você está com a infecção, procure um médico e evite a automedicação — assim como a adoção de dicas e receitas caseiras que aparecem na internet.

Um preparo bastante indicado, por exemplo, é o “remédio” caseiro de limão e vinagre para tratar candidíase. Mas cuidado: não existem comprovações científicas de que a receitinha seja eficaz. Além disso, ela pode aumentar a irritação no local e até alterar completamente a flora vaginal, piorando o quadro.

É sexualmente transmissível?

Mito. Apesar de recorrente, a candidíase não se origina por contato sexual, mas sim por desordens orgânicas. Por exemplo, problemas na flora bacteriana ou carência de vitaminas, e nada tem a ver com ISTs. Claro que é sempre importante se prevenir com o uso de preservativo para evitar a propagação de outras doenças sexualmente transmissíveis.

O parceiro sexual também precisa de tratamento?

Não necessariamente. A candidíase geralmente não é adquirida por meio de relações sexuais. Dessa forma, não se justifica o tratamento de parceiros sexuais. Todavia, uma minoria de parceiros sexuais masculinos pode sentir coceira, vermelhidão ou irritação do pênis. Assim, nesses casos, os homens se beneficiam do tratamento com agentes antifúngicos para aliviar esses sintomas.

Estresse pode gerar candidíase?

Algumas mulheres parecem mais propensas do que o normal a desenvolver candidíase. Além disso, mulheres com alto nível de açúcar no sangue e com sistema imunológico enfraquecido podem ser mais suscetíveis. Por essa razão, o estresse pode alterar os níveis de cortisol e influenciar o sistema imunológico e os níveis de glicose no sangue.

Banheiro público e roupas molhadas causam candidíase

Situações que alteram a acidez vaginal ou o equilíbrio dos micro-organismos que habitam a vagina podem aumentar o risco de desenvolver candidíase. Portanto, roupas úmidas e abafadas e o uso de banheiro sem a devida higiene são fatores de risco.

Como prevenir a candidíase?

Existem algumas medidas no estilo de vida que contribuem na prevenção da candidíase: 

  • Utilizar roupa íntima, preferencialmente, de algodão;
  • Lavar a região genital só com água ou sabonete que tenha pH neutro ou mais próximo da vagina, que é de 4,5. 
  • Dormir sem calcinha, deixando a região respirar.
  • Evitar o uso de absorvente interno durante longos períodos.
  • A alimentação é fundamental para o bom funcionamento do organismo e equilíbrio da flora vaginal. Por isso, evite o excesso de açúcar e carboidratos, pois o fungo se alimenta deles.

Geralmente, a candidíase de repetição surge por conta de hábitos inadequados. Por isso, o ideal é fazer essas mudanças no estilo de vida para não ter recorrência da doença.

Leia mais: Dieta para candidíase: Alimentos que combatem a infecção

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Fontes/bibliografia

  • Dra. Erika Kawano Machado Ferreira, ginecologista, obstetra e mastologista da Clínica Mantelli;
  • Dra. Juliana Ramundo, ginecologista da Gestar, plataforma materno-infantil;
  • Manual MSD: Candidíase.

Sobre o autor

Fernanda Lima
Jornalista e Subeditora da Vitat. Especialista em saúde

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