Anemia: o que é, sintomas, causas e como combater

19 de maio, 2022

As anemias podem ser causadas por deficiência de vários nutrientes como ferro, zinco, vitamina B12 e proteínas. Porém, a anemia causada por deficiência de ferro, denominada anemia ferropriva, é muito mais comum que as demais. Estima-se, inclusive, que 90% das anemias sejam causadas por carência de ferro. 

O ferro é um nutriente essencial para a vida e atua principalmente na formação de células vermelhas do sangue, no transporte do oxigênio no organismo e também está envolvido na função imunológica e no desenvolvimento cognitivo das crianças. Assim, a anemia causada pela deficiência da substância no organismo é a carência nutricional de maior magnitude no mundo. Os principais afetados pela deficiência de ferro são crianças menores de 2 anos, mulheres em idade fértil e gestantes. Entenda melhor a condição.

Leia mais: Anemia infantil: conheça os tipos, causas, sintomas e tratamentos

O que é anemia

As hemácias (ou glóbulos vermelhos) são responsáveis pela coloração avermelhada no sangue e transportam o oxigênio para as nossas células. Porém, nem todos os organismos conseguem obter a quantidade suficiente delas, especialmente àqueles que possuem uma carência nutricional por conta de uma condição chamada anemia.

A doença é responsável por causar uma deficiência na hemoglobina, que é uma das proteínas presentes nos glóbulos. Ou seja, quando o corpo percebe que as hemácias estão com falta de oxigênio, o ciclo sanguíneo pode ser comprometido e as células acabam não recebendo os nutrientes necessários para funcionarem.

Classificação

A princípio, a anemia pode ser classificada em duas categorias: aquelas que nascem com o indivíduo (hereditária) ou que podem ocorrer com o indivíduo por algo que lhe acontece durante a vida (neste caso são as anemias adquiridas).

Anemias hereditárias: As anemias hereditárias geralmente se relacionam a alterações genéticas na fabricação do glóbulo vermelho – seja da membrana que dá forma ao glóbulo vermelho, seja das substâncias que estão em seu interior – hemoglobina e proteínas (enzimas). Neste grupo de anemias hereditárias, temos algumas causas comuns em nossa população, como as talassemias ou anemias do Mediterrâneo, comuns em indivíduos com ascendência italiana, portuguesa e libanesa; ou ainda a anemia falciforme, mais comum em indivíduos com ascendência africana.

Anemias adquiridas: Por outro lado, as anemias adquiridas podem acontecer por carência de nutrientes, alterações na medula óssea ou ainda por outra doença que leva a anemia por outros mecanismos. Assim, nos quadros de carência de vitaminas, podemos citar a falta de ferro ou de vitamina B12, bem como doenças da medula óssea, como leucemias ou a síndrome mielodisplásica. Já nas doenças que levam a anemia por outros mecanismos, incluem as doenças reumatológicas e infectocontagiosas, a insuficiência renal crônica ou as alterações de tireoide.

Tipos de anemia

A forma mais conhecida da doença é a causada pela deficiência de ferro no organismo, que também leva o nome de anemia ferropriva. Contudo, ela não é a única que requer cuidados. Dessa maneira, existem quadros anêmicos gerados pela falta de vitamina B12 e de ácido fólico, além da anemia aplásica, que se dá por lesões ou não funcionamento da medula óssea ao produzir os glóbulos sanguíneos.

Por fim, também é possível um indivíduo apresentar um quadro de anemia a partir de algumas doenças como o câncer ou as renais e em casos genéticos como no da anemia falciforme. Conheça agora os principais tipos:

Anemia ferropriva

O ferro é um dos principais blocos de construção para a produção de células vermelhas do sangue. No entanto, alguns fatores podem causar sua deficiência no organismo. Por exemplo, quando alguém está sangrando ou perdendo ferro mais rápido do que pode substituí-lo, quando o seu corpo não absorve o ferro do alimento, ou se a pessoa não come alimentos ricos em ferro em quantidade suficiente.

Assim, a anemia causada por deficiência de ferro, denominada anemia ferropriva, é muito mais comum que as demais. Os principais sinais e sintomas são, sobretudo, cansaço generalizado, falta de apetite, palidez de pele e mucosas (parte interna do olho, gengivas), menor disposição para o trabalho, dificuldade de aprendizagem nas crianças, apatia (crianças muito “paradas”).

Anemia falciforme

De acordo com Lisandro Ribeiro, médico hematologista na Oncoclínicas Curitiba, a anemia falciforme é uma doença genética que causa alteração na forma dos glóbulos vermelhos. “Esta deformidade muda a célula da forma bicôncava para um formato semelhante à foice. Os glóbulos vermelhos são células importantes no transporte do oxigênio para nosso organismo. Quando apresenta essa forma inadequada leva à oxigenação insuficiente e à alteração no fluxo sanguíneo”, afirma.

Além disso, o hematologista conta que, muitas vezes, o paciente necessita de internação para receber analgésicos potentes e hidratação intravenosa: “Durante as crises pode ocorrer piora da palidez cutânea e icterícia (amarelão). Devido aos eventos repetidos de crise vaso oclusiva, o paciente pode apresentar complicações ao longo da vida (cardíaca, renal, pulmonar, neurológica, oftalmológica)”. Infelizmente, de acordo com o hematologista, não existe maneira de evitar a anemia falciforme, pois essa é uma doença genética.

Anemia de doença crônica

É resultado de uma inflamação crônica causada por infecções ativas, danos nos tecidos, em várias formas de artrite, tumores benignos ou malignos, ou uma variedade de condições médicas crônicas (ou seja, de longa data).

Algumas doenças podem afetar a capacidade do corpo de fazer glóbulos vermelhos. Por exemplo, alguns pacientes com doença renal desenvolvem anemia porque os rins não estão fazendo o suficiente para sinalizar a medula óssea que ela deveria fazer novos ou mais glóbulos vermelhos. A quimioterapia utilizada para tratar vários tipos de câncer também prejudica a capacidade do corpo de fazer novos glóbulos vermelhos, podendo causar anemia.

Anemia perniciosa ou megaloblástica

Pode ser causada por deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico, que ocorre por deficiência de folato ou por impacto na absorção, como é o caso da anemia perniciosa (deficiência de vitamina B12).

Anemia hemolítica

Acontece quando os glóbulos vermelhos são destruídos por uma determinada doença. Em pessoas saudáveis, os glóbulos vermelhos duram cerca de 120 dias antes de serem descartados pelo organismo. Na anemia hemolítica, os glóbulos vermelhos no sangue são destruídos antes do tempo normal, sem dar tempo de serem repostos pela medula óssea. Dessa forma, esse tipo de anemia ocorre quando a medula óssea não é capaz de repor os glóbulos vermelhos que estão sendo destruídos.

A anemia hemolítica também tem sua forma autoimune, que ocorre quando o sistema imunológico identifica erroneamente seus próprios glóbulos vermelhos como corpos estranhos, desenvolvendo anticorpos que atacam as hemácias, destruindo-as muito prematuramente.

Anemia aplástica

Esta anemia rara, com risco de vida, ocorre quando seu corpo não produz uma quantidade suficiente de glóbulos vermelhos. Então, as causas da anemia aplástica incluem infecções, doenças auto-imunes e exposição a produtos químicos tóxicos. A doença pode se manifestar de diferentes formas e intensidades.

Talassemia

A talassemia é um tipo de anemia hereditária, também chamada anemia do Mediterrâneo. É resultante de um defeito genético na síntese de uma ou mais cadeias globínicas da hemoglobina. Existem dois tipos de talassemia: alpha e beta. Assim, elas podem se manifestar nas seguintes formas: menor, intermediária e maior.

A forma menor, ou traço talassêmico, produz um grau de anemia leve, assintomático e que pode passar totalmente despercebido. Por outro lado, na forma intermediária, a deficiência da síntese de hemoglobina é moderada e as consequências menos graves. Já a talassemia maior, ou anemia de Cooley, é uma forma grave da doença, causada pela transmissão de dois genes defeituosos, um do pai e outro da mãe. Isso provoca anemia profunda e outras alterações orgânicas importantes, como o aumento do baço, atraso no crescimento e problemas nos ossos.

Causas mais comuns

A anemia pode acontecer por uma série de razões. Geralmente, a condição é mais comum em adultos mais velhos, embora não seja causada pelo envelhecimento normal. E tem muitas causas, incluindo algumas que você pode controlar. Por exemplo, em pessoas mais velhas, uma dieta pobre em ferro e outros minerais pode levar a anemia.

Anemia por deficiência de ferro

Uma causa comum de anemia por deficiência de ferro é a perda de sangue crônica, geralmente a partir do trato gastrointestinal. Úlceras hemorrágicas ou pólipos, irritação crônica da mucosa do trato gastrointestinal ou câncer causam este tipo de hemorragia interna “silenciosa”. Muitas vezes, esta perda de sangue é invisível a olho nu, mas com um teste simples, chamado de exame de sangue oculto nas fezes, seu médico pode encontrá-la.

Anemia falciforme

Para o indivíduo ser portador desta doença, ele precisa herdar um gene alterado proveniente da mãe e outro alterado proveniente do pai, chamado de herança genética autossômica recessiva. Geralmente, os sintomas aparecem na segunda metade do primeiro ano de vida da criança. De acordo com Lisandro, a dor com forte intensidade é o principal sintoma da anemia falciforme. 

Anemia de doença crônica

A anemia de doença crônica pode resultar de uma inflamação crônica causada por infecções em curso, danos nos tecidos, diversas formas de artrite, tumores benignos ou malignos, ou uma variedade de condições médicas crônicas. Dessa forma, essas condições causam inflamação dentro do seu corpo e não deixam sua medula óssea funcionar tão bem quanto deveria.

Anemia perniciosa

A anemia perniciosa é quase sempre o resultado de uma falta de vitamina B12 ou folato. Seu corpo precisa de ambas as vitaminas para a produção de células vermelhas do sangue. Além disso, a deficiência de vitamina B12 torna-se muito mais comum com o avançar da idade, especialmente em mulheres com idade superior a 60.

Anemia hemolítica

A anemia causada pela destruição das células vermelhas do sangue é chamada de anemia hemolítica, muitas vezes causada por problemas no sistema imunológico. Cânceres, como o linfoma ou leucemia, também destroem as células vermelhas do sangue. A anemia hemolítica também pode ser causada por doenças do sistema imunológico, como a artrite reumatoide ou lúpus, ou por medicamentos ou infecções.

Grupos de risco

A princípio, crianças, gestantes, lactantes (mulheres que estão amamentando), meninas adolescentes e mulheres adultas em fase de reprodução são os grupos mais afetados pela doença. No entanto, homens e idosos também podem ser afetados por ela.

Sintomas

Por prejudicar diretamente a oxigenação celular, a anemia pode apresentar sintomas variados, que incluem:

  • Palidez
  • Fadiga extrema e cansaço
  • Fraqueza
  • Queda na pressão arterial
  • Dores de cabeça
  • Tontura
  • Palidez
  • Queda de cabelo
  • Unhas quebradiças
  • Mudanças no sistema nervoso (alguns sinais deste incluem um andar desajeitado, ou dormência e formigamento nos braços e pernas)
  • Alterações comportamentais ou confusão

Vale lembrar que os sintomas relacionados à anemia dependem da idade, da capacidade física, do grau de anemia e do tempo de evolução. Dessa forma, pacientes com evolução aguda apresentam sintomas com valores mais altos de hemoglobina, enquanto que os de evolução crônica exibem valores mais baixos.

Conseqüências da anemia para a saúde

A anemia traz os seguintes efeitos adversos ou consequências:

  • Comprometimento do sistema imune, com aumento da predisposição a infecções;
  • Aumento do risco de doenças e mortalidade perinatal para mães e recém-nascidos;
  • Aumento da mortalidade materna e infantil;
  • Redução da função cognitiva, do crescimento e desenvolvimento neuropsicomotor de crianças com repercussões em outros ciclos vitais;
  • Diminuição da capacidade de aprendizagem em crianças escolares e menor produtividade em adultos.

Além disso, a anemia por deficiência de ferro pode ser a causa primária de uma entre cinco mortes de parturientes ou estar associada a até 50% das mortes. Sobre a estreita relação da anemia com o desenvolvimento das crianças, estudos comprovam que aquelas que apresentaram anemia durante os primeiros anos de vida, mesmo quando tratadas, possuem maior probabilidade de baixo rendimento escolar em idades posteriores. A anemia na infância também está relacionada com a baixa produtividade em adultos, causando assim sérias implicações para o desenvolvimento de um país.

Diagnóstico

A(s) causa (s) de anemia podem ser difíceis de diagnosticar. Assim, em geral, quando o médico nota algum sinal de anemia, ele provavelmente fará uma anamnese, além de solicitar exame físico e hemograma completo. Dessa forma, ele analisa as taxas de ferro no sangue, além da vitamina B12 e folato.

Além disso, o médico também pode recomendar exames de sangue específicos, bem como testes adicionais para determinar a presença de uma doença ou problemas subjacentes, como úlceras ou pólipos, que podem causar hemorragia interna crônica. Estes testes podem incluir: 

  • Exames de sangue adicionais
  • Raios X
  • Endoscopia/ colonoscopia
  • Biópsia de medula óssea

Anemia tem cura?

A anemia falciforme e a talassemia não têm cura, apenas tratamentos que consistem em transfusões de sangue regulares. Também é indicado que o paciente evite exercícios pesados e mantenha uma dieta rica em nutrientes. Para os outros tipos, é possível a cura por meio de um tratamento individualizado.

Tratamento para anemia

Medicamentos

O tratamento pode variar de acordo com o caso de anemia. Nas que necessitam de vitaminas e minerais, como a ferropriva, a alimentação adequada e suplementação podem fazer com que a condição se normalize.

Mas, em casos mais urgentes, pode ser necessária uma transfusão de sangue. Na anemia aplásica, por exemplo, a doação de medula óssea é fundamental em situações de internação. Por fim, nos casos hereditários, como a falciforme, é imprescindível acompanhamento terapêutico ao longo da vida.

Quem é diagnosticado com anemia ferropriva pode utilizar suplementos de ferro, injeções periódicas ou suplementos orais de vitamina B12 ou ácido fólico caso seja anemia perniciosa. No caso da anemia hemolítica, o médico pode prescrever esteróides ou até mesmo recomendar cirurgia para remover o baço, se ele estiver aumentado. Certos tipos de anemias graves podem exigir tratamentos de injeção de hormônios para aumentar a produção de células vermelhas do sangue.

Melhores alimentos para combater a anemia 

O ferro é um micronutriente essencial para a vida e atua principalmente na síntese de células vermelhas do sangue (hemácias) e no transporte do oxigênio no organismo. Há dois tipos de ferro nos alimentos: ferro heme (origem animal, sendo mais bem absorvido) e ferro não heme (encontrado nos vegetais).

Como o ferro não heme possui baixa biodisponibilidade, recomenda-se a ingestão na mesma refeição de alimentos que melhoram a absorção desse tipo de ferro. Por exemplo, frutas cítricas ricas em vitamina C, como laranja, acerola, limão e caju, frutas ricas em vitamina A, como o mamão e manga, bem como as hortaliças, como a abóbora e a cenoura.

Alimentos fontes de ferro heme

Carnes vermelhas 

Algumas das melhores fontes de ferro são as carnes vermelhas, além de serem ricas em vitamina B12 e proteínas. O consumo recomendado dessas é, para que não haja exagero, é de 2 ou 3 vezes na semana. É importante reiterar também que o excesso de carne vermelha na dieta pode ser maléfico. 

Outras opções de carnes não-vermelhas são: 

Alimentos fontes de ferro não heme

Lentilha e feijão

As lentilhas, assim como os diversos tipos de feijão, são fontes vegetais de proteínas. Além disso, é excelente combatente da anemia, visto que também é rica em ferro. Dentre os tipos de feijões, recomenda-se o feijão preto, dada sua riqueza de boas propriedades.

Além disso, há outros grãos similares que são recomendáveis: 

Beterraba 

Famosa por sua cor, a beterraba também merece atenção ao prevenir e combater a anemia. Assim, adicioná-la em sua dieta pode ser o que falta para dar fim a esse problema. 

Da mesma maneira, demais vegetais escuros são essenciais para uma dieta realmente rica em ferro, sendo o espinafre e o brócolis excelentes opções.

Pão integral

Uma excelente fonte de diversos nutrientes, entre eles a proteína e o ferro, o pão integral deve ser cuidadosamente escolhido na hora da compra, visto que pode conter sódio em excesso. Apesar disso, é um ótimo combatente da anemia, além de ser uma melhor opção em comparação ao pão branco. 

Couve

couve é rica em ferro e clorofila. Por isso, é uma ótima opção para tratar a anemia, diminuir a retenção de líquidos e evitar a absorção de substâncias químicas dos alimentos, ajudando assim na desintoxicação do organismo. 

Leia também: Como absorver melhor o ferro dos alimentos

Castanha de caju

Por fim, oleaginosas de todos os tipos são fontes de proteína conhecidas para os vegetarianos, mas a castanha de caju tem o benefício adicional de ser repleta de ferro. Uma porção de ¼ xícara contém cerca de 2 gramas de ferro. Além de ser comida pura, pode ser moída e, então, salpicada em saladas, carnes e sucos. 

Diferentes especialidades médicas envolvidas nos cuidados

Hematologista: O hematologista é responsável por tratar todas as doenças do sangue e os órgãos hematopoéticos, como a medula óssea, linfonodos e gânglios linfáticos. Esse médico também analisa os exames de sangue coletados e diagnostica todas as enfermidades que atingem essa parte do corpo, como a anemia. Geralmente, as pessoas vão ao hematologista encaminhadas por outro especialista, principalmente quando há uma anemia persistente, ou qualquer outro problema que possa estar relacionado ao sangue.

Nutrólogo: O médico nutrólogo faz o diagnóstico e tratamento de doenças como anemia ferropriva, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, deficiência de vitamina A e anorexia nervosa. O nutrólogo também dará apoio aos pacientes, trazendo a orientação correta sobre adaptações na dieta e tratamento mais indicado.

Nutricionista: O nutricionista é o responsável por elaborar o plano alimentar (dieta) e indicar quais alimentos e quanto comer em cada refeição. Ele também pode recomendar suplementos e solicitar exames —como hemogramas, análises de albumina e vitaminas. Ele vai usar a análise para identificar possíveis carências nutricionais do paciente e montar o cardápio, mas não pode diagnosticar doenças. Ao ver, por exemplo, que o exame indica falta de ferro, o nutricionista encaminha o paciente ao médico, que irá investigar se isso pode ser uma anemia.

O que perguntar para o médico na consulta

Menstruação pode causar anemia?

A menstruação é causada pela descamação uterina após uma ovulação não fertilizada, regulando o ciclo reprodutivo. No entanto, o aumento do fluxo menstrual associado ou não à baixa ingestão de alimentos que contém ferro pode levar ao aparecimento de deficiência de ferro, e, como consequência desta perda, surgir a anemia. A menstruação excessiva é chamada de hipermenorreia e é a principal causa de anemia por deficiência de ferro em mulheres que menstruam. 

A anemia é um sinal de outra doença

A anemia é resultado de alguma condição ou doença subjacente, que pode ser relativamente inofensiva ou muito séria. Dessa forma, há dezenas de causas para a anemia, que variam entre coisas relativamente pequenas, como uma dieta desequilibrada, até problemas sérios, como câncer. A anemia por carência de ferro, por exemplo, pode ter várias causas, incluindo menstruação abundante, doença celíaca, gravidez, câncer de cólon ou simplesmente uma dieta com aporte insuficiente de ferro.

Os sintomas de anemia são similares?

Há uma variação na contagem normal de hemoglobina e glóbulos vermelhos, e pessoas diferentes começam a apresentar os sintomas em níveis diferentes. Em geral, o sintoma mais comum da anemia é a fadiga, mas ela pode ser causada por muitas coisas. Atente-se para sintomas mais preocupantes, como falta de ar causada por um nível de esforço que você conseguia fazer no passado. Outro sintoma a ser observado é uma aparência mais pálida do que o normal.

Um sintoma pouco usual é comum em pessoas com anemia por carência de ferro: a pica. Ela é caracterizada por mastigar e comer coisas que não são alimentos. A biologia por trás disso ainda não é bem compreendida, mas pessoas com pica mastigam coisas como gelo, papelão ou terra. Parece ser mais comum em pessoas com carências nutricionais.

Talvez os sintomas mais importantes a se estar atento sejam os sintomas do que está causando a anemia. Por exemplo, ter sangue nas fezes e perda de peso podem ser sintomas de câncer de cólon, ou olhos amarelos (icterícia) podem resultar de uma queda em seus glóbulos vermelhos.

Por que a anemia não é uma doença investigada no check up?

Ao contrário do colesterol ou da pressão sanguínea, a anemia não faz parte dos exames de rotina. Em vez disso, os médicos sempre irão pedir exames de sangue (chamado hemograma completo) se a pessoa se queixar de sintomas como fadiga.

Por isso, se os resultados desse exame de sangue revelarem um nível baixo de hemoglobina, seu médico provavelmente fará um exame completo e terá uma conversa mais detalhada sobre seus sintomas e as alterações recentes na sua saúde. Depois, com base nos achados, ele pode pedir mais exames de sangue para observar outras alterações em seu nível de hemoglobina ou no número de glóbulos vermelhos.

Afinal, anemia pode ser grave?

A anemia normalmente aparece lentamente, frequentemente ao longo de semanas ou meses. Isso significa que mesmo as anemias causadas por um problema grave, como um câncer, podem aparecer em estágios precoces, quando a anemia ainda é bem leve. Mas mesmo que seu médico afirme que sua anemia é leve, ela ainda é um indicativo de um problema de saúde maior. Isso porque a gravidade da anemia nem sempre corresponde à importância de sua causa.

Por isso, descobrir a causa é a chave para tratar a anemia e corrigi-la. Assim, é importante ser específico com seu médico sobre qualquer alteração nos medicamentos, sintomas ou saúde em geral que possa ajudar a determinar o que está causando a anemia.

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Como prevenir?

As necessidades de ferro durante os primeiros anos de vida e durante a gestação são muito altas. Por isso, o ideal é manter uma alimentação saudável. Assim, é possível oferecer ferro adicional de forma preventiva. Dessa forma, a prevenção da anemia por deficiência de ferro deve ser planejada, principalmente, com suplementação de ferro medicamentosa, ações de educação alimentar e nutricional para alimentação adequada e saudável; com a fortificação de alimentos; com o controle de infecções e parasitoses; e com o acesso à água e esgoto sanitariamente adequado.

Fonte: Dra. Edvânia Soares, nutricionista da Estima Nutrição. Pós-Graduada em Nutrição Clínica Esportiva e Vigilância Sanitária. Especialista em Nutrição Clínica, Geral e Esportiva; Dr. Lisandro Ribeiro, hematologista na Oncoclínicas Curitiba

Referências:

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia
IPASEAL SAÚDE – Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do Estado de Alagoas
Biblioteca Virtual em Saúde (Ministério da Saúde)
Programa Nacional de Suplementação de Ferro – Manual de Condutas Gerais
Universidade Federal do Rio de Janeiro

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