Dieta FODMAP: O que é, como fazer e cardápio

12 de agosto, 2019

Barriga inchada, dores e ruídos abdominais, gases, cólica e períodos alternados de constipação e diarreia. Se você passa por isso quando come determinado tipo de alimento, saiba que seu problema pode ir além da intolerância ao glúten ou à lactose: você pode precisar de uma dieta FODMAP.

Uma em cada sete pessoas no mundo sofre com a Síndrome do Intestino Irritável (SII), apontou uma pesquisa da Universidade de Mônaco, na França. Assim, entre esses indivíduos, 75% dos que começaram uma dieta low FODMAPs sentiram alívio nos desconfortos intestinais depois de um tempo.

A dieta FODMAP foi desenvolvida na Universidade de Monash, em Melbourne, Austrália, por Peter Gibson e Susan Shepherd, em 2010, e é clinicamente recomendada para o tratamento da Síndrome do Intestino Irritável (SII).

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O que é a dieta FODMAP

O nome da dieta traz a sigla em inglês das letras iniciais dos carboidratos altamente fermentativos: oligossacarídeos (trigo, centeio, diversas frutas, legumes e leguminosas), dissacarídeos (lactose do leite e derivados), monossacarídeos (frutose das frutas e mel) e polióis (presente em algumas frutas e adoçantes).

“Os FODMAPs são um conjunto de carboidratos que podem ser de difícil digestão para algumas pessoas (monossacarídeos, dissacarídeos, oligossacarídeos e polióis). Assim, esses alimentos, apesar de nutritivos, tem uma característica osmótica (absorvem água) e fermentativa, piorando sintomas de gases e estufamento”, explica a nutricionista funcional Fernanda Scheer, de São Paulo. 

A dieta FODMAP é usada frequentemente em pacientes com síndrome do intestino irritável (SII). Mas, também pode ser usada em quem tem sintomas semelhantes e que derivam de outras doenças, por exemplo, a inflamatória intestinal.

Pesquisas da Universidade Monash, na Austrália, indicam que a dieta com baixo teor de FODMAPs funciona em 75% dos casos. Em um desses estudos, feito com 30 portadores do distúrbio, constatou-se a redução dos sintomas na ordem de 50% após três semanas com o novo regime – a melhora apareceu especialmente depois da primeira semana. 

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Alimentos ricos em FODMAPs

Frutose (monossacarídeos)

A frutose é absorvida com eficiência até uma certa quantidade. Mas, quando você a consome demais, a capacidade de absorção do intestino perde eficiência.

Alimentos ricos em frutose: mel, sucos de fruta, maçã, pera, melancia, ervilha.

Lactose (dissacarídeos)

Algumas pessoas não produzem as enzimas que quebram a lactose no intestino.

Alimentos com lactose: leites de origem animal (de acordo com a espécie, pode ser em maior ou menor concentração) e derivados.

Polióis

Presentes em alguns adoçantes artificiais (como o sorbitol e manitol), também podem ser mal absorvidos por algumas pessoas.

Alimentos com polióis: maçã, damasco, pêssego, nectarina, pêra, ameixa, cereja, abacate, amora, lichia, couve-flor, cogumelos.

Oligossacarídeos

Eles não são bem absorvidos por ninguém e, por isso, é muito comum ficarmos com alguns gases quando os comemos. Contudo, o problema é que nas pessoas mais sensíveis, eles podem causar dores mais fortes, inchaço e flatulência.

Alimentos com oligossacarídeos: grãos enlatados, lentilhas, feijão e grãos integrais de soja.

“Sim, tem vários alimentos saudáveis nessa lista! Por isso é importante (como sempre) uma análise individual e uma aplicação pontual, em fases agudas”, adianta a especialista. 

Como fazer uma dieta FODMAP

Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia, o segredo consiste em retirar os FODMAPs que fazem parte da dieta aos poucos e, em fases, ir adicionando os grupos alimentares.

A dieta low fodmap ou dieta antifermentativa exclui os alimentos ricos em FODMAPs por até 8 semanas para observar melhora nos sintomas apresentado. É importante seguir a dieta com a recomendação de um nutricionista para que haja a correta substituição dos alimentos e não acarrete deficiências nutricionais.

“É importante lembrar também que esse protocolo por si só não resolve problemas intestinais mais sérios. Entender a origem dos distúrbios (disbiose, SII, aumento da permeabilidade intestinal) e tratar as causas (dificilmente é uma só) é fundamental para um resultado efetivo e duradouro”, alerta Fernanda.

Sugestão de cardápio low FODMAPs para a dieta FODMAP

Café da manhã

Leite de soja ou leite sem lactose batido com banana e aveia. Ou um pão sem glúten com queijo sem lactose acompanhado de uma fatia de melão.

Lanche da manhã

Iogurte sem lactose e uma porção de morango ou de abacaxi.

Almoço

Forre metade de um prato com cenoura, alface, tomate, pepino, berinjela, abobrinha, espinafre, rabanete e abóbora. Na outra metade, coloque uma porção de arroz integral com um peixe ou uma carne (vermelha ou de frango).

Lanche da tarde

Mix de oleaginosas e uma tangerina.

Jantar na dieta FODMAP

Repita o almoço. Dá para substituir o arroz por batata-doce ou batata inglesa, polenta ou macarrão sem glúten. Sempre reserve mais espaço para a salada. Ovo também está permitido.

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