Cachaça cura gripe? Descubra se é mito ou verdade

23 de março, 2022

A cachaça é uma das bebidas mais tradicionais que existem no Brasil. Inclusive, muita gente recomenda o seu consumo não só nos momentos de descontração, como também no tratamento de doenças, como a gripe. Mas será que realmente a cachaça cura gripe? Descubra se a bebidinha de fato tem esse poder ou se é mais um mito.

A origem da cachaça

A cachaça é uma bebida alcoólica resultante do processo de fermentação e destilação do melaço da cana. Ela tem grande importância cultural, social e econômica no Brasil, sendo exportada para diversos países. O clima brasileiro é muito favorável à produção da cana de açúcar, que é a matéria prima para a sua produção.

Mito ou verdade: cachaça cura gripe?

Algumas pesquisas apontam que as bebidas alcoólicas possuem ação antioxidante. No entanto, até hoje ninguém conseguiu comprovar cientificamente que a cachaça cura a gripe, pois para curá-la a bebida teria que agir sobre o vírus, o que não acontece. Por isso, é um mito dizer que uma dose de cachaça vai curar a gripe.

De onde surgiu a crença de que a cachaça cura gripe?

Esse mito é contado há mais de 100 anos. Isso porque no século passado, em 1918, o mundo vivia a pandemia da gripe espanhola. Segundo historiadores, foi uma das epidemias mais letais da história humana. Com a medicina pouco avançada, a população combatia os sintomas da doença com ajuda da medicina popular. Segundo informações do Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC), foi assim que possivelmente a caipirinha nasceu e popularizou-se.

Dessa forma, a cachaça foi usada como remédio para gripe espanhola, mas, segundo estudos, não funcionou. O xarope era feito com pedaços de limão com casca, mel e um pouco da bebida alcóolica nasceu como um dos muitos remédios improvisados daqueles tempos de desespero. Algumas receitas também contavam com o alho. De São Paulo, a caipirinha se espalhou, mesmo depois de comprovado que sua eficácia medicinal era balela. Outra herança da gripe espanhola foi a popularização da canja de galinha como remédio, no Rio de Janeiro. Não curou ninguém, mas entrou no imaginário como comida para tratar doentes.

Entretanto, hoje em dia, já sabemos que o mel e o limão, normalmente consumidos com a cachaça, têm propriedades que aumentam a imunidade e melhoram a tosse. Mas tudo isso, é claro, sem o álcool. E só relembrando, não é recomendado misturar bebida alcóolica com medicamentos.

Já que é mito que cachaça cura gripe, o que comer?

Tente manter a alimentação mais natural possível. A falta de apetite é um dos sintomas da gripe, mas ficar sem comer pode prolongar a ação da doença. Por isso, justamente por estar comendo menos, o ideal é escolher refeições estratégicas e extremamente nutritivas. Veja como fazer isso:

Água, chás e sopas

Pratos e bebidas ricos em água são essenciais, uma vez que eles hidratam o corpo. Além disso, o vapor dos itens servidos quentes alivia a congestão nasal. Do mesmo modo, as plantas e as ervas têm propriedades calmantes, relaxantes e anti-inflamatórias que contribuem para amenizar a sensação de mal-estar. Por fim, vale caprichar nos líquidos: cerca de 35ml para cada quilo de peso corporal por dia.

Leia mais: Sopas para gripe: 4 receitas nutritivas que ajudam na recuperação do corpo

Proteínas de boa qualidade ajudam na cura da gripe

Peito de frangoovoscarnes com pouca gordura, tofu e cogumelos carregam aminoácidos essenciais, compostos importantes para o funcionamento de diversos processos do corpo (incluindo os imunológicos).

Carboidratos complexos

Eles são fontes de energia, mas são lentamente digeridos pelo corpo, o que faz com que a glicose (açúcar) caia na corrente sanguínea de forma controlada. De quebra, ainda concentram muitas fibras. Bons exemplos: alimentos integrais, batata-doceaveia, mandioca, grãos e castanhas.

Frutas e verduras

Uma alimentação rica em frutas e verduras garante todo o aporte de vitaminas e minerais necessários para reforçar o organismo. Portanto, priorize itens in natura como frutas vermelhas, folhas verde-escuras, brócolis e laranja.

Alimentos ricos em vitamina C

ácido ascórbico, popularmente conhecido como vitamina C, auxilia a absorção de ferro pelo corpo, possui ações anti-inflamatória e antioxidante, e estimula a produção de glóbulos brancos (pequenas estruturas que previnem e combatem infecções).

Por isso, consumir ingredientes ricos nesse nutriente não necessariamente vai curar milagrosamente a gripe, mas pode dar uma forcinha para o sistema imunológico. Invista em: brócolis, couve, pimentão amarelo, caju, goiaba, mamãomangaacerola, laranja e limão.

Leia também: Surto de influenza: Saiba fortalecer o sistema imunológico

Raízes e temperos naturais

Os temperos e as raízes são, muitas vezes, utilizados como estratégias dietéticas para dar um melhor suporte ao sistema imunológico. Confira os principais:

  • Cúrcuma ou açafrão-da-terraé constituída por um ativo vegetal chamado curcumina. Seus principais benefícios são tratar infecções e também ter propriedades antibacterianas, antivirais e antifúngicas;
  • Gengibreo rizoma de gengibre tem muitos elementos bioativos, entre eles, os gingeróis, que têm ação contra fungos, bactérias e vírus;
  • Pimenta-do-reino: rica em retinol (vitamina A), em ácido ascórbico (vitamina C) e em minerais como ferro e potássio. Ajuda na manutenção diária do sistema imunológico;
  • Hortelã: possui ativos como o mentol e o ácido ascórbico;
  • Manjericão: tem como principal ativo o eugenol, que é um composto natural que possui diversas atividades imunológicas. Assim, ele tem um efeito inibitório apreciável sobre o estresse oxidativo e a resposta inflamatória.

Fibras e probióticos

Você sabia que intestino e imunidade estão intimamente ligados? Isso acontece pois, lá, vivem bactérias extremamente benéficas ao sistema imune. Portanto, priorizar uma dieta rica em fibras e probióticos potencializa o bom funcionamento do sistema digestivo, contribuindo para a proteção do corpo.

Leia mais: Agende sua vacina contra a gripe

Fonte: Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC).

Sobre o autor

Fernanda Lima
Fernanda Lima
Jornalista e Subeditora da Vitat. Especialista em saúde