Síndrome do sono insuficiente: conheça as causas e como tratar

21 de fevereiro, 2022

Dormir menos do que o corpo precisa pode trazer problemas de saúde a longo prazo. Embora aparentemente “inofensivo”, quando a privação do sono deixa de ser eventual e passa a se tornar rotina, surge então a chamada síndrome do sono insuficiente.

A condição pode ocorrer de forma aguda ou crônica. A privação do sono aguda ocorre esportadicamente, ou seja, são situações pontuais que duram um ou dois dias. Por outro lado, a privação de sono crônica, ou seja, a longo prazo, ocorre quando o pouco tempo de sono passa a fazer parte da rotina do indivíduo. Confira, agora, mais detalhes sobre a síndrome do sono insuficiente e como tratá-la.

O que é a Síndrome do Sono Insuficiente

A síndrome do sono insuficiente é um distúrbio que acomete cerca de 5% da população brasileira. Dessa forma, ocorre quando a privação do sono se torna constante e rotineira. O resultado é uma sonolência excessiva durante o dia, podendo causar diversos problemas para a saúde, além de acidentes, como dormir no trânsito, por exemplo.

A privação do sono ou sono insuficiente pode ser decorrente de hábitos inadequados ou situações específicas que levam à redução do tempo de sono. Além disso, pode ser sinal de outros transtornos relacionados ao sono, como insônia, síndrome da apneia do sono, além de transtornos de movimento relacionados ao sono, como bruxismo e síndrome das pernas inquietas, entre outras. 

Sintomas da síndrome de sono insuficiente

Pessoas com a síndrome de sono insuficiente não dormem o suficiente à noite para que permaneçam alertas ao acordar. Dessa forma, os sintomas clássicos incluem sonolência excessiva, irritabilidade e fadiga diurna. Além desse problema, são comuns relatos de sintomas como:

Os sintomas em criança, no entanto, são diferentes, pois as crianças com sono precário geralmente não apresentam sonolência, mas dificuldades escolares e sintomas de hiperatividade. Além disso, por conta da alteração da liberação do hormônio de crescimento, crianças com qualidade de sono precária também podem ter alteração na curva de crescimento e baixa estatura.

As consequencias do sono insuficiente

Várias pesquisas tem relacionado o sono precário e privação de sono com diversos problemas de saúde:

  • Ganho de peso causado pela desregulação de hormônios como Grelina e Leptina. Como consequência, também pode haver aumento no apetite por alimentos calóricos.
  • Redução da imunidade (maior suscetibilidade à infecções)
  • Problemas de memória (mecanismos de fixação da memória são sedimentados durante o sono) e dificuldade de concentração
  • Risco de doenças cardiovasculares e hipertensão
  • Redução da libido
  • Risco de acidentes
  • Maior risco para diabetes tipo 2
  • Alterações de humor com ansiedade e risco de depressão.
  • Maior risco para doenças neurodegenerativas

Afinal, quantas horas devo dormir por dia?

A maioria dos adultos têm uma necessidade de sono diária de 7 a 9 horas por dia. No entanto, essa resposta varia de acordo com alguns fatores, como idade e predisposições genéticas. Os chamados curtos dormidores necessitam de menos horas de sono, mas não necessariamente estão privados de sono, graças a vários genes que predispõem a eles dormir “pouco” e estar bem no dia seguinte sem qualquer impacto cognitivo.

Porém, recém-nascidos precisam dormir de 14 a 17 horas por dia, enquanto para bebês de 4 a 11 meses a recomendação é de 12 a 15 horas. Nos adultos, a orientação geral é que o ato de dormir esteja entre sete e nove horas em média e, com 65 anos ou mais, a quantidade média é de sete a oito horas.

Além disso, estudos indicam que, pessoas que dormem acima da média, também têm consequências. Os mecanismos ainda não são bem conhecidos, mas o sono prolongado pode ser um indicador de alguma doença, como quadros de depressão.

A síndrome tem cura?

A boa notícia é que sim, a síndrome do sono insuficiente tem cura. O tratamento, no entanto, não costuma ser medicamentoso, mas comportamental, ou seja, exige uma mudança de hábitos e estilo de vida. Além disso, algumas recomendações são bastante úteis para amenizar o problema:

  • Evite ingerir alimentos de difícil digestão próximo da hora de dormir, além de estimulantes, como cafeína, chá mate e bebidas alcoolicas;
  • Pratique atividades físicas regularmente. O ideal é exercitar-se no mínimo por 30 minutos por dia, cinco vezes por semana. Porém, evite fazer exercícios antes de dormir. O mínimo recomendado é de 3 horas antes de dormir.
  • Procure dormir entre 7 e 10 horas todas as noites. É comum que pessoas com a síndrome acreditem “não precisar” de tantas horas de sono. No entanto, esse período de descanso é essencial para promover a recuperação do organismo e não deve ser reduzido rotineiramente;
  • Ao sentir-se sonolente durante o dia, pare o que está fazendo, levante-se, tome um copo de água e caminhe por alguns instantes;
  • Nunca dirija ou opere máquinas perigosas quando estiver com sonolência excessiva.

Como tratar?

Primeiramente, deve-se cuidar da higiene do sono com uma série de medidas que visam minimizar fatores que podem ter impacto negativo na qualidade de sono, como as mencionadas acima. Porém, se apesar da boa higiene do sono estes sintomas se mantiverem, é necessária uma avaliação de um especialista em medicina do sono. 

Dessa forma, o tratamento dependerá das causas da privação do sono. “Primeiramente, devemos identificar as causas e reparar o sono, principalmente o sono REM, que significa (Rapid Eye Movement ou Movimento Rápido dos Olhos) é a fase mais profunda do sono e para que você tenha uma noite de qualidade. Além disso, a síndrome do sono pode ser reparado com melhora dos hábitos de vida saudável (atividade física, dieta equilibrada e lazer) e higiene do sono ( horário regulares do sono, evitar estímulos noturnos e bebida alcoólica)”, explica o Dr. Francis Silveira, médico psiquiatra.

Por fim, o profissional que atua na área de Medicina do Sono também poderá ajudar e orientar, indicando a terapia mais apropriada, que pode envolver o uso de medicamentos, exercícios e alguns aparelhos específicos. 

Fonte: Dr. Francis Silveira – Médico psiquiatra e membro da Associação Brasileira de Psiquiatria e Associação Brasileira de Neuropsiquiatria. Mestrando em Neurociências pela Logos University International.

Sobre o autor

Fernanda Lima
Fernanda Lima
Jornalista e Subeditora da Vitat. Especialista em saúde