Apneia do sono: o que é, sintomas, tratamentos e causas

Bem-estar Saúde Sono
03 de Outubro, 2023
Apneia do sono: o que é, sintomas, tratamentos e causas

Você sabia que a população mundial passa, em média, um terço de suas vidas dormindo? Mais do que isso: a má qualidade do sono está estreitamente ligada a patologias como a apneia obstrutiva do sono

A condição atinge cerca de 33% da população da cidade de São Paulo, de acordo com um estudo do Departamento de Psicobiologia da UNIFESP.  Se não receber o tratamento adequado, pode desencadear problemas cardíacos, diabetes, insuficiência respiratória, derrame e pressão alta. Saiba mais a seguir. 

Leia mais: Apneia do sono em crianças: saiba o que é e como identificar

Apneia do sono: o que é?

Caracterizada pela obstrução parcial ou total das vias respiratórias enquanto o indivíduo está dormindo, a condição gera repetidas paradas temporárias na respiração. Como resultado, o sono é interrompido inúmeras vezes pela falta de oxigênio no corpo, provocando cansaço e sonolência diurna.

Outros sintomas comuns são:

  • Ronco excessivo;
  • Despertares noturnos por engasgo;
  • Falta de memória;
  • Problemas de concentração;
  • Irritabilidade;
  • Alterações de humor;
  • Crises frequentes de dor de cabeça.

“Quando dormimos, a respiração deve ser silenciosa. Caso contrário, é preciso identificar se existe só barulho ou se há associação com alguma enfermidade”, explica a médica  otorrinolaringologista Sandra Doria Xavier, do Instituto do Sono. 

Nos adultos, quadros de rinite, sinusite, desvio de septo, alterações na laringe e entre outras podem provocar roncos. Nas crianças, o aumento das amígdalas ou da adenoide são os principais responsáveis pelo aparecimento do ruído. Eles são importantes órgãos de defesa, só que quando muito aumentados, podem prejudicar a saúde em vez de ajudar no combate a agentes infecciosos.

Além disso, a fadiga e sonolência durante o dia também têm impacto no estilo de vida da pessoa, o que pode piorar o problema. “O indivíduo tem menos energia para praticar atividade física, passa a se alimentar mal, a consumir cafeína e ainda a tentar dormir mais para compensar esse cansaço, criando maus hábitos que favorecem o surgimento da insônia”, explica Caio Bonadio, psiquiatra especialista em Medicina do Sono.

Prevalência da apneia do sono

Um estudo conduzido por pesquisadores norte-americanos, e publicado na revista científica The Lancet Respiratory Medicine, estima que quase um bilhão (936 milhões) de indivíduos adultos, entre 30 e 69 anos, sejam afetados pela apneia do sono em todo o mundo. No entanto, a maioria não procura ajuda, demorando a receber o diagnóstico e o tratamento adequado, o que provoca um aumento de risco para doenças como hipertensão, insuficiência cardíaca e diabetes.

De acordo com Caio Bonadio, psiquiatra especialista em medicina do sono, os principais fatores de risco para a condição são:

  • Sobrepeso e obesidade;
  • Ser do gênero masculino;
  • No caso das mulheres, ter passado pela menopausa;
  • Alterações anatômicas craniofaciais;
  • Idade avançada.

Nesse sentido, de acordo com uma pesquisa da UNIFESP, a doença tem maior incidência em pessoas a partir dos 50 anos, em sua maioria homens, com índice de massa corpórea elevado, além de alterações faciais, como o indivíduo que tem o queixo mais recuado, língua volumosa e amígdalas aumentadas, por exemplo. 

Insônia versus apneia

Em alguns casos, a dificuldade para dormir pode ser a apneia, em outros a insônia. Ou mesmo uma das 50 doenças catalogadas na Classificação Internacional de Distúrbios do Sono. Há situações, inclusive, em que a pessoa pode apresentar as duas condições simultaneamente.

De acordo com Bonadio, cerca de 30 a 50% dos pacientes com apneia acabam apresentando sintomas de insônia. Os quadros, no entanto, têm diferenças: enquanto a apneia é caracterizada por alguns sinais típicos (como o ronco, fadiga e dor de cabeça), na insônia o problema é a dificuldade em iniciar o sono, mantê-lo ou despertar antes do horário habitual, o que leva a repercussões negativas durante o dia (como sonolência, ansiedade e alterações de memória).

O diagnóstico deve ser feito por um especialista em Medicina do Sono após avaliação médica detalhada. Assim, o paciente pode passar também pelo exame de polissonografia – que faz o monitoramento do sono por meio de equipamentos eletrônicos.

Os riscos da apneia obstrutiva do sono

De acordo com o Dr. Danilo Sguillar, otorrinolaringologista e médico do sono da Beneficência Portuguesa de São Paulo, indivíduos acometidos por apneia obstrutiva têm maior propensão para quadros cardiovasculares e metabólicos. Isso porque a fragmentação do sono e a queda intermitente do oxigênio durante a noite propiciam aumento do bombeamento cardíaco, mecanismos de resistência à insulina e possibilidade de diabetes mellitus do tipo 2. 

“Nesses casos, não adianta um paciente procurar somente um endocrinologista ou cardiologista. Ele também precisa pensar no sono dele. Muitas vezes, as chaves dos problemas estão associadas ao sono em termos quantitativos e qualitativos”, completa o especialista.

Diagnóstico: exames

Para diagnosticar a condição, um dos exames indicados é a sonoendoscopia, um procedimento que avalia o comportamento da via aérea superior enquanto o paciente dorme.

A sonoendoscopia tem duração de aproximadamente 30 minutos. Para realizá-la, o paciente precisa fazer jejum de oito horas antes do início do exame. Dessa forma, logo após a administração do anestésico de rápida indução do sono, é inserido, via nasal, uma fibra fina com uma microcâmera que avalia por meio de um sistema de vídeo as estruturas da via aérea superior enquanto o paciente dorme.

O exame foca, sobretudo, em três regiões principais: faringe, base de língua e epiglote. A partir daí, são avaliadas as áreas de estreitamento que resultam na apneia obstrutiva do sono. O paciente é liberado para as suas atividades logo após o término do exame, mas é obrigatório que esteja com um acompanhante.

Quem deve fazer a sonoendoscopia?

A sonoendoscopia é uma ferramenta diagnóstica que auxilia na conduta terapêutica da apneia obstrutiva do sono. Dessa forma, é indicada para avaliação pré-cirúrgica de procedimentos faríngeos ou esqueléticos.

Por isso, pode auxiliar na tomada de decisão cirúrgica; simulação ou teste da eficiência do aparelho intra-oral (aparelho que interioriza a mandíbula confeccionado por dentistas especializados); ou quando a utilização do CPAP (que é um aparelho usado para emitir o ar com pressão para manter a via aérea do paciente aberta) não foi suficiente para mitigar os casos de apneia.

Tratamento da apneia

Diagnosticada a apneia, o tratamento deve ser personalizado, acompanhado por uma equipe multidisciplinar. Dessa forma, mudanças no estilo de vida deverão acontecer. “Se a doença está associada ao sobrepeso e à obesidade, o que é comum, é preciso realizar um planejamento de atividade física e de alimentação para controlar isso”, explica o psiquiatra.

Uma das modalidades de tratamento é o uso do aparelho CPAP – sigla em inglês para “Continuous Positive Airway Pressure”, ou “Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas”. O equipamento envia um fluxo de ar contínuo que impede a obstrução das vias aéreas, evitando também a interrupção do sono.

Em alguns casos, quando a apneia é provocada por alguma disfunção anatômica no crânio, na mandíbula ou até mesmo pela presença de pólipos nasais, é possível suspender o uso do CPAP após a correção cirúrgica. No entanto, como são casos específicos, dependem de avaliação do médico otorrinolaringologista especializado em Medicina do Sono e de um cirurgião bucomaxilofacial.

Por fim, medidas de higiene do sono e controle de estímulos à noite também ajudam o corpo a entrar novamente no equilíbrio dos ciclos de vigília e repouso.

“No passado, todo paciente que roncava ganhava uma cirurgia do ronco. No entanto, com tempo, verificou-se que a taxa de sucesso é muito baixa e os otorrinos ficaram malvistos. Atualmente, as faringoplastias somente são indicadas no exame físico, quando encontrarmos amígdalas grandes, palato grande ou sinais de que, possivelmente, o paciente realmente vai se beneficiar com a cirurgia”, argumentou.

Lembre-se: o tratamento não é para quem reclama, é por você!

Mesmo pessoas que não sabem se roncam podem identificar o problema por outros sintomas, como a boca seca e acordar cansado de manhã, sonolência, dificuldade de manter o sono, falta de atenção ou acordar com dor de cabeça. Além do suporte médico, há aplicativos para celular que verificam a qualidade do sono ou a existência de roncos.

Assim, a especialista em sono alerta que, apesar de queixas familiares e piadas, o tratamento do ronco deve ser feito para aumentar a qualidade de vida da própria pessoa e não de outros. 

“O ronco não é um problema do outro. Logo, tratá-lo não é ajudar o outro a viver melhor. Na realidade, é dar mais atenção a si mesmo. Portanto, tratar o ronco é para a pessoa dormir melhor, bem como ter mais qualidade de vida e, por consequência, minimizar os fatores de risco que advém da apneia do sono não resolvida”, disse.

Obesidade e sobrepeso X Apneia do sono em paulistanos

O sobrepeso e a obesidade favorecem o problema, porque o tecido gorduroso no pescoço faz com que o ar não transite de forma linear, o chamado turbilhonamento na via aérea, e o surgimento do barulho. Paralelamente, propicia o estreitamento da garganta, levando à apneia.

“O grande vilão da história do ronco é o aumento de peso, que foi muito comum na pandemia. As pessoas ganharam peso e passaram a roncar”, afirma Sandra Doria Xavier. 

A segunda condição que favorece o ronco é a idade avançada. Assim como torna os músculos dos braços e das pernas mais flácidos, o envelhecimento provoca a perda do tônus muscular e do colágeno nas vias aéreas. Assim, a flacidez da musculatura facilita a vibração dos tecidos e, consequentemente, o surgimento de ruídos com a passagem do ar.

Pessoas do sexo masculino são mais propensas ao ronco, por fatores hormonais e devido a anatomia das vias aéreas. No entanto, com a menopausa, as mulheres perdem a proteção dos hormônios femininos. Dessa forma, os músculos da garganta enfraquecem, o que aumenta o risco de ronco. Portanto, de acordo com a Fundação Nacional do Sono, a proporção de pessoas com ronco nos Estados Unidos é de 57% de homens e 40% de mulheres.

Fontes:

  • Dr. Danilo Sguillar, otorrinolaringologista e médico do sono da Beneficência Portuguesa de São Paulo.
  • Dr. Caio Bonadio, psiquiatra especialista em medicina do sono.
  • Dra. Sandra Doria Xavier, otorrinolaringologista do Instituto do Sono.

Referências: Agência Brasil; Agência Einstein.

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