Obesidade: O que é e como evitar essa condição

16 de julho, 2019

A obesidade é uma doença complexa, que faz parte das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). De um modo geral, podemos dizer que a obesidade é caracterizada por um acúmulo excessivo de gordura corporal. Tal acúmulo pode levar a outras enfermidades como doenças cardiovasculares, dislipidemia, diabetes tipo 2, síndrome metabólica e alguns tipos de câncer. 

Obesidade pode ser classificada pela distribuição da gordura corporal e por graus, de  acordo com o Índice de massa corporal (IMC), que é calculado dividindo-se o peso (em kg) pelo quadrado da altura (em metros).

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O resultado revela se o peso está dentro da faixa ideal, abaixo ou acima do desejado – revelando sobrepeso ou obesidade.

Classificação do IMC:

– Menor que 18,5 – Abaixo do peso

– Entre 18,5 e 24,9 – Peso normal

– Entre 25 e 29,9 – Sobrepeso (acima do peso desejado)

– Igual ou acima de 30 – Obesidade.

O excesso de peso é o principal sintoma, mas podemos observar outros indicativos como compulsão alimentar, cansaço excessivo, respiração ofegante, pernas pesadas e inchadas, calor e suor em excesso.

“Além dos sintomas, temos suas consequências que valem ser ressaltadas: problemas cardiovasculares, diabetes, hipertensão arterial, colesterol alto, varizes, artrose, doenças renais, dificuldade respiratória e cansaço, maior incidência de câncer, redução da expectativa de vida e baixa autoestima”, entrega a nutricionista Izabella Rocha, da Clínica Karla Assed. 

A obesidade pode também mexer com fatores psicológicos, acarretando diminuição da autoestima e depressão.

Tipos de obesidade 

Segundo a nutricionista Carla Simonelli, do Rio de Janeiro, existem dois principais tipos: ginóide, que também podemos chamar de tipo pêra (mais comum em mulheres, por ter uma concentração de tecido adiposo periférico, como nas nádegas, nos quadris e nas coxas); e o tipo andróide ou maçã (predominante no sexo masculino e tem como característica a obesidade alta, central ou troncular).

As escolhas nutricionais e o estilo de vida podem ativar ou desativar genes desencadeantes da obesidade.  “A maior parte dos casos de obesidade está vinculada a fatores relacionados ao estilo de vida, ou seja, hábitos alimentares ruins como aumento do consumo de gordura saturada, açúcar e carboidratos refinados, com baixo teor de fibras. E também ao sedentarismo, que leva a uma redução do gasto energético diário”, explica. 

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No Brasil e no mundo

Em recente publicação do site da Organizações Unidas, o chefe da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, alertou para o que descreveu como uma “globalização da obesidade”. Atualmente, mais de 2 bilhões de pessoas no mundo estão acima do peso. Mais de 670 milhões delas são obesas. 

No Brasil, segundo dados de 2017 do Ministério da Saúde,  17,8% da população brasileira era obesa no ano de 2010; em 2014, o índice subiu para os 20%, sendo a maior prevalência entre as mulheres (22,7%). Outro dado do relatório é o aumento do sobrepeso infantil. Estima-se que 7,3% das crianças menores de cinco anos estão acima do peso, sendo as meninas as mais afetadas, com 7,7%.

A obesidade e o sobrepeso vêm aumentando no Brasil assim como em toda a América Latina e Caribe. De acordo com o levantamento, intitulado Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e Caribe, mais da metade da população brasileira está com sobrepeso e a obesidade já atinge a 20% das pessoas adultas no país, enquanto 58% da população latino-americana e caribenha estão com sobrepeso, num total de 360 milhões de pessoas, e a obesidade afeta 140 milhões, ou 23% da população regional. (fonte: Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Pan-americana de Saúde (Opas), 2017).

Como evitar

De acordo com a nutricionista, a melhor maneira de se manter longe da obesidade é mudando os hábitos de vida, principalmente com a melhora da alimentação. “Deve-se evitar o consumo de gordura saturada e carboidratos refinados e incluir carnes magras, frutas, hortaliças e cereais integrais. Além disso, é muito importante deixar de lado os hábitos que não são saudáveis como o tabagismo, o excesso de álcool e o sedentarismo. Ao manter uma alimentação balanceada e incluir uma rotina de atividade física, dificilmente uma pessoa vai se tornar obesa”, conta.  

Dicas para mudar a alimentação e emagrecer

– Crie um diário alimentar: Faça anotações de tudo o que come, quais foram os horários das refeições e, principalmente, seu estado emocional no momento. Assim, ficará mais fácil visualizar o que foi consumido errado ou em excesso e quais as causas desse deslize, como fome excessiva após longo jejum, estresse ou ansiedade

– Concentre-se no que está comendo: no momento da refeição é importante focar  para controlar o que consome. Escolha locais tranquilos e agradáveis para fazer suas refeições e desconecte-se de aparelhos eletrônicos e redes sociais. Explore o sabor e a textura de cada alimento e mastigue com calma. 

– Prefira comida de verdade: Priorize refeições compostas por comida de verdade, como arroz, feijão, batata, carne, frango, peixe, ovo, verduras, legumes, frutas, grãos, cereais, leite, iogurte natural. Fuja de alimentos industrializados, que são cheios de açúcar, gorduras, sódio e muitas vezes não saciam a fome por tempo prolongado e nem nutrem o corpo. 

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Sobre o autor

Amanda Figueiredo
Amanda Figueiredo
Jornalista, editora sênior de nutrição, saúde e bem-estar.