Citomegalovírus: o que é, sintomas, causas e tratamento

Saúde
30 de Setembro, 2022
Citomegalovírus: o que é, sintomas, causas e tratamento

Sem sintomas aparentes, algumas doenças podem afetar o corpo de forma silenciosa, mas nem por isso deixam de ser fatais. É o caso do citomegalovírus, que também é denominado pela sigla CMV

Assim, muitas vezes, ele acaba sendo confundido com o vírus da herpes. Mas apesar de fazer parte da mesma família desse invasor, os sintomas e as consequências são bem distintos.

Dessa maneira, o citomegalovírus, assim como todo vírus, entra no organismo como uma infecção. De forma latente, ele faz com que o mecanismo de defesa, ou seja, o nosso sistema imunológico, seja capaz de controlar o vírus, porém, não o elimina completamente. 

O que é o citomegalovírus?

O CMV é um tipo de vírus da herpes (herpesvírus tipo 5). Ele e todos os outros herpesvírus ficam presentes no organismo da pessoa infectada durante toda a vida, porque permanecem no interior das células em estado inativo (também conhecido como dormente ou latente) por vários anos. Em algumas situações, eles “acordam”, e dão origem a episódios da doença em questão — mas os sintomas da reativação podem ser diferentes dos gerados pela infecção inicial.

No caso do citomegalovírus, pesquisas sugerem que entre 60% e 90% dos adultos já tiveram contato e foram infectados pelo micro-organismo.

Citomegalovírus na gravidez: riscos

O citomegalovírus na gravidez pode ser transmitido para o bebê pela placenta e na hora do parto — principalmente se a gestante foi infectada pela primeira vez na gestação. Nesses casos, o vírus torna-se perigoso, pois pode causar aborto espontâneo, anemia (no bebê), hemorragia e danos graves ao cérebro e ao fígado, que levam à morte. Fetos que sobrevivem podem apresentar perda auditiva e deficiência intelectual.

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Como se dá a transmissão do citomegalovírus?

O CMV está presente em todos os grupos de pessoas, mas geralmente, de forma latente. Ou seja, provavelmente ao fazer um exame, ele será identificado, mas sem apresentar infecções. Sendo assim, ele é transmitido por contato de diferentes formas, incluindo as sexuais e as não sexuais:

  • Sangue;
  • Saliva;
  • Urina e fezes;
  • Sêmen;
  • Leite Materno;
  • Muco do colo uterino (parte inferior do útero);
  • Órgãos transplantados.

Contudo, é importante ressaltar que as transmissões mais comuns incluem a contaminação por transfusão de sangue e aleitamento materno de mãe para filho.

Sintomas do citomegalovírus

Em pacientes com imunidade normal, a infecção geralmente não causa nenhum sintoma. Porém, quando o vírus se ativa, as reações do corpo podem incluir febre, dor de garganta, fadiga, dores musculares e aumento dos gânglios.

Por outro lado, em pacientes com imunidade reduzida, o CMV se manifesta com os mesmos sintomas citados, além de vermelhidão por toda a pele, conhecida como eritrodermia. Além disso, nos casos mais severos, o vírus pode vir acompanhado de complicações em locais como fígado, pulmão, olhos, coração e sistema nervoso.

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Diagnóstico do citomegalovírus

Para saber se o citomegalovírus está ativo, o diagnóstico deve ser feito por um médico a partir da suspeita clínica ao examinar o paciente.

Principais exames

Depois, ele é confirmado pela presença do vírus no sangue por meio dos seguintes exames:

  • Sorologia: detecta anticorpos contra o vírus que são do tipo IgM ou IgG. O IgM está presente somente na fase aguda da infecção e o IgG também aparece na fase aguda, porém, persiste por toda a vida;
  • Antigenemia para CMV: detecta proteínas especificas do vírus dentro das células do sangue;
  • PCR: detecta a presença do gene do vírus na amostra. Indica-se para pacientes com risco elevado de infecções graves para diagnosticar a doença e monitorizar a resposta ao tratamento;
  • Histopatologia: a biópsia da pele é feita quando o paciente apresentar acometimento ou análise do material com suspeita da infecção;
  • Cultura de urina: em recém-nascidos.

Quais profissionais procurar?

Na maioria dos casos, um infectologista é o especialista mais indicado para diagnosticar e tratar a condição. Contudo, obstetras e pediatras também podem ajudar (no caso de bebês), assim como o oftalmologista, que é capaz de identificar o vírus através de exames na estrutura interna do olho (com o oftalmoscópio) para verificar possíveis anormalidades características.

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Tratamento do citomegalovírus

Em pessoas sem alterações do sistema imunológico, o tratamento é administrado somente para controlar os sintomas, incluindo analgésicos e antitérmicos. Naqueles com o sistema imunológico alterado, com CMV congênito ou com riscos à visão, são utilizados medicamentos antivirais específicos (por via oral ou por veia), como valganciclovir, ganciclovir, cidofovir e foscarnete.

Essas medicações não curam a infecção, mas atrasam a progressão da doença.

Prevenção ao citomegalovírus

Por fim, para prevenir a propagação do vírus, é importante:

  • Lavar bem as mãos com água e sabão, especialmente após contato com fraldas e secreções orais ou nasais;
  • Evitar beijar crianças abaixo de 6 anos na boca ou bochechas;
  • Não compartilhar comidas, bebidas ou utensílios orais (como colher, garfo, copo) antes de lavar;
  • Limpar qualquer superfície que tenha tido contato com urina ou saliva de crianças.

Fonte/bibliografia

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