Menstruar é algo completamente normal, mas muitas mulheres sofrem com um fluxo de sangue mais intenso. Como resultado, cancelam compromissos e deixam de seguir suas rotinas por causa do incômodo. Apesar desse cenário ser corriqueiro, ele não é considerado normal e pode ser um sinal de sangramento uterino anormal (SUA).
Mas como descobrir que meu fluxo está fora do normal? E quais são as opções de tratamento? A seguir, saiba mais sobre a condição e quando buscar ajuda profissional.
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Como o próprio nome sugere, o SUA é todo sangramento anormal vindo do útero de uma mulher que não está grávida. Essa situação pode mexer com o volume do fluxo, bem como com sua duração e sua frequência.
Ou seja, a mulher com SUA pode perceber um fluxo mais abundante do que as menstruações normais, ou um ciclo irregular, com dias de sangramento que duram muito tempo.
De acordo com o Manual MSD, a condição é mais comum no início e no final da idade fértil: 20% dos casos ocorrem em meninas adolescentes, enquanto cerca de 50% acometem mulheres com mais de 45 anos.
A grande maioria dos casos acontecem por conta de disfunções ovulatórias — isto é, quando os ovários não liberam os óvulos de forma regular durante a ovulação. Desse modo, as chances de gravidez são diminuídas.
Essas disfunções são causadas por desequilíbrios nos hormônios sexuais femininos. Geralmente, a concentração de estrogênio fica muito elevada depois que o óvulo liberado não é fecundado (em situações normais, ela tende a cair). Assim, a progesterona também não aumenta, o que acontece quando o estrogênio diminui.
A teoria, então, é que essa desregulação hormonal estimula o endométrio a continuar engrossando em vez de descamar e ser eliminado normalmente na menstruação (fenômeno chamado de hiperplasia do endométrio). Aí, de tempos em tempos, ele descamaria de forma incompleta, causando a saída irregular e intensa de sangue.
É muito importante buscar o correto tratamento do SUA, uma vez que o próprio Manual MSD afirma que ele pode gerar células pré-cancerosas e aumentar o risco de câncer de endométrio, mesmo em mulheres jovens. Além disso, muitas vezes é sinal de perimenopausa (período que antecede a menopausa).
A mulher pode desconfiar do SUA se os ciclos menstruais durarem mais de 28 dias ou se ela ficar mais de oito dias menstruada. Agora, pode ser também que esses sintomas não estejam presentes, mas a mulher considere que o seu fluxo atrapalha a vida, e isso pode se enquadrar na condição. Outros possíveis sintomas são:
É por isso que o diagnóstico leva muito em conta as queixas da paciente. Caso você suspeite do quadro, converse com o seu ginecologista. O médico deverá avaliar sua história clínica, os sintomas e correlacionar esses dados a outros que impactam no diagnóstico, como idade e há quanto tempo esses incômodos acontecem.
Além disso, o profissional poderá pedir exames laboratoriais, ginecológicos e de imagem para descartar outras condições, como:
Se o resultado desses exames for negativo, geralmente é feito o diagnóstico de SUA.
Após a identificação do SUA, o ginecologista também pode solicitar mais dois exames:
Os cuidados variam de acordo com algumas características, como causa e intensidade do sangramento, idade da mulher, presença de outras complicações e no desejo de engravidar. O principal objetivo do tratamento é conter o sangramento anormal e, se necessário, prevenir o câncer de endométrio.
Para isso, ginecologista e paciente decidem, juntos, o melhor caminho em prol de mais qualidade de vida. Mas, o SUA não é normal e qualquer desconforto com o fluxo menstrual deve ser avaliado. Confira quando cada intervenção é indicada:
Geralmente são usados primeiro, sobretudo por mulheres que desejam engravidar, para evitar efeitos colaterais adversos e por quem já tem o fluxo menstrual muito intenso. Os fármacos mais comuns são os anti-inflamatórios e o ácido tranexâmico.
Já a terapia hormonal (por exemplo, as pílulas anticoncepcionais) é mais utilizada em mulheres que não desejam engravidar, estão entrando na menopausa ou acabaram de passar por ela. Os contraceptivos orais também diminuem incômodos nos seios e cólicas. O médico possivelmente começará com a administração de doses altas de hormônios. Assim que o sangramento é controlado, o especialista diminui as doses, mas mantém a prescrição do medicamento por no mínimo três meses.
Se mesmo com todas as estratégias anteriores, o endométrio permanecer espessado ou o sangramento persistir, costuma ser realizada uma histeroscopia (para examinar o útero), seguida de uma dilatação e uma curetagem (retirada do revestimento uterino por meio de uma raspagem).
Em casos mais raros e extremos, o médico pode recomendar a retirada do útero.
O SUA pode causar indisposição e dificuldade para realizar certas atividades — exercícios físicos, por exemplo.
Em casos mais graves, repercussões hemodinâmicas (relacionadas à circulação sanguínea) e alterações endometriais, como câncer, podem ocorrer. Se a mulher apresenta outras condições de saúde, o SUA, associado a elas, também pode causar mais riscos ao organismo, como infertilidade.
As causas do SUA são diversas. Pode ser que o quadro se agrave pela presença de pólipos ou miomas, ou então por alterações hormonais. Às vezes o uso de algum medicamento também pode contribuir. Somente o ginecologista, por meio de avaliação e exames, poderá identificar a causa.
Uma das principais consequências do sangramento uterino anormal é a anemia. É por isso que em muitos casos o ginecologista pede exames de sangue para avaliar se há alguma alteração. O problema ocorre quando o organismo não consegue repor o sangue perdido pelo sangramento uterino anormal e a quantidade de ferro acaba diminuindo. Isso leva a uma queda nos glóbulos vermelhos e a uma série de complicações.