Menorragia: entenda as causas e tratamentos do fluxo menstrual intenso

19 de abril, 2022

A menorragia, também conhecida como hipermenorreia, é definida como um sangramento menstrual aumentado durante vários ciclos consecutivos. A condição acomete as mulheres exclusivamente durante o período menstrual. 

A condição é considerada um problema de saúde feminino. Assim, o sangramento excessivo é a principal queixa de encaminhamentos ao ginecologista, além de ser responsável por 2/3 de todas as histerectomias (cirurgias para a retirada do útero) e pela maioria das cirurgias endoscópicas que destroem o endométrio, a parte interna do útero (histeroscopias).

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Quais são as causas da menorragia?

As causas de menorragia são diversas. Veja as principais:

  • Uterinas: causada por patologias como miomas, adenomiose, pólipos endometriais e câncer de endométrio causam o sangramento, assim como o sangramento uterino disfuncional, onde não há uma patologia pélvica, mas uma alteração hormonal local.
  • Causas sistêmicas: disfunções endócrinas, como o hipotireoidismo, e disfunções hematológicas, como a doença de von Willebrand ou púrpura trombocitopênica idiopática, por exemplo.
  • Causas iatrogênicas: são consequências de algum tratamento, como o uso de medicamentos (anticoagulantes e corticoides, por exemplo) ou outros, como o DIU.
  • Desequilíbrios hormonais, especialmente dos hormônios progesterona e estrogênio.
  • Sangramento pós-aborto.

Sintomas 

Nem sempre é fácil perceber que o sangramento está aumentado, principalmente se a condição é considerada “normal” desde a menarca (primeira menstruação). 

No entanto, alguns valores balizam a condição. Dessa forma, o principal sintoma de menorragia é um sangramento de fluxo menstrual muito intenso, tanto em quantidade, quanto em dias. Assim, o período a mais de menstruação pode ser acima de 8 dias. Além disso, o aumento do fluxo fica acima de 80 ml. Pode, ainda, causar anemia ferropriva, fraqueza e deficiência de ferro.

O incômodo atrapalha a qualidade de vida da mulher durante a menstruação. Assim, ela pode precisar trocar de absorvente de hora em hora ou ter dificuldade para sair de casa, já que o absorvente pode vazar.

Além disso, outros sintomas podem vir juntos, dependendo da causa da menorragia. Por exemplo, se for hipotireoidismo, podem surgir sintomas da própria doença base, como pele e cabelos secos, queda de cabelo, ganho de peso, rouquidão e até mesmo depressão, entre outros. Por isso, a investigação clínica é fundamental para um diagnóstico preciso e tratamento eficaz. 

Diagnóstico da menorragia

Para diagnosticar, inicialmente, é feita uma anamnese, ou seja, uma conversa com a paciente para entender a situação. Além disso, o médico ginecologista também realiza exames físicos, acompanhados de exames de imagem. 

Os exames que podem fazer parte da investigação são: hemograma, dosagem da ferritina, exames de coagulação, dosagens hormonais, teste de gravidez, papanicolau, ultrassonografia pélvica/transvaginal. Podem ser necessários, ainda, exames mais direcionados, como a histeroscopia com biópsia endometrial. É fundamental que os exames sejam individualizados para cada paciente a partir de suas queixas e história clínica.

Tratamento

A princípio, o tratamento depende da causa. Por isso, todo sangramento intenso deve ser investigado. Tratar a anemia é uma medida importante. Por isso, pode ser necessária a reposição de ferro.

O uso de medicamentos hormonais, como anticoncepcionais combinados ou isolados, DIU e medicamentos, como o ácido tranexâmico e drogas antiinflamatórias, podem ser usados para a prevenção da perda sanguínea.

A cirurgia é uma possibilidade de tratamento quando as causas são mioma, pólipo endometrial, câncer de endométrio, e também para a diminuição do sangramento, como na curetagem e ablação do endométrio, por exemplo.

Prevenção

Não é possível prevenir a causa, como um pólipo ou um mioma. No entanto, uma das recomendações dos especialistas é manter uma dieta anti-inflamatória, além de atividade física regular, pois auxilia a diminuir possíveis inflamações no útero que podem piorar o sangramento. Ou seja: atividade física e o controle de peso são fundamentais quando o assunto é menorragia.

Fontes: Dras. Jéssica Trafani e Monique Mueller Reis Novacek, ginecologistas da Clínica Mantelli; e Dras. Swanie Passos e Larissa Cassiano, colaboradoras da Gestar, plataforma materno-infantil.

Sobre o autor

Fernanda Lima
Fernanda Lima
Jornalista e Subeditora da Vitat. Especialista em saúde