Alimentação e câncer de mama: entenda a relação

Alimentação Bem-estar Saúde
19 de Outubro, 2022
Alimentação e câncer de mama: entenda a relação

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), para o ano de 2022, foram estimados mais de 66 mil novos casos de câncer de mama no Brasil, com 16,5% das pacientes indo a óbito por conta disso. Manter uma alimentação saudável e balanceada é um dos fatores que contribuem para a longevidade e que podem evitar diversas condições, tendo relação com o câncer de mama. Além disso, ser fisicamente ativa, manter o peso corporal adequado e evitar o consumo de bebidas alcoólicas também são hábitos que diminuem o risco da doença.

Um estudo conduzido pelo Grupo Latino-Americano de Oncologia Cooperativa envolvendo 2.950 mulheres descobriu que 36,9% delas apresentam o estágio 3 do câncer de mama, considerado localmente avançado, antes dos 40 anos. Outro dado da pesquisa que chamou a atenção dos cientistas é que, do total de mulheres, 34% descobriram a doença ao fazer exames de rotina, ou seja, sem ter tido sinais ou sintomas prévios. Mas como a alimentação pode contribuir para a prevenção e o tratamento do câncer de mama?

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Alimentação e câncer de mama: entendendo a relação

“Muitos estudos apontam que uma alimentação saudável é um fator que colabora para manter o organismo com suas funções saudáveis, evitando o aparecimento de doenças, entre elas o câncer. Com um organismo bem nutrido, nosso sistema imunológico é capaz de detectar as células defeituosas e eliminá-las antes que se multipliquem e formem um tumor”, afirma a coordenadora do curso de Nutrição da Faculdade Anhanguera, Patrícia de Moraes Pontilho.

De acordo com um outro artigo do Inca, cerca de 13% dos casos de câncer de mama em 2020 no Brasil (aproximadamente 8 mil ocorrências) poderiam ter sido evitados com a redução dos fatores de risco relacionados ao estilo de vida — incluindo a alimentação. Sendo assim, o nutricionista Eric Naegeli selecionou alguns hábitos alimentares que ajudam na prevenção da doença:

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Coma frutas e legumes

“Consuma, diariamente (de quatro a seis porções), verduras e legumes. A ingestão de alimentos in natura garante um melhor aproveitamento de fibras, vitaminas, minerais e enzimas digestivas. O sulforano presente nos brócolis, por exemplo elimina substâncias que podem originar células cancerígenas no corpo”, afirma o especialista.

Já as uvas, por outro lado, possuem flavonoides, que podem retardar o crescimento de células malignas no organismo. “Boa parte dos nutrientes das frutas se concentra na casca. Portanto, o ideal é não descascar. A dica, então, é higienizar bem os alimentos antes de consumir”, recomenda.

Além disso, um estudo publicado na revista Cancer Prevention Research, da Associação Americana para Pesquisa sobre Câncer, mostrou que romãs podem ajudar na prevenção do câncer de mama. Os cientistas analisaram a interação dos compostos do fruto com a enzima aromatase, responsável pela produção de estrogênio e fundamental para o surgimento de células cancerígenas, e concluíram que a romã inibe sua ação.

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Troque os carboidratos simples por complexos

Dê preferência aos carboidratos complexos, que costumam fornecer mais vitaminas, minerais e fibras. Aposte em grão-de-bico, batata-doce, feijão preto, quinoa, arroz integral, lentilha, aveia, centeio, amendoim e cenoura. “Esta última, de acordo com uma pesquisa da Harvard School of Public Health, reduz o risco de desenvolver o câncer de mama em até 17%. Isso porque tem betacaroteno, que protege o nosso DNA contra a oxidação, evitando a formação de radicais livres.”

Aposte nos temperos naturais

Diminua a quantidade de sal e adote temperos saudáveis: ervas (louro, tomilho, manjericão e alecrim) e legumes aromáticos (cebola, alho-poró e páprica). Pesquisadores do Comprehensive Cancer Center, da Universidade de Michigan, afirmam que especiarias como pimenta-preta, curry, noz moscada, mostarda e canela podem diminuir o aparecimento de células cancerígenas.

Alimentação e câncer de mama: Invista nas gorduras boas

Aumente o consumo de ômega-3, presente em peixes como sardinha e salmão e em sementes de chia e linhaça. Ademais, inclua as castanhas na alimentação, uma vez que elas são boas fontes de selênio. “Segundo um artigo publicado na Indian Journal of Clinical Practice, o selênio pode ajudar na eficácia do tratamento do câncer de mama”.

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Alimentos que ajudam a reduzir o risco de câncer de mama

Mas não para por aí, há outras evidências que apontam que uma dieta adequada pode reduzir os processos biológicos que sustentam o desenvolvimento e a progressão do câncer. Um bom exemplo são os alimentos anti-inflamatórios, que estimulam o sistema imunológico. Patrícia de Moraes Pontilho cita alguns exemplos:

  • Frutas vermelhas: são ricas em flavonoides, antioxidantes naturais que desaceleram o processo de envelhecimento, além de contribuirem para a manutenção das células saudáveis;
  • Frutas cítricas, como laranja, acerola e abacaxi: são alimentos ricos em vitamina C, um importante antioxidante que auxilia na defesa do organismo;
  • Tomate, molho de tomate natural, goiaba e melancia: alimentos ricos em licopeno, uma substância antioxidante que repara danos causados às células pelos radicais livres;
  • Cenoura e abóbora: carregam betacaroteno, pigmento natural que dá a cor alaranjada nos alimentos. Além disso, possuem vitamina A, responsável por estimular o sistema imunológico e manter bons níveis de anticorpos no organismo;
  • Espinafre e couve: concentram substâncias como luteína (que combate a degeneração muscular) e zeaxantina (que previne doenças oculares e perda visual);
  • Peixes de água salgada: espécies como salmão e sardinha possuem ômega-3, um tipo de gordura saudável que regula o colesterol e é anti-inflamatório.
  • Pimenta: as pimentas vermelhas destacam-se por serem fontes de capsaicina, uma substância anti-inflamatória e analgésica que atua na defesa do sistema imunológico.

Fonte: Eric Naegeli, nutricionista, especialista em Tecnologia de Alimentos e Suplementação e coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento da Mix Nutri; e Patrícia de Moraes Pontilho, coordenadora do curso de Nutrição da Faculdade Anhanguera.

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