Veja qual deve ser o intervalo entre a vacina da Covid-19 e a mamografia

30 de setembro, 2021

Recentemente, foi descoberta a ocorrência de gânglios aumentados nas axilas de mulheres que tomaram a vacina da Covid-19 e realizaram exames de mamografia ou ultrassonografia de mama em seguida. Assim, esse fato foi comprovado por estudos recentes, que afirmam que entre 15% e 16% das pacientes de 18 a 64 anos apresentaram aumento do volume dos linfonodos cerca de 2 a 4 dias após a vacina.

“Toda vez que tomamos alguma vacina que evoca uma resposta imune forte, pode ocorrer reação inflamatória dos linfonodos na axila, no mesmo lado do braço que recebeu a vacina”, explica a radiologista Carla Benetti, da BP Medicina Diagnóstica.

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“Por isso, a anamnese, isto é, aquela conversa prévia que o médico tem com a paciente antes dos exames, deve incluir perguntas sobre o status da vacinação, a data que ela foi realizada, qual o braço recebeu a dose e qual o tipo de vacina recebida. Desse modo, ele garante que não há nenhum fator influenciando o diagnóstico”, explica a médica.

De acordo com João Prats, infectologista do Hospital BP, os linfonodos são estações do corpo onde há uma grande quantidade de células de defesa. “Durante uma resposta imunológica, o mecanismo natural de defesa do corpo leva uma amostra da infecção/vírus para o linfonodo, como se fosse uma base. Lá, essas células de defesa se multiplicam para combater a ameaça e montar uma resposta imune”, conta o médico. “No caso das vacinas, é natural o aumento dos linfonodos, já que o sistema imunológico foi estimulado para que as células combatam a infecção. Os linfonodos mais palpáveis no corpo humano costumam aparecer na axila e na virilha e, em algumas vezes, no pescoço”, explica João Prats.

Vacina da Covid-19 e a mamografia: recomendações

De acordo com recomendações do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), os exames de mamografia devem ser realizados antes da primeira dose ou após 4 semanas da segunda dose da vacina para Covid-19.

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Já no caso de detecção de um aumento no glânglio da axila em mulheres que receberam a vacina nas 4 semanas anteriores, sem lesão mamária suspeita concomitante, a recomendação é realizar uma nova ultrassonografia de mama de 4 a 12 semanas após a segunda dose da vacina. “No caso de persistência do achado, o médico deve, então, considerar a biópsia do linfonodo. Desse modo, ele pode excluir qualquer outra etiologia que não seja reacional, como uma possível doença maligna oculta da mama”, conclui a radiologista.

Fonte: Carla Benetti, radiologista da BP Medicina Diagnóstica, marca da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo para serviços diagnósticos e terapias; João Prats, infectologista do Hospital BP.

Sobre o autor

Julia Moraes
Julia Moraes
Jornalista e repórter da Vitat. Especialista em fitness, saúde mental e emocional.