O envelhecimento é um processo natural acompanhado por diversas mudanças no organismo — que podem influenciar diretamente as necessidades nutricionais. Para garantir uma boa qualidade de vida nesta fase, uma alimentação equilibrada é fundamental. Mas afinal, quais nutrientes são mais importantes nessa etapa da vida e quando a suplementação é necessária?
Conversamos com a nutricionista clínica Margaretth Arruda, coordenadora da Equipe Transdisciplinar do Instituto de Medicina Sallet, para entender os fatores que influenciam as necessidades vitamínicas na terceira idade, as vitaminas essencias para idosos e quando suplementar.
Com o passar dos anos, o corpo humano passa por uma série de transformações que afetam diversos aspectos do organismo, desde a digestão e a absorção de nutrientes até o apetite.
A nutricionista Margaretth Arruda destaca a importância de entender essas mudanças fisiológicas naturais para criar um plano alimentar adequado para os idosos. Entre as alterações comuns, estão a redução do metabolismo e da necessidade calórica, acompanhadas por uma maior demanda de alguns nutrientes essenciais, como vitaminas e minerais.
As mudanças também podem ser agravadas por fatores socioeconômicos, como a perda de autonomia financeira ou o isolamento social, o que pode levar à má nutrição e deficiências de vitaminas. Além disso, o uso prolongado de medicamentos, que pode ser necessário para idosos, pode interferir na absorção de nutrientes e afetar o processo digestivo, comprometendo a captação de vitaminas essenciais.
Por fim, o envelhecimento provoca alterações nos tecidos e nas estruturas corporais. A pele perde elasticidade, os ossos se tornam mais frágeis e os músculos perdem força e massa. Isso significa que o organismo exige maior cuidado para se manter saudável e funcional ao longo dos anos.
Por isso, o consumo ideal de nutrientes específicos ajuda a preservar a saúde, compensar as perdas naturais do envelhecimento e proporcionar uma melhor qualidade de vida na terceira idade.
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Uma rotina balanceada deve conter alimentos que sejam fontes de carboidratos, proteínas, gorduras boas e, principalmente, vitaminas e minerais. As principais vitaminas que os idosos devem incluir na dieta e considerar a suplementação são:
As vitaminas do complexo B desempenham um papel fundamental no metabolismo energético, na saúde do sistema nervoso central e na produção de células sanguíneas. Entre elas, a vitamina B12 merece destaque, já que muitos idosos enfrentam dificuldades em absorvê-la, o que pode causar deficiências.
Elas podem ser encontradas nos seguintes alimentos:
| Vitaminas | Alimentos ricos em complexo B |
| B1 (tiamina) | Suco de laranja, ervilhas, nozes, amendoim, frutos-do-mar, uvas, pão branco, batata com casca, ostras, arroz branco, melancia, manga, carne de boi, sementes de abóbora, iogurte e abacate. |
| B2 (riboflavina) | Levedura de cerveja, fígado de boi, galinha e peru, farelo de aveia, amêndoas, queijo cottage, ovos, queijos, frutos-do-mar, folhas de beterraba e sementes de abóbora |
| B3 (niacina) | Levedura de cerveja, carne de frango, farelo de aveia, peixes como cavala, truta e salmão, carne de boi, sementes de abóbora, frutos-do-mar, castanha-de-caju, pistache, cogumelos, nozes, ovo, queijos, lentilha, abacate e tofu. |
| B5 (ácido pantotênico) | Sementes de girassol, cogumelos, queijo, salmão, amendoim, castanha-de-caju pistache, ovos, avelã, carne de frango e peru, abacate, ostras, frutos-do-mar, iogurte, lentilha, brócolis, abóbora, morangos e leite. |
| B6 (piridoxina) | Banana, salmão, franga, batata com casca, avelã, camarão, suco de tomate, noz, abacate, manga, sementes de girassol, melancia, molho de tomate, meão, amendoim e lentilha. |
| B7 (biotina) | Amendoim, avela, farelo de trigo, amêndoa, farelo de aveia, nozes, ovo, cogumelos, castanha-de-caju, acelga, queijo, cenoura, salmão, batata-doce, tomate, abacate, cebola, banana, mamão e alface |
| B9 (ácido fólico) | Couve-de-bruxelas, ervilha, abacate, espinafre, tofu, mamão, brócolis, suco de tomate, amêndoas, arroz branco, feijão, banana, manga, kiwi, laranja, couve-flor e melão. |
| B12 (cobalamina) | Fígado de boi, frutos-do-mar, ostras, fígado de frango, peixes como arenque, truta, salmão e atum, carne de boi, camarão, iogurte, leite, queijo, ovo, carne de frango. |
Importante para a saúde dos olhos e da pele, a vitamina A também possui propriedades antioxidantes que ajudam a proteger as células contra o envelhecimento precoce. A vitamina está presente em alimentos como:
A vitamina C desempenha um papel fundamental na manutenção da saúde, especialmente na terceira idade. Com propriedades antioxidantes, ela ajuda a proteger as células dos danos causados pelos radicais livres, fortalecendo o sistema imunológico e diminuindo o risco de diversas doenças — incluindo as cardiovasculares.
Além disso, a vitamina C é essencial para a produção de colágeno, uma proteína que garante a elasticidade da pele e a saúde das articulações. Ela pode ser encontrada nos seguintes alimentos:
Para garantir uma ingestão adequada de vitamina C, é recomendado consumir diariamente uma variedade de frutas e legumes coloridos. Em média, duas porções de frutas por dia já fornecem a quantidade recomendada para um adulto
Conhecida como vitamina do sol, a vitamina D é produzida naturalmente pela pele ao ser exposta à luz solar — e desempenha um papel importante na absorção de cálcio e fósforo, minerais essenciais para a saúde dos ossos e dentes.
Além de fortalecer o sistema esquelético, a vitamina D contribui para o bom funcionamento do sistema imunológico, prevenindo infecções e doenças autoimunes. Ela também está relacionada à saúde muscular, cardiovascular e cerebral.
A exposição solar é responsável por cerca de 80% da vitamina D que o organismo absorve, sendo recomendável 15 a 20 minutos, três vezes por semana, no horário das 8h da manhã.
Segundo Margaretth, os alimentos não concentram grandes quantidades da vitamina, mas ainda é possível encontrá-la em peixes gordurosos (salmão, sardinha), gema de ovo e leite e derivados.
O zinco é um mineral essencial para fortalecer o sistema imunológico, além de atuar na cicatrização de feridas e auxiliar na absorção de outros nutrientes. Sua deficiência pode levar a problemas como queda de cabelo, dificuldade de cicatrização e diminuição da capacidade cognitiva.
O zinco pode ser encontrado em alimentos de origem animal e vegetal, mas as melhores fontes são os de origem animal. Alguns alimentos no mineral incluem:
O cálcio é um mineral essencial para a formação e manutenção de ossos e dentes fortes. Ele também desempenha um papel importante na coagulação sanguínea, na contração muscular e na transmissão de impulsos nervosos. A deficiência de cálcio pode levar à osteoporose, uma doença que fragiliza os ossos e aumenta o risco de fraturas, especialmente em idosos.
Alguns alimentos ricos em cálcio incluem:
O ferro é fundamental para a produção de hemoglobina, uma proteína presente nas hemácias que transporta oxigênio para todas as células do corpo. A deficiência de ferro pode causar anemia, levando a sintomas como fadiga, fraqueza, tonturas e palidez — podendo agravar outras condições de saúde e diminuindo a qualidade de vida na terceira idade.
É possível encontrar o ferro nos seguintes alimentos:
Observação: a absorção de ferro pode ser influenciada por outros nutrientes. O consumo de alimentos ricos em vitamina C, como frutas cítricas e brócolis, junto com alimentos ricos em ferro, por exemplo, pode aumentar a absorção desse mineral.
Por ser um grupo etário mais suscetível a deficiências nutricionais, a suplementação alimentar personalizada pode ser uma aliada para melhorar a qualidade de vida dos idosos. Ela é importante especialmente quando a alimentação não é suficiente para suprir as necessidades vitamínicas.
Contudo, o uso de suplementos alimentares deve ser sempre orientado por um profissional de saúde, como um médico ou nutricionista, e nunca feito de forma aleatória. A recomendação adequada deve ser baseada em exames laboratoriais específicos, como exames de sangue, que identificam com precisão quais nutrientes estão em falta no organismo.
Há sinais visíveis que podem indicar a falta de vitaminas e minerais no corpo. Sintomas comuns incluem fraqueza, cansaço excessivo e anemia. Alterações nas mucosas, como uma língua lisa e sem as papilas gustativas normais, além de problemas digestivos, como diarreia, são outro possível indicativo de carência de nutrientes.
Cada sintoma pode estar associado a uma deficiência específica, e por isso é importante que cada caso seja avaliado individualmente por um profissional de saúde. Segundo Margaretth, é possível destacar:
O acompanhamento médico regular a partir dos 60 anos é fundamental para a prevenção e tratamento de diversas condições de saúde. Consultas periódicas com o geriatra e outros especialistas permitem um diagnóstico precoce de problemas como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares, além de garantir um envelhecimento saudável e com mais qualidade de vida.
Ministério da Saúde
Manual MSD | Versão Saúde para a Família
Margaretth Arruda, nutricionista clínica e coordenadora da Equipe Transdisciplinar do Instituto de Medicina Sallet
Meydani SN, Lewis ED, Wu D. Perspective: Should Vitamin E Recommendations for Older Adults Be Increased? Adv Nutr. 2018 Sep 1;9(5):533-543. doi: 10.1093/advances/nmy035. PMID: 30107519; PMCID: PMC6140432.
Travica N, Ried K, Sali A, Hudson I, Scholey A, Pipingas A. Plasma Vitamin C Concentrations and Cognitive Function: A Cross-Sectional Study. Front Aging Neurosci. 2019 Apr 2;11:72. doi: 10.3389/fnagi.2019.00072. PMID: 31001107; PMCID: PMC6454201.