Síndrome de Burnout: O que é e como evitá-la

29 de julho, 2019

O mundo profissional exige cada vez mais produtividade e eficiência. Isso está deixando as pessoas doentes — e não é uma doença qualquer. A Síndrome de Burnout entrou no radar da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2019, mas foi no início de 2022 que ela passou a ser considerada uma doença ocupacional (ou seja, relacionada ao trabalho).

Nesse contexto, burnout significa entrar em colapso físico e mental por causa da pressão excessiva no trabalho e do acúmulo de funções e responsabilidades que, ao longo do tempo, causam consequências para a saúde. Além disso, o termo não deve ser utilizado em outras áreas da vida. 

Burnout na pandemia

Uma pesquisa da Microsoft apontou um aumento de 44% de brasileiros com esgotamento profissional. “A Síndrome de Burnout, consequência do excesso ou sobrecarga de trabalho, se agravou na pandemia. Assim, a pessoa se sente literalmente exausta, esgotada física e psicologicamente, seja por causa do número de horas trabalhadas, seja pelo estresse provocado pelas condições de trabalho”, explica a psiquiatra Danielle H Admoni.

O home office, por exemplo, se tornou uma rotina para muitos profissionais. No entanto, nem todos conseguiram se adaptar às mudanças. “Pacientes relatam desânimo, dificuldade de raciocínio, ansiedade, irritabilidade, sensação de incapacidade, diminuição da motivação e da criatividade, entre outros sintomas”, conta o também psiquiatra Adiel Rios.

A privação do sono também é um forte gatilho para a Síndrome de Burnout. “Quando o profissional não dorme o suficiente para ser produtivo ou trabalha até tarde da noite, sua rotina do sono é prejudicada. O que desregula, desse modo, o relógio biológico. Isso resulta em uma extrema exaustão, pois o organismo, que já está habituado com um determinado padrão de sono, sofre um forte impacto, precisando de tempo e resistência para se adequar às mudanças”, reforça Adiel.

Atenção aos sintomas da Síndrome de Burnout

A Síndrome de Burnout — também conhecida como síndrome do esgotamento profissional — geralmente se inicia com episódios de estresse pontuais, mas que se tornam cada vez mais recorrentes até que a pessoa se sinta esgotada. 

Imagine a cena: você embarca em um desafio profissional e quer ser reconhecido pelo seu esforço. Então, começa a trabalhar duro, estica o horário um dia, depois outro… Quando vê, está assumindo mais tarefas do que dá conta e vai ficando mais sobrecarregado, sem energia e tampouco se sente motivado para outras atividades. Esse é um exemplo de situação na qual uma pessoa pode desenvolver a Síndrome de Burnout, que se resume a 10 estágios:

  • 1 – Dedicação intensificada aos assuntos do trabalho;
  • 2 – Descaso com as necessidades pessoais;
  • 3 – Aversão a conflitos;
  • 4 – Reinterpretação dos valores;
  • 5 – Negação de problemas;
  • 6 – Recolhimento e aversão a reuniões. Além disso, mudanças evidentes de relacionamento com os pares e objetos (dificuldade de aceitar certas brincadeiras com bom senso e bom humor);
  • 7 – Despersonalização (momentos de confusão mental em que a pessoa não sente seu corpo como habitualmente. Desse modo, pode se sentir flutuando ao ir ao trabalho, tem a percepção de que não controla o que diz ou o que fala, não se reconhece);
  • 8 – Depressão, vazio interior e sensação de que tudo é complicado, difícil e desgastante;
  • 9 – Colapso físico e mental;
  • 10 – Estado de emergência. Ajuda médica e psicológica se tornam urgentes.

O primeiro estágio até parece inocente. Ser um profissional dedicado e interessado no trabalho é muito bom, pois ajuda a ampliar as perspectivas de carreira. Mas existe uma linha tênue entre se empenhar e deixar tudo de lado para se entregar completamente às necessidades profissionais. 

E então, se identificou com alguns desses estágios e com a situação?

Será que sou vítima da Síndrome de Burnout?

Somente um psicólogo, psiquiatra ou outro profissional de áreas correlatas é capaz de realizar o diagnóstico correto. No entanto, os sintomas são fundamentais para ficar atento e procurar ajuda:

  • Cansaço crônico: qualquer atividade simples torna-se exaustiva;
  • Dificuldade de se concentrar;
  • Episódios constantes de irritabilidade e alterações de humor;
  • Fugas frequentes do trabalho e de outros compromissos;
  • Desânimo e perda de interesse por qualquer assunto que não seja relacionado ao trabalho;
  • Crises de estresse frequentes;
  • Tremores;
  • Falta ou excesso de apetite;
  • Insônia;
  • Ansiedade;
  • Depressão.

Ademais, outra forma de perceber se algo não vai bem é analisar o quanto você se desgasta no trabalho e os sentimentos que são despertados em um momento de estresse ou pressão. Por isso, avalie se são emoções passageiras ou se elas permanecem mesmo depois de “largar a caneta”. 

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Dessa forma, caso perceba que a pressão está acima do normal e que você não está conseguindo mais lidar bem com ela, vale procurar ajuda profissional e conversar com seus gestores.

Consequências que o transtorno pode trazer

Uma consequência frequente do problema é o uso de drogas (álcool, tabaco, além das drogas ilícitas) como forma de alívio. “É importante prestar atenção na situação, uma vez que ela agravará ainda mais a condição física e mental do indivíduo. O mesmo pode ser dito da automedicação”, frisa a psiquiatra Danielle H. Admoni.

Nos casos em que a Síndrome de Burnout já está instalada, recomenda-se buscar auxílio médico especializado para avaliação do quadro e orientação quanto ao tratamento. “Especialmente no caso de pessoas cujas características de personalidade as tornam mais propensas ao Burnout, a psicoterapia é um complemento importante, pois o problema está, muitas vezes, dentro da pessoa”, avalia a psicóloga Monica Machado.

Como evitar a Síndrome de Burnout

Antes mesmo de notar que a relação com o trabalho está extrapolando os limites e atrapalhando a saúde, é importante seguir um estilo de vida saudável e equilibrado. 

Exercite-se com frequência para estimular o corpo a produzir endorfina e outros hormônios responsáveis pelo bem-estar e pelo relaxamento. Portanto, atividades como ioga e meditação são excelentes para ganhar mais autoconhecimento, foco no momento presente, desestressar e se preocupar menos com o futuro.

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Por fim, desfrutar de uma rotina de autocuidado e lazer, além de aprender a estabelecer limites no trabalho, são as melhores ferramentas para manter sua saúde física e mental preservadas.

O tratamento

O diagnóstico da síndrome é feito por meio da avaliação de um psicólogo ou um psiquiatra, e suas formas de tratar podem ser diversas. Em casos mais graves pode haver uso de medicamentos, mas o método mais aplicado é a terapia. 

Dessa forma, o psicólogo ajuda o indivíduo a perceber suas perdas com essa relação abusiva profissional. Aos poucos, também auxilia a modificar sua forma de se relacionar com o trabalho, transformando o comportamento e a visão de carreira. 

Por fim, não podemos nos esquecer da responsabilidade que a empresa tem que ter com o seu funcionário. A área de Recursos Humanos deve estar sempre atenta ao bem-estar de seus colaboradores, além de bem preparada para agir em casos de Síndrome de Burnout.

Fontes: Yuri Busin, psicólogo e doutor em neurociência do comportamento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Diretor do Centro de Atenção à Saúde Mental – Equilíbrio (CASME); Danielle H. Admoni, psiquiatra na Escola Paulista de Medicina UNIFESP e especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria); Adiel Rios, Mestre em Psiquiatria pela UNIFESP, pesquisador no Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP e Membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP); e Monica Machado, psicóloga pela USP, fundadora da Clínica Ame.C, pós-graduada em Psicanálise e Saúde Mental pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein.

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