5 lições que aprendemos com a pandemia de Covid-19

10 de janeiro, 2022

Desde 2020, vimos nossa vida mudar completamente por causa do coronavírus. Mas quais foram as lições que aprendemos com a pandemia que aprendemos com a pandemia? Isso porque, em março daquele ano, quando a Organização Mundial da Saúde anunciou o início da pandemia, o que não faltaram foram pesquisas e avanços tecnológicos realizados em tempo recorde. Se no início a máscara não era considerada indispensável, por exemplo, hoje é considerada uma das principais medidas de prevenção contra o vírus. 

Além da máscara, a pandemia também nos ensinou outros aspectos importantes para sobreviver a esse momento tão inusitado em que estamos vivendo. Confira, então, as lições que aprendemos desde então.

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Lições que aprendemos com a pandemia: vacinas funcionam

Assim que a covid-19 foi considerada uma pandemia, começou uma corrida entre pesquisadores para fazer uma vacina que pudesse proteger a população. Algumas empresas farmacêuticas decidiram apostar em um tipo relativamente novo de tecnologia, que ainda não havia sido aplicada em uma vacina aprovada para uso humano: o mRNA.

A aposta deu certo. Usando mRNA, a Pfizer/BioNTech (e depois a Moderna) conseguiu desenvolver uma vacina mais rápido do que qualquer outra empresa. Além disso, abriu a porta para uma série de novos tratamentos usando tecnologia semelhante, como novas vacinas para doenças como HIV, gripe e zika.

A pesquisa sobre tratamentos de mRNA vem acontecendo há décadas. Porém, as vacinas contra a covid-19 comprovaram, pela primeira vez, que a tecnologia funciona na prática. Esse sucesso pode impulsionar pesquisas com potencial de mudar a vida de milhões de pessoas.

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O vírus se espalha pelo ar com mais facilidade

Cerca de quatro meses após o início da pandemia, a Organização Mundial da Saúde ainda não aconselhava as pessoas a usarem máscaras. Mas as evidências científicas que surgiram desde então mudaram essa visão. Atualmente, a OMS afirma que as pessoas devem “tornar o uso de máscara uma parte normal de estar perto de outras pessoas”.

Além disso, pesquisadores descobriram que o vírus da covid-19 é transmitido não apenas por grandes gotas de saliva ou muco que ficam no ar por um curto período depois que alguém tosse ou espirra. Ele também pode se espalhar por meio de aerossóis. ou seja, partículas muito menores que podem permanecer no ar por muito mais tempo.

Dessa forma, descobrimos que a transmissão se dá principalmente por via aérea, e que a chance de contrair o vírus após tocar em superfícies é mínima. Aprendemos também que o vírus transportado pelo ar em espaços internos mal ventilados é a causa provável da maioria das transmissões e a razão pela qual bares e ambientes fechados são tão arriscados. Lavar as mãos e limpar as superfícies ainda são bons hábitos, mas agora há muito mais ênfase no uso da máscara e na ventilação.

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Home office é o novo normal

Com o avanço da pandemia, milhões de pessoas em todo o mundo começaram a trabalhar em casa. A pandemia mostrou que esse tipo de trabalho não reduz a produtividade e fez muitas empresas abandonarem a resistência que tinham em adotá-lo.

Uma pesquisa realizada com 1.200 empresas pela Enterprise Technology Research mostrou que a porcentagem de trabalhadores em todo o mundo que estão trabalhando permanentemente em casa deve dobrar em 2021.

Além disso, ao realizar uma pesquisa global com mais de 200 mil pessoas em 190 países, a Boston Consulting descobriu que 89% das pessoas esperavam poder trabalhar em casa pelo menos algumas vezes na semana após o fim da pandemia. É um aumento considerável em relação ao índice antes da pandemia: apenas 31% das pessoas tinham esse desejo.

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Vulnerabilidade social escancarada

A pandemia de covid-19 nos lembrou que uma crise pode piorar a enorme desigualdade social que já existe no mundo. No Brasil, aqueda foi ainda mais acentuada. Um estudo que comparou 40 países, por exemplo, mostrou que os brasileiros veem uma piora mais acentuada nas políticas de saúde, ambientais e de educação durante a pandemia.

Dessa forma, a pesquisa “Percepções da população de políticas públicas portadoras de futuro na pandemia”, da FGV Social, mostrou que no quesito saúde, por exemplo, há piora de 5%, enquanto o restante do mundo ficou estável, com melhora de 1%. O mesmo acontece na questão ambiental, com 6 pontos percentuais de queda entre os brasileiros, enquanto no mundo há aumento de 1%.

Além disso, foi registrada queda tanto no Brasil, quanto no restante do mundo, em relação à educação. De 15% e de 3,75%, respectivamente. Por esse motivo, especialistas defendem que as crianças voltem às aulas, mesmo sem terem tomado a vacina.

Lições que aprendemos com a pandemia: não sabemos quando ela acabará

O avanço de novas variantes do coronavírus, como a Ômicron, mostra cada vez mais que podemos estar longe do fim da pandemia. A diminuição da resposta do sistema imunológico com o tempo, inclusive, é o motivo pelo qual muitos países (incluindo o Brasil) estão implementando programas de reforço das vacinas.

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Embora as vacinas sejam eficazes na proteção contra consequências mais graves da covid, mesmo as melhores não parecem impedir as pessoas de transmitir o vírus a outras pessoas. Dessa forma, as variantes mostram que teremos que “conviver” com o vírus conforme ele evolui, atualizando vacinas regularmente para adaptá-las. Nesse cenário, os países com alto índice de vacinação voltarão a ter uma vida mais ou menos dentro da normalidade, sabendo que embora algumas pessoas devam ficar doentes, os sistemas de saúde não ficarão sobrecarregados.

Fonte: BBC Brasil

Sobre o autor

Fernanda Lima
Fernanda Lima
Jornalista e Subeditora da Vitat. Especialista em saúde