Como ficam os novos rótulos dos alimentos embalados no Brasil?

Alimentação Bem-estar
18 de Outubro, 2022
Como ficam os novos rótulos dos alimentos embalados no Brasil?

Desde 9 outubro, novos modelos de rótulos passaram a valer para alimentos embalados no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já havia aprovado a norma em 2020. Assim, a mudança mais significativa é a obrigatoriedade de um alerta, na parte da frente da embalagem, sobre presença em excesso de três ingredientes prejudiciais à saúde: açúcares adicionados, gorduras saturadas e sódio.

Todas as alterações propostas têm como objetivo principal tornar tudo mais claro para o consumidor. Mesmo assim, muita gente ainda pode ter dúvidas a respeito de como interpretar as informações nutricionais contidas nas embalagens — afinal, alguns ingredientes são difíceis de entender.

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Por isso, reunimos as principais informações sobre o que você poderá encontrar:

Como funcionam os novos rótulos frontais?

Segundo a proposta aprovada, alimentos com alto teor de sódio, gordura saturada e/ou açúcar adicionado receberão a ilustração de uma lupa preta na parte frontal e superior de suas embalagens, ressaltando essa informação (o produto pode ser alto em apenas um, em dois ou nos três compostos em questão). O desenho precisa estar em uma superfície contínua para que fique destacado e fácil de ler.

Os três nutrientes, de acordo com a Anvisa, têm relação com problemas de saúde pública, como doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes. A lupa, então, mostrará:

  • Alto em açúcar adicionado: caso o ingrediente seja igual a ou ultrapasse 15g* para alimentos sólidos e semissólidos, e 7,5g* para líquidos;
  • Alto em gordura saturada: caso o ingrediente seja igual a ou ultrapasse 6g* para alimentos sólidos e semissólidos, e 3g* para líquidos;
  • Alto em sódio: caso o ingrediente seja igual a ou ultrapasse 600mg* para alimentos sólidos e semissólidos; e 300mg* para líquidos.

*a cada 100g ou 100ml.

novos rótulos

Os alimentos que tiverem a “lupinha” não poderão alegar nada referente aos seus nutrientes e “vantagens” na parte superior e frontal do pacote. Por exemplo: produtos com alto conteúdo de açúcar adicionado não poderão dizer nada sobre açúcares, como “diet”, “alimento reduzido em açúcar”, entre outras frases.

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E os novos rótulos atrás da embalagem?

Na parte detrás da embalagem, ainda constará a lista de ingredientes em ordem decrescente, ou seja, o ingrediente em maior quantidade aparecerá primeiro (e assim por diante) até chegar ao último ingrediente, presente em menor quantidade no alimento.

Já a tabela nutricional (aquele quadro com porcentagens geralmente difíceis de entender) também passará por mudanças. Ela terá apenas letras pretas e fundo branco, deverá localizar-se próxima à lista de ingredientes e não poderá ficar em áreas de difícil visualização. O objetivo é afastar a possibilidade de uso de contrastes que atrapalhem a legibilidade das informações. Confira as principais mudanças na tabela de nutrientes:

novos rótulos

Nutrientes

Do lado esquerdo da tabela, ficará a lista com o valor energético (em calorias) e os nutrientes mais relevantes para a nossa saúde (assim como suas quantidades a cada 100g e a cada porção).

De acordo com a Anvisa, os nutrientes mais relevantes para a saúde humana e que devem constar nas embalagens são:

Porções

Já as porções aparecerão de duas formas, seja em gramas ou mililitros:

  • Quantidade de porções que uma embalagem carrega (é comum que uma embalagem tenha mais de uma porção);
  • Porção de referência do produto (isto é, o volume médio que uma pessoa saudável e acima de três anos deveria consumir). Também é apresentada a medida caseira equivalente a essa porção (por exemplo, colher de sopa, xícara, fatia, etc).

Percentual (%VD)

Por fim, a terceira coluna da tabela será reservada para a sigla %VD, que significa “percentual do valor diário”. Esse índice aponta, em %, o que cada nutriente representa na dieta diária de um adulto saudável (que consome, em média, 2 mil calorias).

Esse percentual baseia-se em dados científicos sobres as necessidades nutricionais, mas é claro que pode variar de pessoa para pessoa e de acordo com carcaterísticas como sexo, idade e possíveis doenças existentes.

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Prazo de adequação

As empresas, no geral, terão 12 meses para atualizar as embalagens de seus produtos. No caso de agricultores familiares, empreendedores rurais, microempreendedores individuais e mais algumas exceções, esse prazo se estende para até 24 meses. Por fim, fabricantes de bebidas não alcoólicas em embalagens retornáveis poderão aplicar as alterações em até 36 meses.

Por que todas essas mudanças nos novos rótulos?

Alessandra Bastos, diretora da Anvisa, declarou que o objetivo das mudanças é “levar clareza” aos rótulos dos alimentos no Brasil. O modelo de alerta Front-of-Package (FoP) — ou à frente do pacote, em tradução livre — já é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) pois dá destaque às principais informações nutricionais de um produto, trazendo-as para a parte frontal da embalagem.

A visibilidade dada a essas informações ajuda o consumidor a identificar ingredientes potencialmente nocivos à saúde se consumidos em excesso. A tese, aliás, foi comprovada por um estudo da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP e do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) feito em 2019.

Na pesquisa, cerca de 1,3 mil pessoas de 101 cidades brasileiras tiveram contato com dois tipos de rótulos na frente das embalagens (a lupa e um triângulo de advertência). Então, eles foram questionados sobre os efeitos dessas comunicações.

Como resultado, os pesquisadores perceberam que a estratégia FoP pode ser muito interessante: mais da metade dos entrevistados demonstrou preocupação em oferecer alimentos com a lupinha ou o triângulo para crianças de suas famílias — 54% e 57%, respectivamente.

Em 2016, o Chile foi o primeiro país a adotar um modelo de rotulagem frontal. O país utiliza o símbolo de um octógono em preto e branco, que também remete à ideia de advertência. E um estudo publicado pela revista The Lancet já mostrou uma redução significativa no consumo de produtos com o alerta chileno. Além disso, outros países da América Latina, como o Uruguai, o Peru e o México, também utilizam o modelo do octógono.

Referências:

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Sobre o autor

Amanda Panteri
Jornalista e repórter da Vitat. Especialista em alimentação saudável.

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