Tudo o que pais precisam saber sobre varíola dos macacos em crianças

3 de agosto, 2022

No dia 28 de julho, a prefeitura de São Paulo confirmou três casos infantis de monkeypox – as incidências são as primeiras no país. Embora inevitavelmente a notícia traga dúvidas sobre a varíola dos macacos em crianças, a infectologista pediátrica Melissa Palmieri explica que é importante estar atento ao cenário, mas não há motivo para pânico.

“Até o momento, temos observados que, ainda que 74 países estejam reportando casos da doença, não estamos vendo evolução de gravidade nas crianças que foram notificadas com a infecção”, detalha a especialista.

De acordo com o também infectologista pediatra Eitan Berezin, membro do Departamento Científico de Infectologia da SBP, os riscos da doença entre crianças são baixos. Inclusive, ele ainda lembra que não se sabe como estes pequenos foram infectados pela varíola dos macacos.

Leia mais: Varíola dos macacos no Brasil: país tem 1.066 casos e um óbito

Fatores de risco para o público infantil

Ainda que seja uma doença recente em relação ao público infantil, Melissa explica que existem descrições de crianças que possuem maior risco de evoluirem para as formas mais graves da doença. São elas:

  • Crianças abaixo de oito anos;
  • Aquelas que têm algum problema no sistema de defesa;
  • Aquelas que têm quadros dermatológicos, como as que sofrem da doença chamada eczema.

Leia mais: Varíola dos macacos tem cura? Veja esta e outras dúvidas sobre a doença

Sintomas da varíola dos macacos em crianças

De acordo com a Dra. Melissa, a contaminação pelo vírus monkeypox ocasiona sintomas em crianças e adolescentes semelhantes aos vistos em adultos. Assim, o sinal mais comum da doença é a lesão na pele.

“Elas progredirem desde uma vermelhidão, com uma protuberância chamada maculopapular, até vesículas (que parecem bolhas), pústulas e finalmente viram as crostas. Em outras palavras, tornam-se as casquinhas da ferida”, detalha a infectologista pediátrica.

Além disso, o quadro dermatológico pode acontecer associado a presença de febre e aumento dos gânglios. Ademais, a criança também pode apresentar cansaço e dor de cabeça. “Inclusive, é muito importante que, quanto menor for a criança, os pais observem se ela tem dificuldade de engolir ou tosse caso tiver alguma lesão na boca e na garganta”, orienta Melissa.

Nos casos raros, há também a possibilidade das lesões acontecerem nos olhos. Como resultado, ocorre um inchaço palpebral e, mais tarde, surgem cascas nos locais.

Leia mais: Doença mão-pé-boca: o que é, sintomas, transmissão e tratamento

Dúvidas sobre a varíola dos macacos em crianças: como ela é transmitida?

De acordo com a infectologista pediátrica, transmite-se o vírus monkeypox do animal para o indivíduo. Além disso, há também a possibilidade da propagação de uma pessoa para outra por meio do contato próximo com as lesões de pele da doença, com os fluídos corporais, gotículas respiratórias e materiais contaminados.

“O vírus penetra no corpo por meio de lesões da pele, mesmo que não visíveis. Além do trato respiratórios, através das membranas mucosas, como nariz, olhos e boca. Também pode acontecer transmissão vertical, via transplacentária, levando à doença monkeypox congênito”, detalha Melissa.

Leia mais: Morte por varíola dos macacos no Brasil: Saúde confirma primeiro caso

Dúvidas sobre a varíola dos macacos em crianças: tratamentos para a doença

Até o momento, não existe um tratamento direto para a varíola dos macacos. Logo, tanto o paciente adulto quanto infantil, que testa positivo para a doença, recebe apenas intervenções diante dos sintomas que apresenta.

“É preciso que se tenha um cuidado também com as lesões de pele para evitar uma infecção bacteriana secundária”, lembra Melissa. Assim, deve-se higienizar as regiões machucadas com água e sabão e cobri-las o máximo possível, com camisetas e calças longas. Ainda assim, se houver alguma complicação, o médico pode vir a indicar um antibiótico para a infecção bacteriana secundária.

“Embora existam alguns antivirais descritos com resultados positivos, para reduzir a gravidade da doença, eles ainda não foram aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e não estão disponíveis no Brasil”, lembra a infectologista pediátrica.

Leia mais: Antiviral para varíola dos macacos: tecovirimat será para casos graves

Como proteger os pequenos da doença

De acordo com o Dr. Eitan, a única forma de proteger os pequenos do possível contato com a varíola dos macacos é fazendo com que eles fiquem longe de doentes ou casos suspeitos da doença.

Já em relação aos pais que podem vir a precisar cuidar de um indivíduo infectado, é necessário seguir uma série de cuidados para não se infectarem e, consequentemente, acabarem levando a doença para a criança.

Assim, os principais métodos de precaução são:

  • Evitar o contato próximo e íntimo com indivíduos que estejam com suspeita ou seja um caso confirmado de monkeypox;
  • Usar luvas descartáveis quando for jogar fora o lixo do doente;
  • Higienizar sempre as mãos com água e sabão, dando preferência por papéis toalha na hora de secá-las;
  • Limpar frequentemente as superfícies que são tocadas pelo paciente, com água sanitária, incluindo banheiros;
  • Lavar roupas de cama e banho separadamente, com sabão comum, e água entre 60° e 90° graus;
  • Não sacudir roupas úmidas da pessoa contaminada;
  • Evitar compartilhamento de talheres e lavá-los com água entre 60° e 90° graus e sabão comum.

O distanciamento social também é uma medida de prevenção contra a doença. No entanto, se for necessário um contato próximo e prologando com o indivíduo infectado, deve-se utilizar máscara, de preferência cirúrgica.

Leia mais: Máscara para varíola dos macacos: Anvisa faz novas recomendações

Dúvidas sobre a varíola dos macacos em crianças: caso ela esteja infectada, quando a doença para de ser transmitida?

Por fim, a Dra. Melissa esclarece que a pessoa infectada só para de transmitir o vírus quando todas as lesões, em forma de casca, caem. “Em outras palavras, quando ocorre a reepitelização da pele”, explica a especialista. Assim, com a superfície cutânea completamente cicatrizada, os riscos de transmissão da doença cessam e a criança está livre para seguir sua vida normalmente.

Fontes: Dra Melissa Palmieri – infectologista pediátrica, membro dos Departamentos de Infectologia e Imunizações da Sociedade de Pediatria de São Paulo e Dr. Eitan Berezin, membro do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria

Referência:

Ministério da Saúde