Alergia de pele: principais causas e como tratar

26 de julho, 2022

Uma coisa é fato: todo mundo já teve alergia de pele ou conhece alguém que teve. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 40% da população mundial convive com quadros alérgicos frequentes. Algumas delas, no entanto, acometem as pessoas com mais frequência, como a urticária. Fato é que a pele é o maior órgão do corpo, e devido ao seu papel de proteção, ela é muito acometida por alergias. Conheça agora as principais.

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Afinal, o que é uma alergia de pele?

As alergias de pele são reações inflamatórias que podem se manifestar em qualquer parte do corpo. Assim, os principais sinais dessas reações incluem vermelhidão, coceira, bolinhas brancas ou avermelhadas, descamação e no caso da urticária, dependendo da gravidade, até dificuldade de respiração com risco de vida. As alergias podem ter diferentes causas, desde um simples desodorante ou perfume até medicamentos, exposição solar, pelos de animais, picadas de inseto, bijuterias, suor, alimentos, roupas, fungos etc.

As principais alergias de pele

Urticária 

Primeiramente, se dá pelo aparecimento de placas vermelhas com relevo na pele. Em geral, elas provocam coceira intensa e podem aparecer por diversos motivos, como picadas de inseto, alimentos, o uso de medicamentos ou o contato com substâncias, como tintas, látex, pólen, saliva de animais, etc.

Geralmente, essas lesões desaparecem em 24 horas, dando lugar a outras semelhantes em lugares diferentes do corpo. A urticária é tratada com antialérgicos prescritos pelo médico. Além disso, recomenda-se evitar calor, bebidas alcoólicas e estresse, pois são fatores que pioram a alergia. Na alimentação, é recomendado evitar corantes, conservantes, embutidos (frios, salsicha), enlatados, peixe e frutos do mar, chocolate, ovo, refrigerantes e sucos artificiais.

De acordo com o tempo de duração, a urticária pode ser aguda, quando os sinais e sintomas desaparecem em menos de seis semanas; ou crônica, isto é, quando os sintomas duram por seis semanas ou mais. Medicamentos antialérgicos são úteis para aliviar os sintomas em casos de urticária aguda. A urticária crônica, por sua vez, não tem cura, mas as crises podem ser controladas com medicamentos que melhoram os sintomas e, consequentemente, a qualidade de vida dos pacientes.

Dermatite de contato

Ocorre, normalmente, quando há contato com alguma substância que sensibiliza a derme. Como resultado, a pele dá uma resposta imune que se manifesta clinicamente por lesões vermelhas que, frequentemente, descamam e coçam intensamente. Podem surgir, ainda, bolinhas d’água que, ao se romperem, liberam líquido e descamam.

Está localizada geralmente de acordo com seu agente causador. Quando ele é esmalte, por exemplo, normalmente atinge a face. Mais comum em adultos, esse tipo de dermatite só melhora quando o agente causador é afastado.

Dermatite atópica

Este tipo de alergia está associado à rinite e à asma, sendo mais comum em crianças. Diferentemente da urticária, as lesões não desaparecem rapidamente. É uma doença genética, crônica e que apresenta pele seca, erupções que coçam, sangram e formam crostas. As localizações mais comuns são as dobras internas dos braços e pernas e pescoço. Nos bebês, o rosto é bastante atingido. O quadro pode causar vermelhidão, pele seca e coceira nas dobras dos braços e pernas. 

A principal recomendação para pacientes que possuem dermatite atópica é o uso de hidratantes sem cheiro, várias vezes ao dia. Além disso, o banho não deve ser muito quente e demorado, tampouco deve-se usar bucha. Dessa forma, o hidratante deve sempre ser usado após o banho e também de 1 a 2 vezes ao dia. Também vale evitar o contato com alérgenos ambientais, como poeira, pólen, sabonetes com perfume, produtos de limpeza doméstica e tabaco.

Dermatite seborreica

A dermatite seborreica, popularmente chamada de caspa, é uma inflamação na pele que causa, sobretudo, descamação e vermelhidão em algumas áreas da face, como sobrancelhas e cantos do nariz, couro cabeludo, orelhas e tórax. Apresenta períodos de melhora e de piora dos sintomas. A causa não é totalmente conhecida, mas pode estar relacionada ao tipo de sebo produzido pela pele do indivíduo. Além disso, a inflamação pode ter origem genética ou ser desencadeada por agentes externos, como alergias, situações de fadiga ou estresse emocional, baixa temperatura, consumo de álcool, alguns tipos de medicamentos e excesso de oleosidade.

Angioedema 

Similar à urticária, a angioderma tem a capacidade de atingir camadas bem mais profundas da pele, além das mucosas, provocando inchaços nos lábios, mãos, pés e até nas vias respiratórias. As causas ocorrem, principalmente, após o consumo de certos alimentos, contato com animais, entre outros. Pode evoluir para choque anafilático e óbito.

Alergia de pele nervosa

A liberação do hormônio cortisol, produzido em momentos de estresse, também pode repercutir na pele, através do processo inflamatório que provoca a longo prazo. Além do estresse, ansiedade, depressão e baixa autoestima podem estar associados à manifestação ou agravamento de problemas de pele.

Dessa forma, causa coceira, vermelhidão e até mesmo lesões na pele sem motivos aparentes. As doenças de pele mais comuns associadas a fatores emocionais são dermatite atópica, psoríase, urticária e vitiligo.

Micoses

As micoses são infecções provocadas pelo crescimento excessivo de fungos e afetam a pele, couro cabeludo, unhas e áreas mais úmidas do corpo. Dessa forma, seu desenvolvimento está ligado a fatores como sistema imunológico enfraquecido, consumo excessivo de açúcar ou alergias.

O tratamento depende do tipo de micose, mas pode ser realizado com cremes, loções e talcos ou medicações via oral, dependendo da intensidade do quadro. As micoses das unhas são as de mais difícil tratamento e longa duração.

Escabiose

Conhecida como sarna, a escabiose é transmitida entre humanos, por contato direto com pessoas ou roupas e outros objetos contaminados. A fecundação do ácaro ocorre na superfície da pele. Logo após o macho morrer, a fêmea penetra na pele humana, cavando um túnel, por um período aproximado de 30 dias. Depois, deposita seus ovos que, quando eclodem, liberam larvas que retornam à superfície da pele para completar seu ciclo evolutivo. Este processo de maturação é de 21 dias. Vale lembrar que animais como gato e cachorro não transmitem a sarna humana.

O principal sintoma da escabiose é a coceira ou prurido, principalmente à noite, causando escoriações entre os dedos das mãos, nas axilas, na parte do punho que segue a palma da mão, auréolas e genitais. A prevenção consiste, sobretudo, em evitar contato com pessoas e roupas contaminadas. Além disso, quando um paciente recebe o diagnóstico de escabiose, todos que tiveram contato direto devem ser examinados e tratados.

Herpes

A herpes é uma infecção viral capaz de produzir bolhas e feridas na boca e na região genital. Além disso, também pode aparecer na base do nariz e próximo aos olhos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), quando um indivíduo é infectado, o vírus permanece em seu organismo por toda a vida. Por isso, grande parte da população tem ou já teve contato com o vírus, porém não desenvolveu a infecção.

Existem três tipos de herpes: o simplex (HS1), que surge como febre baixa e se manifesta com bolhas ao redor da boca ou nariz. O simplex 2 (HS2), que aparece na região genital e nas mucosas internas, manifestando-se com lesões cutâneas. Já o zoster, por sua vez, ocorre pela reativação do vírus varicela-zoster, causando erupções cutâneas na face, tórax ou costas. Os sintomas incluem bolhas dolorosas ou úlceras dentro e ao redor da boca, coceira ou queimação nos lábios antes do aparecimento de pequenas bolhas e vermelhidão nos lábios. Já o herpes do tipo 2 é o principal responsável pelo quadro de herpes genital e pode provocar pequenas úlceras nesta área do corpo. A infecção pelo herpes tem tratamento, mas ainda não há cura, apenas algumas precauções que evitam crises. 

Impetigo

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o impetigo é uma infecção bacteriana superficial da pele muito comum, altamente contagiosa, vista mais frequentemente na face ou extremidades da pele de crianças. Acontece após um pequeno trauma da pele ou mesmo após a picada de insetos, mas pode ocorrer após outras doenças da pele, como a dermatite atópica.

A pele fica danificada e se formam crostas, chamadas milicérias, por ter coloração parecida com a do mel. Por vezes, pode formar bolhas que se rompem, quando, então, se torna o impetigo bolhoso. Não há sintomas locais, mas a lesão vai se disseminando para áreas contíguas. O tratamento é feito por meio da limpeza das feridas com água e sabão e remoção das crostas. Para infecções mais localizadas, cremes ou pomadas de antibióticos topicamente são utilizados e, em casos mais intensos e difusos, antibióticos orais.

Dermatite asteatósica (pele seca)

Também chamada de xerose, a dermatite asteatósica é o termo médico para pele seca. Dessa forma, ocorre pela falta de água na pele, que pode ser decorrente do envelhecimento (xerose senil) ou por doenças subjacentes como diabetes. O resultado é pele seca, áspera e tensa, que pode progredir até descamar ou descascar. Condições inflamatórias como dermatite atópica e psoríase sempre atingem áreas localizadas de pele com xerose.

Dermatite herpetiforme

A dermatite herpetiforme ou dermatite de Duhring-Brocq é uma doença bolhosa da pele sem causa conhecida. O que se observa é uma reação do sistema imunológico contra uma região da pele, o que leva ao surgimento de lesões de origem imunológica, associadas a uma doença intestinal por sensibilidade ao glúten (doença celíaca).

É uma doença crônica, de longa duração, oscilando entre períodos de exacerbação dos sintomas e de melhora. Acomete principalmente crianças, adolescentes e adultos do sexo masculino.

O aparecimento da doença é gradual e se caracteriza pela formação de lesões avermelhadas que evoluem para vesículas (pequeninas bolhas), progredindo para grandes e tensas erupções com arranjo semelhante ao aspecto do herpes, daí o nome herpetiforme, embora sem relação com a doença. O quadro acompanha, muitas vezes, coceira intensa que pode causar escoriações, feridas e crostas.

Alergia ao sol

Alergia ao sol ocorre quando a pele apresenta uma erupção caracterizada por coceira após exposição solar. Normalmente aparece como uma erupção cutânea com coceira e vermelhidão, mas também pode causar dor, manchas na pele, descamação, bolhas, urticária e outros sintomas. A causa é associada à predisposição genética. As erupções cutâneas de uma alergia ao sol desaparecem por conta própria em 10 dias.

Quais são as causas da alergia de pele?

Existem diversas causas para alergia na pele, podendo surgir pelo contato – único ou repetido – com diferentes fatores alergênicos. No entanto, alguns agentes são potenciais causadores desse tipo de reação, sendo importante ter atenção, como:

  • Ácaros e fungos;
  • Pelos de animais;
  • Produtos cosméticos;
  • Alimentos;
  • Pólen;
  • Picadas de insetos;
  • Látex;
  • Níquel (metal comum em joias);
  • Medicamentos.

Sintomas da alergia de pele

Os sintomas mais comuns da alergia de pele são:

  • Coceira;
  • Vermelhidão;
  • Descamação;
  • Manchas vermelhas na pele;
  • Bolinhas vermelhas ou brancas na pele;
  • Ardência;
  • Inchaço;
  • Pele áspera;
  • Sensibilidade.

Quais são as complicações?

O choque anafilático é a forma mais grave de reação de hipersensibilidade (alergia) na pele. Os sinais e sintomas podem ter início após segundos à exposição ao agente ou até uma hora depois. O tratamento do choque anafilático deve iniciar rapidamente nos serviços de saúde de urgência e emergência. É importante saber que, apesar de ser uma situação de emergência, é controlável e reversível desde que diagnosticada e tratada a tempo. O esclarecimento e a correta orientação do paciente e de seus familiares, bem como a prevenção, constituem o melhor tratamento da anafilaxia, reduzindo a mortalidade.

Diagnóstico da alergia de pele

O diagnóstico da alergia de pele é, sobretudo, clínico. Assim, a confirmação pode ser feita por meio de uma biópsia de pele (caso haja necessidade de diagnóstico diferencial). Também pode ser realizado um teste de contato para tentar descobrir a substância que está causando a alergia. Exames de sangue também podem ser solicitados pelo especialista.

Tratamento da alergia de pele

A princípio, os medicamentos tópicos (aplicados diretamente na pele) constituem o tratamento principal dos distúrbios da pele. Além deles, também são indicados medicamentos via oral ou injetados, distribuindo-se, assim, por todo o corpo. Em raras ocasiões, quando é necessário aplicar um medicamento de concentração elevada na zona afetada, o médico pode injetá-lo logo abaixo da pele (injeção intradérmica). Dessa forma, pode-se aplicar o mesmo medicamento na forma de:

  • Pomadas
  • Cremes
  • Loções
  • Banhos e imersões
  • Espumas
  • Soluções
  • Pós
  • Géis

De qualquer modo, o melhor tratamento para a alergia de pele depende do quadro do paciente. Assim, os casos mais graves utilizam anti-histamínicos, como a desloratadina e ebastina no tratamento, ou corticoides, como a hidrocortisona e mometasona. Por outro lado, o tratamento em casos menos graves pode ser feito com produtos hipoalergênicos calmantes e loções com substâncias como camomila ou alfazema. Quando surgem os primeiros sintomas, é importante lavar abundantemente a região com água e sabão com pH neutro.

A hidratação é importante para combater alergias, pois uma pele saudável cria uma barreira de proteção cutânea maior, o que impede que as inflamações atinjam camadas mais profundas da pele.

Diferentes especialidades médicas envolvidas nos cuidados

O diagnóstico e tratamento da alergia de pele pode ser feito tanto por alergistas quanto dermatologistas ou mesmo pediatras, no caso das crianças.

O que perguntar para o médico na consulta

Não mudei nada na minha rotina habitual. O que poderia causar minha alergia de pele?

Existem várias causas possíveis. Alguns tipos de erupções cutâneas são causados por alergias, outros podem ser causados por infecções, doenças da pele, como eczema ou rosácea, ou até mesmo pele seca ou danificada. Seu alergista pode ajudar a diagnosticar a causa de seus sintomas e prescrever o tratamento para ajudá-lo a assumir o controle e encontrar alívio.

Devo evitar o sol até a alergia de pele desaparecer?

Se a sua pele já estiver irritada ou sensível, a exposição aos raios UV e possíveis queimaduras solares podem causar mais desconforto. Por isso, evite a exposição ao sol enquanto durarem suas lesões de pele.

Alimentos podem causar alergia de pele?

Sim. Pessoas com alergia alimentar podem desenvolver urticária e angioedema, por exemplo. É o caso da alergia ao camarão, que pode causar manchas, bolinhas ou placas vermelhas pelo corpo, além de coceira, inchaço nos lábios, língua, pálpebras e garganta.

Quanto tempo dura uma alergia de pele?

A princípio, as reações alérgicas na pele costumam aparecer poucos minutos após o contato com o alérgeno (a substância causadora da inflamação). Em alguns casos, porém, as inflamações podem demorar várias horas ou até três dias para se desenvolverem, portanto é importante ficar atento à memória para descobrir qual substância ou alimento causou a reação. A alergia de pele pode persistir por dias, semanas ou meses, em casos de maior duração é importante procurar um dermatologista ou alergologista.

Como prevenir a alergia de pele?

Embora saibamos que muitos tipos de alergia de pele são inevitáveis, a principal dica para prevenir é evitar o contato com o material ou substância que desencadeou a alergia, além de procurar um médico dermatologista para avaliar e indicar o tratamento mais adequado. 

Para evitar ou controlar as alergias, a primeira recomendação é hidratar a pele para manter a barreira de proteção. Além disso, usar sabonetes adequados ao próprio tipo de pele (de preferência, os que possuem pH neutro) e evitar banhos quentes (pois eles retiram a oleosidade natural da pele). Também é importante não se expor a substâncias alergênicas e irritativas.

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Fonte: Dra. Fátima Tubini, especialista em Ciências Médicas e em Dermatologia pela AMB e Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Referências: Sociedade Brasileira de Dermatologia (RJ), Prefeitura de São Paulo, Biblioteca Virtual em Saúde, Crônicos do Dia a Dia, Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Sobre o autor

Fernanda Lima
Jornalista e Subeditora da Vitat. Especialista em saúde