Choque anafilático: o que é, principais sintomas e tratamento

Saúde
11 de Outubro, 2022
Choque anafilático: o que é, principais sintomas e tratamento

O choque anafilático, também chamado de anafilaxia ou de reação anafilática, é uma reação sistêmica – ou seja, uma resposta inflamatória que afeta o organismo como um todo – que acontece diante de uma alergia grave. Esta, por sua vez, ocorre logo após o contato entre uma pessoa e uma substância a qual ela é alérgica, como o veneno da picada de abelha, certos medicamentos ou alguns alimentos, por exemplo.

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De acordo com a alergista e imunologista Alexandra Sayuri Watanabe, os sintomas do quadro podem acontecer de forma isolada ou combinada, em questão de minutos ou até poucas horas depois da exposição do paciente ao agente alergênico.

Além disso, cada caso pode ter um nível, sendo leve, moderado ou grave. Embora a maioria dos quadros seja leve, contudo, existe o grande potencial de evoluir para fatalidade.

Saiba tudo sobre a condição a seguir!

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O que é choque anafilático

O choque anafilático é uma reação alérgica grave e potencialmente fatal, que se manifesta logo após o contato de uma pessoa com substâncias na qual ela tem alergia, como drogas, alimentos, venenos de certos animais, medicamentos e outros.

O problema ocorre quando a causa em questão estimula o sistema imunológico e faz com que se inicie uma reação exagerada do organismo, podendo levar a perda da consciência, convulsões ou até mesmo um AVC.

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Apesar de os sintomas poderem se apresentar em um intervalo de segundos a até uma hora após o contato, é importante que o paciente vá para o hospital o quanto antes, de preferência logo após ter a primeira reação.

Isso, de acordo com profissionais, fará com que o tratamento inicie o mais rápido possível, uma vez que existe o risco de a pessoa não conseguir respirar.

Há, ainda, casos de pessoas que já conhecem seu quadro de alergia e, por isso, costumam ter a medicação sempre à mão em casos de emergências.

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Causas da anafilaxia

De acordo com a médica, as substâncias que mais costumam causar reação são:

  • Alimentos: amendoim, nozes, avelã, caju, leite, ovos de galinha, camarão, peixe e outros frutos do mar;
  • Medicamentos: relaxantes musculares, antibióticos como a penicilina, contrastes com iodo, insulina, e alguns anti-inflamatórios e anestésicos;
  • Venenos de insetos: abelha, vespa, formiga vermelha, etc;
  • Pólen: em especial o das gramas, que fica mais presente no ar do fim da primavera ao início do verão;
  • Látex: derivados da borracha, como luvas, por exemplo.

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Sintomas de choque anafilático

Segundo a médica, as reações ocorrem pouco tempo depois do contato da pessoa com a substância. Além disso, o quadro pode atingir vários órgãos ao mesmo tempo, como a pele, o sistema respiratório e o trato gastrointestinal.

Assim, os principais sintomas incluem:

  • Lesões do tipo urticárias;
  • Inchaço no rosto, língua, orelhas, mãos e pés;
  • Vermelhidão no corpo;
  • Coceiras;
  • Chiado no peito;
  • Dor abdominal;
  • Cansaço;
  • Diarreia;
  • Suor intenso;
  • Náuseas e vomitos;
  • Queda da pressão;
  • Vertigem e tontura;
  • Desmaio;
  • Aumento de batimentos cardíacos;
  • Dificuldade para respirar.

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É importante lembrar que, diante do surgimento de qualquer um desses sintomas, a pessoa deve ser encaminhada ao hospital o quanto antes para ser tratada. Caso contrário, existe a chance de o paciente ter complicações que podem, inclusive, por sua vida em risco.

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Tratamento para choque anafilático

“Como é uma reação imprevisível, não tem como saber como será a evolução e a progressão do quadro. Portanto, o indicado é sempre procurar o pronto atendimento, pois o tratamento da anafilaxia é com o uso da adrenalina injetada no músculo da coxa e da máscara de oxigênio para ajudar o paciente a respirar melhor”, diz a médica.

Após a aplicação de adrenalina, o paciente deve fica em observação no hospital, a fim de monitorar seus sinais vitais .

Vale destacar que, em alguns casos, também pode ser necessário fazer uso de outros medicamentos, como anti-histamínicos e corticoide oral.

Já em reações mais graves, em que o inchaço da garganta impede a respiração, o paciente pode precisar de uma cricotireoidostomia. Trata-se de uma cirurgia para abrir um corte na garganta e possibilitar a passagem do ar para os pulmões, de forma a evitar alterações graves no cérebro.

Por fim, é importante lembrar também que, apesar de ser uma situação séria e de emergência, o choque anafilático é controlável e reversível desde que seja tratado de forma rápida.

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É possível evitar o choque?

Alexandra esclarece que, dependendo do agente desencadeante da alergia, não há como evitar. É o caso, por exemplo, de uma picada de inseto.

Mas se a pessoa já tiver investigado e já souber a causa da sua reação, é possível sim se manter longe do contato com o alérgeno.

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“Em caso de alergia a alimentos, é importante ler os rótulos e tomar cuidado em restaurantes. Já se o problema for com medicamentos, deve-se tomar cuidado com as fórmulas. Por fim, se a pessoa já teve uma reação alérgica alguma vez, deve sempre ter canetas de adrenalina por perto”, orienta a médica.

É importante ressaltar, contudo, que as seringas de adrenalina que não foram usadas dentro da data de vencimento devem ser descartadas e substituídas por outras novas.

Isso, de acordo com a profissional, é importante porque o conteúdo de adrenalina e a biodisponibilidade da droga diminuem de acordo com o número de meses que se passaram após o prazo de validade.

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Dicas para quem já teve um choque anafilático

No casos de pacientes que já tiveram esse problema, o médico responsável pode prescrever a injeção de adrenalina autoinjetável, que deve ser levada sempre junto com a pessoa.

Outra opção para garantir a segurança é usar alguma pulseira ou colar que informe a alergia e indique o que fazer diante de alguma situação de emergência.

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Por fim, é importante lembrar que apenas um médico ou cirurgião dentista habilitado pode diagnosticar o quadro, indicar o tratamento e dar receitas de medicações. Portanto, o ideal é sempre manter as consultas em dia e deixar o responsável por seu caso atualizado quanto à alergia.

Fonte: Dra. Alexandra Sayuri Watanabe, alergista e imunologista, Coordenadora do Departamento Científico de Anafilaxia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).

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