Alergia alimentar pode gerar impactos psicológicos. Veja como evitá-los

14 de setembro, 2021

Os desafios que uma alergia alimentar provoca são complexos e podem gerar impactos psicológicos nos pacientes e em seus pais. Embora no Brasil ainda não haja estatísticas oficiais sobre alergia alimentar, a prevalência parece se assemelhar com o que ocorre no mundo todo: cerca de 8% das crianças com até dois anos de idade têm algum tipo de problema. O primeiro tratamento, após o diagnóstico do especialista, é a exclusão do alimento que causa a alergia.

Contudo, quanto menor a criança e maior o número de alérgenos a serem excluídos, maior também será o sofrimento psíquico de seus pais, que precisam assumir todos os cuidados envolvendo a manutenção da dieta de restrição e a administração de medicamentos em caso de reação acidental.

De acordo com a psicóloga Érika Gomes, pesquisas apontam que uma em cada cinco mães de alérgicos apresenta transtorno de ansiedade generalizada. Além disso, um terço dessas mulheres estão acima do limiar para transtorno do pânico e ansiedade social.

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O que é a alergia alimentar

A alergia alimentar é uma reação imunológica do corpo a determinado alimento. Existe uma predisposição genética para isso, mas os cientistas já descobriram indícios de que o meio ambiente também influencia na questão. É o caso de mudanças bruscas no estilo de vida e na alimentação, por exemplo.

“Ao reconhecer o alimento como alérgeno, o sistema imunológico deflagra algumas respostas que acabam por se manifestar em forma de sintomas desagradáveis e potencialmente graves”, explica a médica Jackeline Motta Franco.

Leite, ovo, soja, trigo, amendoim, castanhas, gergelim, peixes e frutos do mar são os principais alimentos desencadeadores de alergia alimentar. Além disso, os sintomas são bastante variados. “Entre as manifestações possíveis, destacam-se as cutâneas, as gastrointestinais, as respiratórias, as cardiovasculares e, em casos mais graves, a anafilaxia, que pode levar a óbito”, diz a especialista.

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Alergia alimentar e impactos psicológicos

A forma como os pais estabelecerão o manejo da alergia do filho interferirá na forma como ele entenderá a condição. “É importante que os pais obtenham conhecimento adequado, suporte emocional e se sintam autoconfiantes para que a criança vivencie a alergia alimentar de forma leve”, explica Érika.

A psicóloga elenca algumas sugestões para as famílias que estão passando pelo diagnóstico de alergia alimentar:

  • Busque não vitimizar a criança. Seja empático, entenda a condição, mas ensine que as limitações fazem parte da vida e é possível enfrentá-las de diferentes formas;
  • Seja solidário! Estabeleça algumas refeições no ambiente familiar em que todos os membros possam desfrutar do mesmo alimento;
  • Encontre maneiras de demonstrar afeto que não estejam relacionadas ao alimento. Alimento não é a nossa única forma de demonstrar afeto: abraços, bilhetinhos, passeios e fotografias também revelam nosso amor;
  • Busque realizar atividades sociais como ir a festas, mas mantenha os devidos cuidados para que o pequeno não tenha contato com o alimento alérgeno;
  • Estabeleça uma rede de apoio. Isto é, compartilhe com amigos e familiares informações sobre a alergia alimentar, buscando ampliar a conscientização;
  • Deixe a criança expressar sentimentos, dúvidas e desejos envolvendo a sua restrição, auxiliando-a a encontrar seus próprios recursos internos para lidar com as situações.

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Alergia alimentar na escola: Como amenizar os impactos psicológicos

A família e a escola precisam se preparar para gerenciar os cuidados com a alergia implementando práticas para minimizar riscos de contato acidental com o alimento alergênico. É preciso que professores e os demais funcionários da escola saibam reconhecer os sintomas e como agir em caso de reação. “É importante favorecer a inclusão da criança em diversas atividades familiares, sociais e escolares e, assim, propiciar que a criança viva a vida a despeito da alergia alimentar, não em função dela”, comenta a psicóloga.

Fontes: Érika Gomes, psicóloga, doutoranda e mestre em psicologia clínica pela PUC-SP; e Jackeline Motta Franco, coordenadora do Departamento Científico de Alergia Alimentar da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).

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