Varíola dos macacos tem cura? Veja esta e outras dúvidas sobre a doença

3 de agosto, 2022

O avanço da varíola dos macacos no Brasil e no mundo tem causado insegurança entre a população. Afinal, o que precisamos fazer para nos proteger? A varíola dos macacos tem cura? Aqui, reunimos as principais dúvidas para você saber tudo sobre a infecção.

Veja também: Varíola dos macacos torna-se emergência de saúde global

O que é varíola dos macacos?

De acordo com o Instituto Butantan, a doença é uma zoonose silvestre. Logo, o vírus Monkeypox infecta animais selvagens primeiro, e em seguida pode contaminar um ser humano. Há dois tipos: o da África Ocidental e o da África Central (Bacia do Congo), onde a doença é endêmica. Ou seja, é típica desses locais e já existe o devido tipo de controle.

Apesar do nome remeter aos macacos, roedores e marsupiais também podem transmitir a doença. O termo associado aos macacos se deve à descoberta do vírus nos primatas, em 1958. Outra curiosidade é que a varíola dos macacos é da mesma família da varíola humana, já erradicada desde os anos 1980.

Por que a doença começou a se espalhar de repente pelo mundo?

Talvez esta seja uma das dúvidas mais comuns. Contudo, não há um consenso sobre a razão do surto atual e a ciência está debruçada sobre o assunto para encontrar respostas. A princípio, acredita-se que a flexibilização das medidas de segurança contra o Covid-19 pelo mundo seja uma dos responsáveis. Dessa forma, as viagens voltaram a fazer parte da vida das pessoas, inclusive nos países onde a Monkeypox é endêmica. Somado a isso, as celebrações e eventos voltaram: desconfia-se que os primeiros casos surgiram em festas na Espanha e na Bélgica. As autoridades de saúde creem que o vírus começou a circular nessas oportunidades, e tomou a proporção que vivemos agora.

Associada a esses fatores, a falta de imunização específica para a doença pode ter contribuído para o descontrole da varíola dos macacos. Quanto à possibilidade de mutação do vírus, a hipótese é pouco provável, pois os estudos atuais mostram que a Monkeypox tem um código genético mais rígido a alterações — ao contrário do coronavírus, que se modificou e criou diversas novas cepas.

Como se transmite a varíola dos macacos?

Antes, o contato com animais contaminados – primatas, marsupiais e roedores – era o principal fator de exposição ao vírus para humanos. No entanto, a transmissão também ocorre por vias humanas. Assim, basta entrar em contato com uma pessoa contaminada para se infectar. Por exemplo:

  • Compartilhar objetos pessoais, como talheres, copos, pratos, toalhas, roupas de cama e calçados.
  • Abraçar, beijar ou ficar muito próximo de pessoas infectadas, pois as gotículas de saliva com o vírus podem infectar.
  • Contato direto com as feridas da varíola dos macacos.
  • Relações sexuais com indivíduos contaminados.
  • Tocar em objetos e superfícies com o vírus, e em seguida levar as mãos à boca e olhos.

Quais são os sintomas?

O ciclo de incubação do vírus dura entre 5 e 21 dias, e normalmente a manifestação começa no 13º dia. Logo após esse período, os sintomas são febre, falta de ar, dores musculares, fadiga e inchaço nos gânglios. Mas a principal “marca” da doença são lesões na pele que em forma de erupções parecidas com as da catapora e sífilis. Em geral, os sintomas desaparecem entre 7 e 14 dias e sem complicações. Ainda há dois novos sintomas que os cientistas do Reino Unido descobriram recentemente: dor no ânus e inchaço do pênis. A pesquisa foi divulgada no The BMJ no final de julho, e contou com a participação de 197 pacientes com varíola dos macacos. O perfil dos pacientes são homens com idades entre 21 e 67 anos, que se consideram gays, bissexuais ou que relataram sexo com outros homens.

Só homens podem pegar varíola dos macacos?

Apesar da maioria dos casos envolver o público masculino, isso não é verdade. A varíola dos macacos pode contaminar qualquer pessoa de qualquer faixa etária. No final de julho deste ano, o Ministério da Saúde registrou as três primeiras crianças infectadas pela doença em São Paulo. Todas estão em monitoramento e com o quadro de saúde estável. Além do Brasil, os Estados Unidos e a Holanda confirmaram a incidência no público infantil.

O vírus pode matar?

A letalidade do vírus é baixa — até o momento, a OMS confirmou 6 mortes ao redor do mundo, uma delas no Brasil. O paciente morava na cidade de Uberlândia (MG), e tinha leucemia. Dessa maneira, a baixa imunidade desencadeou as complicações da doença, cuja causa da morte foi choque séptico. Embora apresente poucos riscos à vida, há chances de mortalidade, pois o vírus pode provocar outras doenças, como broncopneumonia, sepse, infecção da córnea e encefalite. Mulheres grávidas devem ficar mais atentas, pois pode ocorrer parto prematuro, aborto e malformações congênitas no bebê.

A varíola dos macacos tem cura?

Sim, a varíola dos macacos tem cura espontânea com o controle médico, e não costuma deixar sequelas depois da infecção. Todavia, falamos que a doença pode causar complicações variadas, mais brandas ou graves. Um exemplo são as possíveis enfermidades oculares. Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier de Campinas, afirma que a Monkeypox pode causar nove alterações nos olhos, entre elas a úlcera na córnea, com 4% de chances, e a perda de visão, com 10% nas contaminações primárias e 5% nas secundárias.

Sem quaisquer adversidades, vale relembrar que o ciclo da doença dura aproximadamente 21 dias. Durante esse período, é importante seguir as recomendações médicas e respeitar o isolamento. Como não há um medicamento específico, os especialistas chamam a conduta de “tratamento de suporte”, que consiste no gerenciamento dos sintomas e estado de saúde da pessoa.

Como se proteger contra a infecção?

Em nota, o Ministério da Saúde recomenda o uso de máscaras para gestantes, puérperas, crianças e pessoas imunossuprimidas, sobretudo em locais com potencial de aglomeração, aeroportos e aviões. O preservativo também é essencial para o grupo, que é mais vulnerável a complicações da doença. No entanto, tais orientações podem ser seguidas por todos, visto que a varíola dos macacos afeta qualquer indivíduo. Outras medidas essenciais para a prevenção:

  • Evitar o contato com pessoas suspeitas de contaminação ou confirmadas.
  • Reforçar os cuidados com a higiene, como lavar as mãos e manter o uso do álcool em gel.
  • Não dividir objetos pessoais com outras pessoas.
  • Ao viajar, redobre a cautela e se informe sobre a situação da doença no país de destino.
  • Manter a máscara em locais fechados, como academias e transportes.

Não custa lembrar: você já sabe que a varíola dos macacos tem cura, mas isso não quer dizer que podemos deixar de nos cuidar. Caso tenha qualquer sintoma ligado à doença, busque assistência médica e respeite os cuidados necessários.

Vai ter vacina para a varíola dos macacos?

Não existe um imunizante especial para a zoonose. Em contrapartida, a vacina contra a varíola humana ajuda na proteção, pois o vírus se parece com o da varíola dos macacos. De acordo com o Ministério da Saúde, a previsão é que as vacinas cheguem em setembro, mas não há mais informações sobre calendário nem grupos prioritários. Além disso, o país terá o antiviral Tecovirimat para uso em casos potencialmente graves da infecção. Segundo o ministro da saúde Marcelo Queiroga, o medicamento é uma das medidas “para reforçar o enfrentamento ao surto de Monkeypox [varíola dos macacos] no Brasil”, escreveu no Twitter.