Antiviral para varíola dos macacos: tecovirimat será para casos graves

1 de August, 2022

Como uma das formas de frear o surto recente da varíola dos macacos, o Ministério da Saúde anunciou que o país receberá o Tecovirimat. O antiviral para varíola dos macacos tem sido utilizado pelos Estados Unidos em alguns casos, para evitar o agravamento dos sintomas. Embora ainda faltem mais estudos para comprovar o desempenho do medicamento, ele será útil apenas em casos potencialmente graves da infecção. Ou seja, em situações que a pessoa corre o risco de ter complicações variadas, como sepse, hemorragias, encefalite, entre outras.

De acordo com o ministro da saúde Marcelo Queiroga, o Tecovirimat é uma das medidas “para reforçar o enfrentamento ao surto de Monkeypox [varíola dos macacos] no Brasil”, escreveu no Twitter. Além do antiviral, a Saúde planeja a chegada das vacinas para a enfermidade em setembro. O Ministério ainda não definiu o plano de estratégia de vacinação para a doença.

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Como funciona o antiviral para varíola dos macacos?

Em geral, o medicamento age como uma espécie de bloqueador do vírus no organismo. Dessa forma, ou ele enfraquece o vírus e evita a multiplicação, ou simplesmente cria uma defesa para conter o ataque dos micro-organismos às células. A princípio, o Tecovirimat foi criado para a varíola humana. Contudo, a semelhança entre o vírus humano e a zoonose permite a administração para a varíola dos macacos.

Segundo estudos publicados na revista científica The Lancet, o antiviral reduz a chance de morte pelo vírus em animais logo no início da doença. Por sua vez, em pessoas, o fármaco pode reduzir o ciclo de vida da varíola dos macacos e risco da disseminação do vírus. Quanto à apresentação, o antiviral está disponível de forma oral ou intravenosa, mas ainda não há informações se o Brasil receberá uma ou ambas as opções.

Relembre os sintomas e como se cuidar

O ciclo de incubação do vírus dura entre 5 e 21 dias, mas normalmente a manifestação começa no 13º dia. A partir daí, o indivíduo pode sentir febre, falta de ar, dores musculares, fadiga e inchaço nos gânglios. Mas a principal característica da doença são lesões na pele em forma de erupções, bem parecidas com as da catapora e sífilis. Em geral, os sintomas desaparecem entre 7 e 14 dias e sem complicações. No entanto, é importante receber o devido suporte médico para controlar os desconfortos e seguir o isolamento por 21 dias, mesmo que a pessoa não tenha mais sinais aparentes da infecção.

Atualmente, devido ao aumento de casos no Brasil e no mundo, a recomendação é:

  • Evitar o contato com pessoas doentes.
  • Reforçar os cuidados de higiene: lavar as mãos, utilizar álcool em gel e máscara em locais fechados, como cinemas, aviões e aeroportos.
  • Não compartilhar itens pessoais com outras pessoas.
  • Usar preservativo nas relações sexuais.

O vírus da varíola dos macacos pode matar?

O crescimento repentino da doença e a morte recente de uma pessoa no Brasil acendeu o alerta para a população. Todavia, a taxa de mortalidade da doença é pequena. Para se ter uma ideia, dos milhares de casos pelo mundo, seis pacientes faleceram.

Mas isso não quer dizer que o vírus seja perigoso. Afinal, pode desencadear outras doenças, como broncopneumonia, sepse, infecção da córnea e encefalite. Mulheres grávidas devem ter mais atenção, pois existem riscos de parto prematuro, aborto e malformações congênitas no bebê.