Descolamento da placenta: Entenda o que é e quais os riscos

20 de setembro, 2021

A gestação é, certamente, uma das coisas mais surpreendentes na vida de uma mulher. O corpo feminino passa por muitas transformações para gerar e nutrir o bebê, assim como precisa também se preparar para o seu nascimento. Mas também podem acontecer alguns problemas, como é o caso do descolamento prematuro da placenta.

O órgão é imprescindível para a vida do feto e se forma por completo por volta da 20ª semana gestacional. “A placenta se localiza em íntimo contato com a parede do útero. Possui funções vitais para o desenvolvimento do feto, pois é através dela que a gestante fornece oxigênio, nutrientes, hormônios e células de defesa ao feto”, explica Stephani Caser, ginecologista e obstetra da Vibe Saúde.

Por ser tão essencial para as atividades biológicas do bebê, a placenta precisa chegar bem e saudável até o final da gravidez — uma vez que será eliminada somente no momento do parto, seja ele por via natural ou por cesárea. Mas existe uma complicação que pode colocar em risco tanto a vida da mãe quanto a do feto. Trata-se do descolamento prematuro da placenta (DPP).

Leia também: 9 mudanças no corpo e na mente durante a gravidez

O que é o descolamento prematuro da placenta?

Apesar da gravidade, o problema é raro, ocorrendo em apenas 0,5% a 1% das gestações. De acordo com Stephani, ele se caracteriza pelo desprendimento da placenta da parede uterina antes do tempo, ou seja, antes do nascimento do bebê.

“A ruptura de vasos sanguíneos maternos existentes na área de contato entre útero e placenta (área denominada de decídua) gera o acúmulo de sangue e a formação de um hematoma que vai descolando a placenta”, esclarece a médica. Uma vez que se desprende, o órgão deixa de ser capaz de exercer sua função e compromete progressivamente a saúde do feto.

Vale dizer que o descolamento prematuro da placenta pode acontecer a qualquer momento a partir da 20ª semana gestacional, entretanto, entre 40% e 60% dos casos, ocorre antes da 37ª semana.

Leia também: Por que consumir ácido fólico na gravidez?

Quais são as causas do problema?

Stephanie diz que a causa do descolamento prematuro da placenta ainda não foi totalmente descoberta. “O descolamento é tido como o evento final de uma longa sequência de alterações que fragilizam os vasos sanguíneos da área onde a placenta está inserida. Além disso, outras causas estão relacionadas a eventos pontuais, como traumas abdominais.”

Ainda assim, existem fatores de risco que aumentam o risco de DPP, entre eles: hipertensão arterial, cesárea ou outras cirurgias uterinas, uso de tabaco ou cocaína, idade materna avançada (acima dos 35 anos), miomas uterinos, polidrâmnio (líquido amniótico aumentado), ter tido quatro partos ou mais, gestação múltipla, trombofilia, rotura prematura de membranas ovulares, implantação anômala ou malformação placentária, e ter tido DPP em gestação anterior.

Leia também: Estrias na gravidez: Entenda por que elas surgem

Quais são os sintomas do descolamento prematura da placenta?

A condição pode se dar em diferentes graus de separação placentária, indo de poucos milímetros até o rompimento total. Já os principais sinais de alerta são o sangramento vaginal (78%), de cor bem viva, associado a dor súbita e intensa no abdômen (66%).

“Outros sintomas são dor e palpação do útero, taquissistolia e hipertonia uterina (contrações uterinas em maior frequência e tônus aumentado) e alterações da frequência cardíaca fetal”, completa Stephani.

De acordo com a médica, ao notar qualquer um dos sinais, a gestante deve procurar atendimento médico imediato para avaliação. “Nem todo sangramento vaginal é DPP e cerca de 20% dos casos não apresentam sangramento vaginal, chamados de DPP oculto. Portanto, é importante a avaliação médica na presença de um sinal de alarme.”

Leia também: Entenda a importância do ferro durante a gravidez

Quais as complicações do DPP?

O descolamento prematuro da placenta é uma importante causa de parto prematuro e restrição do crescimento do bebê. E um descolamento de 50% ou mais pode resultar em óbito fetal. O problema também aumenta as chances de óbito após o parto e de sequelas neurológicas para o recém-nascido.

“Na mulher, a situação pode complicar com coagulação intravascular disseminada (CIVD), choque hipovolêmico e atonia uterina, que aumentam o risco de histerectomia no parto (cirurgia que consiste na retirada do útero).”

A obstetra revela ainda que, uma vez levantada a suspeita e confirmado o diagnóstico de descolamento prematuro de placenta, a conduta é interromper a gestação pela via de parto mais rápida.

No entanto, se o descolamento for apenas parcial, é possível que o médico recomende repouso absoluto, além de tratamento com medicamentos que evitam as contrações uterinas e até a reposição do hormônio progesterona. Isso pode ajudar a evitar uma evolução e piora do quadro.

Leia também: Covid-19 aumenta em quase seis vezes casos de gravidez ectópica

Descolamento da placenta X descolamento ovular

Por fim, Stephani ressalta que o descolamento prematuro da placenta é diferente do descolamento das membranas ovulares. Esse último caso refere-se ao desprendimento do saco gestacional (estrutura contendo o embrião) da parede do útero, formando acúmulo de sangue entre a placenta e o útero. “Acontece até a 12ª semana gestacional, quando a placenta ainda não está totalmente formada, por isso o termo descolamento da placenta não é adequado para essa alteração.”

Também não apresenta causa conhecida, mas está associado a problemas na implantação do óvulo fecundado, falhas hormonais e traumas. “Tabagismo, miomas uterinos submucosos, extremos da idade materna (acima de 35 anos por riscos hormonais e abaixo dos 18 anos por útero infantil), malformações e cirurgias uterinas são fatores de risco”, afirma.

O sangramento vaginal é o principal sintoma e pode ter cor e volume variados e pode vir acompanhado ou não de dor abdominal ou cólica. Alguns casos podem ocorrer de forma silenciosa e ser apenas um achado ultrassonográfico. Porém, hematomas com mais de 50% do saco descolado têm maior risco de evoluir para um aborto espontâneo.

“Na maioria das vezes a conduta é acompanhar o quadro, que é revertido com repouso, afastamento das atividades físicas, abstinência sexual e reposição de progesterona. Com a regressão da área de descolamento, o saco gestacional volta a aderir à parede uterina e a gestação segue normalmente”, conclui a médica.

Leia também: Dor nas costas na gravidez: Saiba como aliviar

Fonte: Stephani Caser, ginecologista e obstetra da Vibe Saúde.

Sobre o autor

Redação
Redação
Todos os textos assinados pela nossa equipe editorial, nutricional e educadores físicos.