Gravidez depois dos 40 anos: Dicas para uma gestação saudável

A sociedade atual tem visto cada vez mais mulheres optando por engravidar mais tarde, seja por conta dos estudos e carreira ou por uma simples escolha de vida. Assim, se tornou comum ver muitas gestações começando após os 40 anos de idade, um contexto que exige mais atenção e cuidado. Gravidez depois dos 40 anos: Você sabe como ter uma gestação saudável?

A primeira informação importante é que, nessa fase, as chances de engravidar diminuem. Afinal, existe uma queda na quantidade de óvulos. Um número limitado que nasce no organismo feminino e que vai se esgotando com o passar do tempo. Além disso, qualquer  gestação acima dos 35 anos é considerada de alto risco. “Engravidar nessa idade pode deixar a mulher mais propensa às complicações da gestação como aborto espontâneo, hemorragia puerperal, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e hipotireoidismo gestacional. Além disso, também pode agravar doenças pré-existentes, como obesidade, hipertensão arterial, doenças da tireoide, diabetes, doenças do coração, trombose, entre outras”, explica Stephanie Chagas Feitosa, ginecologista e obstetra da Cia da Consulta.

Já em relação aos bebês, a médica revela que aumentam os riscos de malformações e alterações genéticas, como a Síndrome de Down. Há ainda maiores taxas de parto prematuro, macrossomia (peso do bebê ao nascer acima de 4 kg), anomalias placentárias, gestação múltipla, óbito fetal e crescimento intrauterino restrito.

Gravidez depois dos 40 anos também tem vantagens

Apesar desses fatores de risco, uma gestação após os 40 anos também apresenta benefícios. “Em geral, são mulheres que tiveram mais tempo para concluir os estudos e se estabelecer profissional e financeiramente. Com isso, conseguem se planejar para a gestação, o aleitamento exclusivo e para a construção da família”, analisa Stephanie.

Elis Nogueira, ginecologista e obstetra, membro da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP) e parte do corpo clínico dos hospitais Albert Einstein e Sírio Libanês, concorda que, nessa faixa etária, em geral, a mulher está mais madura e tem outra visão do que é ser mãe. “A gravidez pode ser melhor planejada, desejada e curtida pelos pais”, avalia.

Outro ponto que as médicas reforçam é a relevância do pré-natal. Assim, é fundamental que a gestante realize esse acompanhamento. Ou seja, fazendo uma série de consultas e exames físicos, laboratoriais e ultrassonográficos para garantir uma gestação saudável e um correto seguimento do desenvolvimento do bebê.

Aliás, o pré-natal depois dos 40 anos tem algumas particularidades. Especialmente por conta dos riscos e complicações que a mulher pode apresentar. As consultas, por exemplo, são realizadas em intervalos menores e os exames são mais constantes e específicos. 

“A prevenção de diversas complicações e investigação ativa de comorbidades se faz necessária. Além disso, realizamos a investigação de alterações fetais pelas ultrassonografias morfológicas de primeiro, segundo e terceiro trimestre. Todas essenciais para o acompanhamento dessas gestantes. Um outro exame possível e cada vez mais solicitado é o NIPT (sigla em inglês para teste pré-natal não invasivo). Ou seja, um exame de sangue que nos ajuda a investigar alterações genéticas fetais e detecta o sexo fetal a partir de 9 semanas de gestação”, indica Stephanie.

Cuidados importantes

“A mulher deve lembrar que pode engravidar sim nessa idade. Por isso, é fundamental ter um planejamento reprodutivo, seja para evitar uma gestação ou para planejá-la”, alerta a médica da Cia da Consulta. Assim, se o desejo for, de fato, engravidar depois dos 40 anos, o primeiro passo é buscar um estilo de vida saudável. Ou seja, sem oscilação de peso, livre de infecções sexualmente transmissíveis e sem uso abusivo de álcool, café e cigarro. “Investigar doenças pré-existentes ajuda a controlá-las melhor no período gestacional.” 

Por vezes, o ginecologista também recomenda suplementos que podem ajudar a diminuir o risco de doenças congênitas. Como é o caso do uso do ácido fólico, que previne defeitos do sistema nervoso.

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Gravidez depois dos 40 anos: Alimentação e exercícios para uma gestação saudável

O ganho de peso é natural durante a gravidez. Mas, quando a gestante tem mais de 40 anos é necessário tomar um cuidado maior com os excessos. Bem como a qualidade dos nutrientes ingeridos e possíveis infecções congênitas. “Geralmente, orientamos que sejam escolhidos carboidratos complexos encontrados nos cereais e vegetais para a base da dieta, diminuir o consumo de carne vermelha, lavar bem frutas e verduras e evitar o consumo de carnes mal cozidas”, detalha Stephanie. 

Outro ponto relevante é a produção de vitamina D. Para isso, o indicado é tomar sol nos horários mais adequados: antes das 10h e após às 16h.

Ademais, as grávidas não podem esquecer dos exercícios físicos. Segundo o Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia, o ideal são 150 minutos de atividade aeróbica por semana nessa fase. Em geral, elas podem seguir as mesmas práticas que costumavam realizar antes de engravidar. No caso das mulheres mais sedentárias, é possível iniciar as atividades com exercícios de baixo impacto como caminhada, bicicleta ergométrica, alongamento, hidroginástica e pilates, sempre com acompanhamento de um profissional habilitado. 

O obstetra pode ainda trabalhar em parceria com um fisioterapeuta pélvico tanto para ajudar a mulher nas atividades diárias quanto para prepará-la para o parto, seja vaginal ou cesáreo.

“É importante lembrar que a mulher após os 40 anos é apta para ser mãe. Assim, apesar da gravidez depois dos 40 anos apresentar maior risco, a gravidez tardia pode significar uma experiência satisfatória, com realização pessoal e familiar relacionada à possibilidade de seu planejamento e à maior segurança na relação com o(a) companheiro(a), com a família e com o próprio bebê”, conclui Stephanie.

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