Cuidados no pós-parto: 5 conselhos importantes sobre o puerpério

Com o início do puerpério, logo após o nascimento do bebê, é importante que se tenha em mente que não é apenas o recém-nascido que precisará de atenção. A mãe demandará de cuidados no pós-parto para que sua experiência seja mais acolhedora, como ter uma alimentação saudável e boa hidratação para ter energia para amamentar e priorizar, sempre que possível, o descanso.

Além disso, é importante que a maternidade seja construída com um olhar empático diante dos próprios limites e com consciência de que não é um processo linear, mas regado de erros e (muitos) acertos.

Dessa forma, o que auxilia é não ter medo de procurar por ajuda. Com isso em mente, o ginecologista e obstetra Ricardo Porto Tedesco enumera cinco orientações médicas para que o pós-parto seja menos desafiador.

Leia mais: Afinal, o que acontece com o corpo da mulher após o parto e cuidados?

1. Mantenha uma garrafinha d’água por perto!

A sede é uma das sensações marcantes do período da amamentação, independente dela acontecer após o bebê ter vindo ao mundo por meio de um parto vaginal ou cesárea.

“A produção do leite materno deriva da circulação da materna, usando substratos do sangue. Então, como existe essa perda de água, a necessidade de reposição hídrica é muito maior nesse período de amamentação”, explica o especialista. Portanto, a garrafinha d’água será sua melhor amiga neste momento!

Leia mais: Desafio da hidratação: Dicas espertas de como beber mais água

2. Dietas restritivas não entram nos cuidados no pós-parto

O retorno para casa após o período da maternidade, com o bebê nos braços, tende a trazer reflexões sobre o novo universo que a mãe está inserida. A princípio, em um destes pensamentos, a puérpera pode acabar imersa sobre a forma diferente que o seu corpo adquiriu após o parto e como fazê-lo retornar ao que era antes da gravidez.

O processo pede empatia com sua própria história para lembrar que além de sustentar a si, há também um recém-nascido que está se nutrindo nesta jornada. Assim, a orientação de Ricardo é que a mãe não embarque em dietas restritivas neste período.

“Não se deve fazer grandes restrições, principalmente proteicas, porque isso pode eventualmente alterar a composição do leite materno”, esclarece o especialista. O equilíbrio tende a ser (sempre) a melhor alternativa!

O obstetra ainda lembra que bebidas alcoólicas não devem ser consumidas durante a amamentação pelo risco do álcool ser passado para o bebê por meio do leite. O mesmo vale para algumas medicações.

Leia mais: Como emagrecer sem dietas restritivas: Veja dicas

3. Tente descansar enquanto o recém-nascido dorme

A privação de sono é um dos desafios enfrentados pelas mães durante o puerpério, o que afeta sua concentração, raciocínio e causa até mesmo mudanças no humor. Por isso, a recomendação médica é que a mãe tente descansar nos mesmos intervalos que o recém-nascido.

“O sono, na presença da luz do dia, não tem as mesmas propriedades relaxantes e revigorantes que se tem durante a noite. Então, o ideal é tentar criar um ambiente calmo e o mais escuro possível para que se tente mimetizar as condições ideais de descanso”, completa Ricardo.

Leia mais: Como amenizar a privação de sono após o parto

4. Saúde mental pede atenção nos cuidados no pós-parto

A romantização que ainda ronda a maternidade pode fazer com que mães sintam-se pressionadas a estarem sempre bem. É verdade, é reconfortante segurar o pequeno nos braços e vê-lo desenvolver-se dentro do esperado.

No entanto, junto com a realização, puérperas vivem o cansaço da amamentação, noites mal-dormidas, além das inseguranças inevitáveis ao dar à luz. Por isso, é importante que tanto a figura materna quanto as pessoas ao seu redor estejam atentas a possíveis sinais de fragilidade emocional.

Por volta de 80% das mães vão viver o chamado baby blues no pós-parto, consequência das oscilações hormonais do período. “Nas primeiras duas, no máximo três semanas, é normal a mulher enfrentar fadiga, apatia e vontade de chorar”, segundo o especialista.

Além destes sinais, insônia, irritabilidade e falta de confiança diante da maternidade também são características do quadro psicológico. Para contorná-lo, é fundamental o acolhimento da mãe por meio do diálogo, validando suas emoções maternas, e sendo sua rede de apoio.

Leia mais: Escolher psiquiatra: afinal, quais fatores devem ser considerados?

5. Cuidados no pós-parto: monte uma rede de profissionais de confiança

Ainda durante a gestação, é recomendado procurar por especialistas de confiança que também farão parte da sua rede de apoio caso precise. Um bom exemplo disso é quando a mãe enfrenta fissuras mamárias que são facilmente contornadas com a orientação correta de uma consultora de amamentação.

Segundo Ricardo, ela poderá mostrar para a mãe se a pega do bebê está correta, ensinar diferentes posições para dar de mamar e até mesmo avaliar quando o caso é mais grave, como uma mastite.

Fonte: Ricardo Porto, ginecologista e obstetra, membro da Comissão Nacional de Assistência ao Abortamento, Parto e Puerpério da Febrasgo.