Problemas comuns durante a amamentação e como corrigir

8 de novembro, 2021

Amamentar é um ato biológico, mas quem já viveu esse processo sabe que ele não tem nada de automático – é puro aprendizado. É por isso que existem problemas comuns durante a amamentação. Na verdade, tratam-se de adaptações que ainda não aconteceram, mas com informação e os cuidados certos, é plenamente possível ter um aleitamento de sucesso. A seguir, confira as ocorrências mais corriqueiras nessa fase e como resolver.

Problemas comuns durante a amamentação e como corrigir

1. Traumas nos mamilos

Você já ouviu que amamentar dói? Esse relato não tem nada de incomum, mas nem por isso é considerado normal. Assim, uma das possíveis causas para o incômodo são traumas nos mamilos, como rachaduras, fissuras, erosão ou, em um nível mais grave, um quadro chamado dilaceração mamilar.

O que causa: O problema pode estar na pega do bebê. Ao mamar, o pequeno deve abocanhar toda a aréola. 

Como tratar: Retire um pouco de leite antes da mamada, isso contribui para corrigir a pega. Além disso, mantenha a região dos mamilos seca durante a amamentação. Contudo, não use nenhum produto com o intuito de tratar os traumas sem orientação médica, converse com o pediatra.

2. Leite “empedrado”

O ingurgitamento mamário é caracterizado pelo acúmulo de leite nas mamas. Mas, o problema é que, nessa situação, o líquido endurece, e essa retenção costuma causar inchaço e bastante dor. 

O que causa: O esvaziamento incorreto das mamas, deixando o leite muito tempo nelas, pode levar ao quadro.

Como tratar: Massagens e sacolejos das mamas podem ajudar, além de esvaziá-las. Isso pode ocorrer por meio de mamadas frequentes ou com extração (manual ou com uso de bombas). 

3. Ducto obstruído

Caracterizado por um ponto esbranquiçado ou amarelado no mamilo, o quadro provoca ardência e uma incômoda sensação de fisgada.

O que causa: Em geral, o problema é quando uma parte da mama não foi esvaziada adequadamente. Além disso, outros possíveis motivos podem estar em erro de pega, uso de roupas muito apertadas, uso de bicos artificiais (como chupetas, mamadeiras), mamadas infrequentes ou o hábito de pressionar os dedos na mama durante o aleitamento.

Como tratar: Corrigindo a causa, o quadro é resolvido. Mas, em alguns casos, procedimentos para desobstruir o ducto também se fazem necessários, o que deve ser executado por um profissional de saúde.

4. Mastite

Essa inflamação na mama geralmente provoca na região dor, inchaço, vermelhidão, calor e endurecimento. Ela também pode ser seguida de infecção bacteriana, e daí sintomas como febre, calafrios, dores no corpo, náuseas e aumento da frequência cardíaca costumam acompanhar. Nesse sentido, o maior risco é que se não for tratada a tempo pode levar a abscesso (formação de uma bolsa de pus na mama, como um nódulo) e infecção generalizada.

O que causa: Ingurgitamento mamário, ducto obstruído ou as causas que levam a esses quadros estão entre os principais motivos.

Como tratar: Para os casos mais leves é necessário esvaziar bem a mama. Se houver sintomas em outros locais do corpo (como febre, náuseas etc.), o tratamento também inclui

medicamentos como antibiótico, anti-inflamatório e analgésicos. Já em casos de abscesso, ainda são feitas ultrassonografia das mamas e punção local para aspirar o pus.

5. Candidíase mamária

Provoca dor, ardência, coceira e pode causar também descamação e fissuras na base do mamilo.

O que causa: O quadro é provocado pelo fungo Candida albicans. Ele está presente naturalmente no nosso corpo, porém, em casos de desequilíbrio na imunidade, pode causar infecção.

Como tratar: Mãe e bebê têm que fazer uso de antifúngico, seguindo orientação médica. Também é preciso manter a região das mamas arejada. Assim, o uso de roupas de algodão, confortáveis e que não apertem, são medidas favoráveis.

6. Bebê que não ganha peso (ou muito pouco)

As consultas no pediatra são fundamentais para assegurar que o bebê esteja ganhando o peso necessário. Mas, quando isso não acontece, muitas vezes o problema está no manejo inadequado durante a amamentação. 

O que causa: O bebê pode só mamar. Mas, se as sugadas não forem nutritivas, ele não irá ganhar peso. Assim, caso durante a mamada as sucções predominantes forem rápidas e repetitivas, o pequeno não conseguirá ingerir leite de forma eficiente.

Como tratar: Aprenda a diferenciar o padrão de sucção não-nutritivo do nutritivo. Ao mamar, o bebê deve predominantemente fazer sugadas lentas, com movimentos de grandes goladas. E lembre-se: o uso de fórmulas só deve ser feito com recomendação médica.

7. Bicos planos ou invertidos

Essa característica, na verdade, não se trata de um problema para o aleitamento. Pois, não importa o tipo de bico que a mulher tenha nos seios, é possível amamentar com qualquer um deles. A grande questão é que, ao contrário do que muitos pensam, o bebê não mama no bico, ele mama abocanhando a aréola da mama (que é aquela região mais escura, ao redor do bico). 

O que causa: Trata-se de uma característica natural do corpo humano. Mas, algumas mulheres têm seios com bicos protusos, outros são compridos e há também aqueles planos ou invertidos. Não há nenhuma anormalidade.

Como tratar: A primeira orientação é não tentar “formar bico”. Tem gente que passa bucha vegetal nas mamas, puxa a região, tudo com o intuito de deixar o bico do seio mais evidente. Isso não resolve – na realidade, aumenta o risco de complicações. Além disso, o uso de conchas e bicos de silicone nas mamas também é altamente contraindicado, podendo causar infecções e traumas. O melhor caminho é buscar orientação de um especialista em amamentação, para ensinar a pega correta.

8. Problemas comuns durante a amamentação: Hiperlactação

Quando a mulher produz muito leite, além das necessidades do bebê, temos um caso de hiperlactação. O reflexo de descida do leite também pode ser exacerbado, caracterizando o quadro. Mamas que vazam constantemente ou com aumento excessivo são sinais comuns.

O que causa: Questões hormonais, genéticas ou problemas de manejo durante a amamentação, como esvaziamento incompleto das mamas após o aleitamento.

Como tratar: Retire um pouco de leite antes das mamadas. O hábito amolece a aréola e facilita a pega do bebê. Também vale colocar o pequeno para mamar em posições que diminuam o volume do fluxo de leite. A dica é que a mãe fique reclinada ou semi-deitada, com o bebê por cima (a chamada laid back position), ou então deixe a criança sentada ou de cavalinho. Mais uma recomendação é checar após as mamadas se algum lugar na mama ainda está com leite parado. Se necessário, remova (com extração manual ou usando uma bomba). O leite excedente você pode oferecer ao seu filho quando necessário ou doar a um banco de leite. Esta atitude salva vidas!

9. Bebê que mama a todo momento

Aqui é importante pontuar: os bebês mamam frequentemente. Pois, cada um tem a sua demanda, mas a tendência é que as mamadas ocorram de oito a 12 vezes por dia. Afinal de contas, amamentar oferece nutrientes, anticorpos e até contribui com a produção de hormônios ligados ao bem-estar. 

O que causa: Por todos os benefícios que a amamentação oferece, o bebê pode querer mamar por muitos outros motivos além da fome, o que é completamente normal. 

Como tratar: Observe os sinais de uma mamada eficiente. Eles incluem: pega adequada, sucção efetiva (quando o bebê dá goladas grandes, que consegue retirar bastante leite da mama), seis ou mais xixis ao dia e fezes de coloração amarronzada ou amarelada e semi-líquidas. Se o bebê apresenta tudo isso, está tudo normal. Ou seja, mantenha as consultas com o pediatra em dia para a correta avaliação.

10. Problemas comuns durante a amamentação: Baixa produção de leite

De maneira geral, o que determina o volume de leite produzido é o quanto de leite é retirado das mamas. Portanto, quanto mais o bebê mama, maior será a produção. Contudo, em situações bastante específicas, a mulher também pode produzir pouco leite.

O que causa: Uso de determinadas medicações, gravidez, desnutrição, restos placentários após o parto, uso de álcool, tabagismo, doenças ou malformações do bebê, alterações hormonais da mãe ou desenvolvimento inadequado das glândulas mamárias.

Como tratar: Se a causa for um manejo inadequado, corrigindo o que estiver incorreto, a tendência é que o bebê mame mais e a produção aumente. Por outro lado, nos casos específicos, o pediatra deve ser consultado para investigar a causa e apontar o tratamento necessário. 

Problemas comuns durante a amamentação: É possível manter a amamentação nesses casos?

Sim. Além das indicações de tratamento específicas, a regra geral para qualquer um desses problemas comuns durante a amamentação é que a mulher procure um profissional de saúde habilitado nesse tipo de atendimento. Pediatras, enfermeiros obstetras e consultores de amamentação podem ajudar. Além disso, outra forma de buscar ajuda é em bancos de leite.

Também vale lembrar que o uso de bicos artificiais atrapalha o aleitamento. Pois, o problema é que esses utensílios exigem menos esforço do bebê (mesmo sugando pouco, o líquido sai, diferente do que acontece ao mamar no peito). Ou seja, se a criança se acostuma dessa forma, a tendência é recusar o peito, e daí a produção de leite diminui e as complicações aparecem.

Por fim, caso você apresente qualquer um desses problemas comuns durante a amamentação, busque ajuda. Assim, amamentar, na grande maioria das vezes, exige esforço, aprendizado e adaptações de mãe e filho. Mas, a boa notícia é que profissionais habilitados contribuem para que esse processo se torne mais fácil, fazendo com que todo o afeto e os nutrientes que o bebê precisa cheguem até ele de uma maneira prazerosa e confortável para todos.

Fonte: Dra. Carla Nicolini é pediatra (CRM 140945), consultora em aleitamento materno e laserterapeuta.

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