Gastrite: O que é, sintomas, tratamentos e causas

30 de junho, 2021

A gastrite ocorre quando a mucosa que reveste o estômago está inflamada, irritada  ou com a presença de alguma infecção. De forma geral, existem dois tipos: a gastrite aguda, que se manifesta e depois “vai embora”; e a crônica, que perdura por meses ou anos. 

Quais os sintomas da gastrite?

Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa e, às vezes, ser até assintomática. Contudo, os sintomas mais comuns são: dor ou desconforto na região abdominal superior (abaixo do osso esterno, onde começa o estômago), náuseas, vômitos, enjoo, sensação de má digestão dos alimentos, estufamento da parte alta do abdômen e perda do apetite. Soluços frequentes, vômitos com sangue, fezes muito escurecidas e dores abdominais durante o sono também fazem parte do conjunto de sintomas. Além disso, algumas vezes, a gastrite pode desencadear também um quadro de refluxo gastroesofágico, que causa o retorno do conteúdo do estômago para o esôfago, e leva ao sintoma de queimação no peito, azia e gosto amargo na garganta e na boca. 

Possíveis causas e principais dicas para evitar a gastrite

A principal causa da gastrite é o desequilíbrio entre a quantidade de ácido presente no estômago, e as barreiras que a mucosa do estômago possui para se proteger do seu próprio ácido. Ou seja, quando há um excesso de produção de ácido pelo estômago ou quando há uma diminuição da proteção do estômago ocorre a gastrite. 

Este desequilíbrio acontece em algumas situações como consumo excessivo de álcool, uso de medicamentos como antiinflamatórios e aspirina, estresse, tabagismo, intolerâncias alimentares, anemia por falta de vitamina B12, vômitos crônicos, gastrite autoimune (quando o próprio corpo produz anticorpos que combatem e agridem as células gástricas do próprio organismo) e infecção por vírus ou bactérias. 

A infecção pela bactéria Helicobacter pylori é a mais conhecida e comum. Mas, ela se multiplica na mucosa estomacal e libera uma enzima que altera o pH do estômago, que se torna mais ácido. 

A transmissão do H. pylori ocorre por meio da ingestão de água e alimentos contaminados e de pessoa para pessoa. Assim, muitos indivíduos possuem a bactéria, mas ela não se manifesta quando as barreiras de defesa do estômago estão competentes. Por isso é importante ter uma alimentação equilibrada, sem abuso de álcool, cafeína e alimentos gordurosos, condimentados e que contenham conservantes. 

Levar a vida com uma rotina regrada e sem abalos emocionais pode ajudar a evitar o problema. Além disso, outro hábito que pode ser evitado é a automedicação, principalmente se você ingere analgésicos, anti-inflamatórios e antiácidos sem prescrição. Tais medicamentos podem piorar a situação e dificultar o diagnóstico preciso. 

Por todas essas razões, é fundamental ter uma avaliação e acompanhamento por um médico especializado no assunto.

Como funciona o tratamento

Para o tratamento é importante um diagnóstico preciso que é baseado na avaliação médica especializada e na realização de exames. A endoscopia digestiva alta é um destes exames e geralmente é feita uma pesquisa para checar se a bactéria H. pylori está presente no estômago. Sendo o H. pylori a causa da gastrite, o médico prescreverá antibióticos para combatê-lo. Além disso, combinado com o uso de outros remédios para aliviar os desconfortos e reequilibrar o pH do estômago. 

Durante o tratamento será necessário mudar alguns hábitos alimentares. Então, como já dito, você precisará:

  • Evitar alimentos fritos, ricos em gorduras, conservantes e condimentos (como pimenta) que dificultam a digestão
  • Diminuir o consumo de cafeína
  • Evitar leite e seus derivados e glúten
  • Cortar o consumo de álcool e cigarro
  • Fazer refeições fracionadas a cada 3h
  • Beber muita água
  • Mastigar muito bem os alimentos 
  • Por fim, avaliar a continuidade do uso de alguns tipos de medicamentos, caso você o faça

E o principal: ter paciência e disciplina para tomar a medicação nos horários corretos e focar na mudança de hábitos. Mas, não deixe de retornar ao médico conforme as orientações do profissional para garantir o sucesso do tratamento.

Alimentos que ajudam a controlar a gastrite

Legumes e verduras

Os legumes e os vegetais cozidos são os alimentos ideias para quem sofre de gastrite. Além deles, as folhas também são muito recomendadas. Ou seja, além de ajudarem no controle do pH estomacal, esses alimentos são anti-inflamatórios e acalmam o estômago.

Frutas

Com exceção das frutas cítricas, que podem irritar o estômago, demais frutas são excelentes para controlar a gastrite. Em especial, frutas mais densas como a banana e a maçã, que possui efeito antiácido, são ótimas opções. Além disso, as frutas vermelhas também promovem efeito similar, pois são ricas em antioxidantes.

Sardinha

A sardinha é um peixe saboroso e acessível, mas que também pode ajudar no controle e alívio da gastrite. Ótima fonte de proteína, ela é também rica em ômega-3. Assim, ajuda a desinflamar o organismo e acalmar o estômago. Da mesma forma, o consumo de salmão é recomendado.

Ervas calmantes

Ainda, ervas calmantes como a hortelã, o alecrim e a camomila podem ajudar no alívio dos sintomas da gastrite e na digestão. Por isso, beber o chá de algumas dessas ervas antes das refeições pode ajudar a acalmar o estômago, além de evitar a azia, gases e possíveis cólicas.

Fonte: Samuel Okazaki (CRM/SP 115.585),  gastroenterologista clínico e cirúrgico, especialista em videolaparoscopia e coloproctologia. Formado pela Escola Paulista de Medicina – UNIFESP. 

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