Gastrite nervosa: O que é, sintomas e tratamentos

4 de agosto, 2021

A gastrite nervosa é uma doença orgânica bastante comum nos dias atuais, já que, apesar de não haver uma causa única, o estresse, a ansiedade e o estilo de vida interferem diretamente nos sintomas. Segundo Júlio Veloso, gastroenterologista do Hospital Anchieta de Brasília, o termo “gastrite nervosa” é usado pela população de forma geral para rotular sintomas de dor ou queimação na altura do estômago desencadeados após algum tipo de tensão emocional. “No cenário atual de pandemia, claramente temos observado que as pessoas têm se referido mais à ansiedade pelo próprio medo da doença e também pelo isolamento social”, diz.

Para Tabata Cristina Alterats Antoniaci, gastroenterologista do Grupo São Cristóvão Saúde, é importante a realização de uma abordagem global pelo médico, avaliando se outras patologias se somam ao quadro. Em alguns casos, o tratamento da ansiedade acaba se tornando fundamental para a melhora dos sintomas gástricos, por exemplo.

Leia também: Alimentos que ajudam a controlar a gastrite

Causas orgânicas ou estresse?

Outra questão citada pela médica é a necessidade de descartar causas orgânicas na avaliação de pacientes que possam apresentar gastrite nervosa. “Não podemos dizer que uma pessoa está estressada e é isso. Temos que fazer o diagnóstico correto, lançando mão dos exames de imagem para complementar a anamnese (entrevista ao paciente) e o exame físico do médico. Sendo descartado, então entramos no quadro de doenças ‘funcionais’. É importante primeiro explicar para o paciente que o que ele sente existe de fato, não é algo que ele criou, que tem tratamento e ele não está sozinho”, declara.

Como tratar a gastrite nervosa

O tratamento da gastrite nervosa deve ser feito de forma global, para que o médico entenda o que está causando a doença. “Após uma boa conversa, o paciente é encaminhado para tratamento conjunto com nutricionista, psicólogo e, se necessário, um psiquiatra, formando-se uma equipe multidisciplinar”, explica Patrícia.

De acordo com Júlio Veloso, se for preciso indicar o uso de algum medicamento no tratamento, a definição deve considerar os sintomas do paciente. “Nos casos em que a dor é o sintoma predominante, nós costumamos usar antiácidos. Ou, então, classes de medicamentos que diminuem a produção de ácido gástrico e reduzem a acidez gástrica. Quando os sintomas são mais relacionados com má digestão, como quando o indivíduo fica nauseado ou empachado depois que come, costumamos usar outro tipo de medicamento, que melhora o esvaziamento gástrico. São os que chamamos de pró-cinéticos.”

Leia também: Gastrite: O que é, sintomas, tratamentos e causas

Pequenas mudanças, grandes efeitos

A gastrite nervosa pode aparecer em qualquer momento da vida, mas algumas mudanças no estilo de vida e na alimentação podem ajudar a evitar ou tratar os sintomas. De acordo com o gastroenterologista Júlio, uma dieta mais saudável e balanceada é sempre positiva para o bem-estar digestivo. Assim, é essencial consumir fibras, frutas, verduras, farelos e não exagerar na ingestão de carnes e gorduras. “Isso vai propiciar o desenvolvimento de uma flora bacteriana intestinal, que a gente chama de microbiota intestinal, menos patogênica e, consequentemente, menos lesiva pelas células intestinais”, esclarece.

Outro ponto citado pelos especialistas é uma rotina mais ativa e regrada. Júlio considera a prática de atividade física regular e a determinação de horários para o lazer como fatores que contribuem para a melhora da saúde global do indivíduo. “Para aqueles indivíduos mais estressados, eu sempre recomendo a busca de terapias alternativas, tais como meditação, yoga, exercícios de relaxamento. E, em vários casos, um psicólogo pode ajudar muito.”

Já Patrícia destaca que existe uma série de coisas que podem ser alteradas no dia a dia para reduzir os quadros de estresse e ansiedade. “Primeiro, oriento que o paciente tente achar o que mais lhe atinge para tentar mudar. Atividade física ajuda muito na liberação de endorfinas, então vale caminhada, meditação, yoga. E sempre tenha na sua semana, na sua rotina, encontros com pessoas e atividades que causem calma e prazer. Vale encarar as coisas de modo leve e entender que todos têm ‘leões’ para enfrentar e que devagar os venceremos.”

Fontes: Júlio Veloso, gastroenterologista do Hospital Anchieta de Brasília e Tabata Cristina Alterats Antoniaci, gastroenterologista do Grupo São Cristóvão Saúde.

Sobre o autor

Redação
Redação
Todos os textos assinados pela nossa equipe editorial, nutricional e educadores físicos.