Fibromialgia: o que é a doença, sintomas e tratamento

5 de abril, 2022

A fibromialgia (FM) faz parte do rol de doenças misteriosas para a medicina, pois não existem causas definidas ou estudos com conclusões sobre a origem da enfermidade. Contudo, sabe-se que a prevalência é mais comum entre mulheres e aumenta conforme a idade.

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Afinal, o que é a fibromialgia?

A fibromialgia (FM) é uma doença caracterizada por dores difusas no corpo. Apesar de não possuir diagnóstico preciso, acredita-se que o problema está ligado a algum tipo de distúrbio do sistema nervoso central que causa o desconforto em pontos específicos do corpo.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a cada 10 pacientes com fibromialgia, sete a nove são mulheres. Ainda não há razões que justifiquem a maior incidência do problema entre o público feminino, tampouco se há relação com hormônios. Mulheres de diversas faixas etárias são diagnosticadas com a condição, desde crianças a indivíduos na fase da menopausa — entretanto, há uma parcela favorita da enfermidade, que varia entre 30 e 60 anos.

O que acontece se não for tratada?

A fibromialgia é uma doença crônica, que irá acompanhar o indivíduo por longos períodos se não for devidamente controlada. Os episódios de dor acompanhados da constante sensibilidade nos músculos, tendões e articulações leva o paciente à exaustão. Por falta de conhecimento, muitas pessoas pensam que o problema desaparecerá sozinho ou, ainda, parte dos portadores se acostumam a conviver com a dor e deixam o tratamento de lado. Como resultado, a pessoa poderá desenvolver fadiga crônica, distúrbios do sono, problemas emocionais como depressão e ansiedade.

Causas da fibromialgia

Por enquanto não há pesquisas nem consenso médico sobre as causas definitivas da enfermidade. Sem inflamação, lesões ou mudanças estruturais, a FM chegou a ser considerada uma doença psicossomática — ou seja, sinais físicos ligados a fatores emocionais. Mas pesquisas atuais mostram pacientes com sinais de envelhecimento precoce do cérebro, o que justificaria a sensação de dor, além de possíveis distúrbios no sistema nervoso central. Por outro lado, existem outros fatores que estão em constante observação pela ciência que podem estar atrelados à FM:

  • Hereditariedade: a FM pode prejudicar membros da mesma família, o que indica a existência de algumas mutações cromossômicas que desencadeiam as dores.
  • Doenças crônicas articulares como artrite reumatoide, artrose e osteoporose são gatilhos prováveis para a repercussão da dor. Sobretudo enfermidades de origem emocional, como a depressão, o estresse pós-traumático e a bipolaridade, que possuem fortes indícios de relação com a fibromialgia.
  • Doenças autoimunes, como o lúpus.
  • Infecções por vírus também podem ser responsáveis pela fibromialgia.

Sintomas da fibromialgia

As dores são generalizadas, como se fosse uma forte gripe que causa mal-estar — essa dor é sentida “nos ossos” ou “na carne” ou ao redor das articulações. Além disso, pacientes relatam sensações de inchaço e de sensibilidade ao toque, mesmo não havendo sinais clínicos de uma possível artrite. Em geral, a pessoa sente dificuldade em identificar quando começou a dor e sua evolução (por exemplo, se o incômodo começou de forma isolada e depois alastrou para outras áreas). Outros sinais:

  • Fadiga crônica: pessoas portadoras de fibromialgia sentem falta de energia para realizar tarefas simples, que é fruto do descanso inadequado. O motivo é que a pessoa com fibromialgia não consegue se manter no estágio 4 do sono, o de descanso profundo. Portanto, acorda com frequência na madrugada e não consegue dormir.
  • Dor de cabeça e dificuldade de concentração: provavelmente são sintomas derivados da privação de sono. Sem qualidade de repouso, o corpo não responde corretamente aos estímulos. Logo, não é raro que o indivíduo sinta estresse e tenha reações típicas da condição.
  • Crises constantes de dor: sem tratamento e controle, o indivíduo terá episódios frequentes que incapacitam a rotina.

O que fazer em uma crise de fibromialgia?

Muitas vezes os portadores de fibromialgia sofrem episódios agressivos de dor, e nesses casos, é importante ir ao socorro médico se ainda não houver diagnóstico e tratamento médico. Dessa forma, são prescritos analgésicos e remédios de uso controlado para aliviar a dor. Para quem segue o tratamento para controle da enfermidade, deve utilizar a posologia correta de acordo com a recomendação médica. Ao longo da crise, também é fundamental ficar em repouso e evitar qualquer tipo de esforço físico para não agravar o quadro. De qualquer forma, mesmo com acompanhamento médico, é importante que o especialista tenha conhecimento dessas crises para novas orientações, se for o caso.

Fibromialgia e depressão

Segundo a Associação Americana de Ansiedade e Depressão, aproximadamente 20% da população que possui dores crônicas também enfrenta transtornos emocionais. Não à toa, pois os sintomas da fibromialgia afetam gradualmente a qualidade de vida do indivíduo. Um dos distúrbios psicológicos mais comuns entre pessoas com a FM é a depressão e ansiedade, provocada pelas noites mal dormidas e mudanças na rotina com dificuldades para se locomover ou realizar outros tipos de atividade. Tais condições e falta de perspectiva para a cura fazem com que o indivíduo passe a se isolar aos poucos, o que favorece o quadro depressivo. Segundo o Ministério da Saúde, a dor crônica leva à depressão e, como em um círculo vicioso, a depressão leva à mais dores crônicas.

Diagnóstico

Diferentemente de outras doenças, a fibromialgia é diagnosticada de forma clínica. Em outras palavras, não existem exames que sinalizem a manifestação da doença, que é detectada por meio de uma análise médica minuciosa. Na reumatologia, existe um protocolo que ajuda a definir se o paciente tem uma doença reumática ou outra. Normalmente o critério se aplica à fibromialgia, em que são analisados o tempo da dor, que deve ser superior a três meses; o tipo da dor, de característica difusa; e a presença de pontos dolorosos em determinadas partes da musculatura (11 locais, aproximadamente).

Principais pontos de dor

Chamados trigger points, estes pontos são típicos da fibromialgia, cuja dor pode irradiar se as crises forem agudas. São eles:

  • Frente do pescoço: 2 pontos;
  • Atrás do pescoço: 2 pontos;
  • Parte superior do peito: 2 pontos;
  • Parte superior das costas: 4 pontos;
  • Dobra dos braços: 2 pontos;
  • Região lombar: 2 pontos;
  • Abaixo das nádegas: 2 pontos;
  • Nos joelhos: 2 pontos.

No entanto, mesmo que alguns critérios não sejam inteiramente preenchidos, como a quantidade de pontos de dor, isso não significa que o indivíduo não tenha fibromialgia. Por essa razão, além do protocolo estabelecido, é importante que o médico analise o estilo de vida da pessoa e todas a suas queixas, que vão do sono à saúde mental. Embora os exames disponíveis atualmente não identifiquem a fibromialgia, o médico pode solicitar alguns testes laboratoriais para descartar ou considerar outros tipos de doença.

Tratamento e prevenção

Infelizmente ainda não há cura para a síndrome, mas o prognóstico é positivo quando o indivíduo busca tratamento, que consiste no uso de medicamentos, terapias e mudança de alguns hábitos. Por exemplo:

  • Fisioterapia: o acompanhamento assistido auxilia nos movimentos e no fortalecimento dos músculos.
  • Alimentação saudável: hábitos alimentares saudáveis podem evitar incômodos recorrentes. Apesar de não haver comprovação, alguns alimentos possuem propriedades que favorecem a inflamação do organismo. Portanto, seguir uma alimentação mais saudável possível, com menos ultraprocessados, açúcares e gorduras é desejável.
  • Alívio de estresse: a tensão enrijece a musculatura do corpo. Desse modo, massagens e métodos de relaxamento contribuem para o alívio da dor.
  • Acompanhamento psicológico: o apoio emocional é um forte aliado contra as crises, pois ajuda o indivíduo a ter uma perspectiva diferente sobre sua realidade.

Remédios para quem tem fibromialgia

Para controlar as crises, os remédios mais utilizados são:

  • Analgésicos de ação central.
  • Antidepressivos.
  • Corticoesteroides.
  • Anti-inflamatórios.
  • Antiepilépticos.
  • Medicamentos para melhorar o padrão do sono.
  • Relaxantes musculares.

Exercícios para quem tem fibromialgia

Quando a pessoa começa a responder ao tratamento e ficar mais disposta, é possível incluir uma rotina de treinos que ajuda a melhorar o humor e a qualidade de vida. No entanto, é importante ter a mínima recuperação para iniciar uma atividade física, pois fazê-las com crises de dor pode piorar o quadro e desmotivar a pessoa. Logo, apostar em modalidades relaxantes e desafiadoras são boas alternativas. Contudo, é fundamental que as atividades tenham supervisão profissional e, se possível, com experiência em casos de pessoas com fibromialgia. Alguns exemplos:

  • Natação: de baixo impacto, a modalidade ajuda a trabalhar todo o corpo, além do condicionamento cardiorrespiratório.
  • Yoga: possui diversos estilos de prática, e alguns focam mais na permanência da postura, enquanto outros são mais dinâmicos. Mas todos trazem mais consciência para o momento presente, para a respiração e para o corpo. Isso ajuda a relaxar e a melhorar o humor.
  • Pilates: no solo ou na máquina, o Pilates é uma excelente forma de fortalecer a musculatura profunda muscular, que ajuda no controle da dor. Além disso, como toda atividade física, melhora a disposição e a qualidade de vida.
  • Treinamento aeróbico: caminhada, ciclismo, elíptico, corrida… Desde que feitos com supervisão médica, o exercício aeróbico melhora a saúde do coração e o condicionamento físico. Basta 30 minutos de atividade diária em intensidade moderada para sentir os benefícios.
  • Musculação: o fortalecimento muscular é um aliado da prevenção e do controle da fibromialgia. Por isso, busque um profissional capacitado para elaborar uma planilha de treino personalizada e acompanhar a execução dos exercícios.

Alimentação para controlar os sintomas

No caso da fibromialgia, faz toda a diferença focar em uma dieta anti-inflamatória, já que a dor é consequência de um processo inflamatório ainda que sua origem seja desconhecida. Logo, evitar alimentos com esse potencial, como os ultraprocessados e açúcares, é uma mudança significativa para o controle da fibromialgia. Veja dicas para melhorar sua alimentação:

  • A variedade na alimentação é um dos pilares da boa saúde. Priorize o consumo de frutas, vegetais e alimentos ricos em gorduras saudáveis.
  • Inclua no cardápio fontes de fibras e capriche na ingestão de água. Afinal, o distúrbio intestinal é um dos sintomas da fibromialgia e precisa de cuidados.
  • Alguns protocolos de dieta podem ser eficazes para o gerenciamento da doença, como os programas low-carb e keto. O consumo baixo de carboidratos pode ser positivo não apenas para a fibromialgia, mas para outros problemas de saúde que têm como sintoma o quadro inflamatório. As dietas vegetariana e mediterrânea também já apresentaram bons resultados na redução de inflamações e na prevenção de doenças cardiovasculares.
  • Modere o consumo de carnes, sobretudo as vermelhas, que são mais gordurosas e apresentam potencial inflamatório. Prefira carnes grelhadas de outros tipos, como a de frango e peixe.

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Dúvidas comuns

Veja algumas perguntas que muitas pessoas com fibromialgia têm a respeito da patologia:

Sinto muito cansaço, mesmo sem problemas aparentes para dormir. É normal?

Sim, pois o ciclo do sono entre pacientes com FM é diferente e não chega ao estágio de descanso profundo. Dessa forma, é normal acordar e sentir que não dormiu direito, mesmo se descansou o número de horas recomendado. Ao longo do dia, essa indisposição pode se tornar mais evidente ao caminhar, pegar um objeto ou trabalhar.

Tenho muita dor, principalmente à noite. Existe alguma razão para isso?

Não há achados científicos que justifiquem a dor intensa no período da noite, mas pode haver algumas explicações para tal. Por exemplo, se você teve um dia estressante, provavelmente o seu corpo sentiu a tensão e refletiu nos músculos e articulações. Outra causa pode ser alguma atividade realizada que trouxe a fadiga muscular, como um exercício de alta intensidade. Além disso, muitas pessoas com doenças reumáticas sentem mais dor à noite, quando as temperaturas estão mais baixas, e em estações de clima mais frio, como o outono e o inverno.

Estou com muitas dores há muito tempo. O que eu faço?

A princípio, procure um médico (veja as especialidades no tópico a seguir) para avaliar o seu caso e relate há quanto tempo está sentindo dor, pois essa informação é um dos principais critérios de diagnóstico da fibromialgia. Se for superior a 3 meses, é bem provável que seja FM, mas o especialista deve analisar outros fatores para chegar à conclusão clínica.

Profissionais que podem identificar ou tratar a fibromialgia

Ter uma equipe multidisciplinar traz muitos benefícios para a pessoa portadora de fibromialgia. Confira algumas especialidades que podem fazer a diferença no seu tratamento:

  • Clínico geral: é o médico que possui conhecimento em diversos tipos de enfermidade, capaz de estudar e diagnosticar a fibromialgia. Se houver necessidade de outros tipos de opinião, o próprio especialista encaminha para a área médica mais adequada.
  • Reumatologista: especialista em doenças inflamatórias articulares e autoimunes. É altamente qualificado para atender aos casos de fibromialgia, pois investiga com afinco a origem do problema.
  • Fisioterapeuta: atua quando a doença já foi diagnosticada, com terapias que ajudam a aliviar os sintomas e trazer mais qualidade de vida.
  • Nutricionista: pode ser um aliado para elaborar um plano de alimentação voltado para ter mais energia, disposição e para auxiliar a desinflamar o organismo.

Links úteis

Confira materiais de instituições renomadas que ajudam com mais informações sobre o tema.

Cartilha da Sociedade Brasileira de Reumatologia

Ministério da Saúde – Protocolo de atendimento de doenças reumáticas e ortopédicas (item 1.7 relacionado à fibromialgia)

Hospital Sírio-Libanês – conteúdo sobre fibromialgia

Associação Americana de Ansiedade e Depressão – material relacionado à fibromialgia

Referências: Sociedade Brasileira de Reumatologia; Rede D’Or São Luiz; Hospital Sírio-Libanês; Ministério da Saúde; Associação Americana de Ansiedade e Depressão.

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