Você sabe o que é a anemia aplástica,? Conhecida também como aplasia medular, ela causa uma alteração na medula. O médico onco hematologista Celso Arrais explica quais são as causas, os sintomas e os tratamentos da condição.
Segundo o especialista, a anemia aplástica acontece quando existe uma diminuição no tamanho e quantidade dos componentes do sangue — hemácias, plaquetas e leucócitos. Isso desencadeia uma alteração na medula óssea.
A medula óssea é o tecido encontrado no interior dos ossos, também conhecido popularmente por tutano. Sua função é produzir células-tronco, ou seja, células jovens para conseguir se diferenciar em diversas linhagens celulares.
Existem duas formas de se originar a anemia aplástica: adquirida ou congênita. “A congênita, a pessoa já nasce com a doença, sendo geralmente diagnosticada pelos médicos já nos primeiros meses de vida”, comenta. Além disso, o médico ressalta que as causas nos casos congênitos estão associadas às questões fisiológicas, próprias do organismo da criança.
“Já em casos adquiridos pode estar ligado ao uso de alguns tipos de medicamentos, neoplasias no sangue, exposição a radiação ou outras substâncias químicas”, esclarece.
De acordo com o médico, os principais sintomas da anemia aplástica são:
Outros sintomas podem estar relacionados com a anemia aplástica, por exemplo, infecções frequentes, hematomas sem causa aparente, hemorragias excessivas em pequenos cortes, falta de ar, taquicardia, hemorragia na gengiva, tontura, dor de cabeça e erupção na pele. Além disso, vale destacar que tais efeitos da anemia aplásica costumam se desenvolver lentamente ao longo de semanas ou meses.
O especialista explica que não é tão fácil identificar a presença da anemia aplástica, uma vez que os sinais e sintomas da condição podem ser confundidos com outros quadros clínicos. Entretanto, o processo de detecção da anemia aplástica começa pelo mesmo caminho que a detecção de qualquer outro problema relacionado às doenças do sangue: por meio do hemograma.
“É nele que o médico poderá observar se há algum tipo de alteração que mereça ser investigada com mais afinco. No caso da anemia aplástica, com o hemograma tradicional é solicitado também o mielograma que avalia a produção das células pela medula”, informa.
Além do hemograma, ainda é possível diagnosticar por meio de biópsia da medula óssea, raio-x dos ossos, dosagem da vitamina B12, teste da ferritina, sorologia para infecções virais, exames bioquímicos, estudo citogenético e coombs direto e indireto.
Existem algumas maneiras de tratar a anemia aplástica e elas variam de acordo com o perfil do paciente. “Essas formas são prescritas conforme o quadro médico e até mesmo a idade que o paciente apresenta. Geralmente, são utilizados medicamentos que ajudam a estimular a medula óssea, que normaliza a produção dos componentes necessários”, explica.
Além disso, é possível trilhar também um tratamento a base de transfusão de sangue ou até mesmo o transplante de medula óssea. No entanto, de qualquer forma, deve ser feita uma análise individualizada dos casos.
Leia também: Anemia perniciosa: entenda a doença causada por deficiência de vitamina B12
Os tipos de transplantes de medula óssea indicados para o portador de Anemia Aplástica Severa e muito Severa são:
O médico comenta que, normalmente, a anemia aplástica não chega a afetar a vida do paciente de forma drástica. “Nesses casos, o tratamento é simples e possibilita que o paciente viva normalmente”, diz.
No entanto, se existe a presença de outras doenças, como a leucemia, os cuidados são maiores, necessitando de Transplante de Medula Óssea (TMO) e outros tipos de tratamentos mais agressivos.
“Nesses casos mais graves, o paciente costuma passar por um período de internação para os procedimentos necessários, de recuperação pós-TMO. Mas ainda assim, após a cura, ele segue com a vida tranquilamente”, tranquiliza.
Existem, ainda, alguns cuidados que devem ser levados em consideração por aqueles que vivem com anemia aplástica. Por exemplo:
Fonte: Celso Arrais, onco hematologista do hospital Nove de Julho