Leucemia infantil: o que é, sintomas, causas e tratamentos

Ainda que seja desafiador assimilar que crianças podem receber o laudo médico de um câncer, é importante ter em mente que a doença também atinge os pequenos. O tipo mais comum da enfermidade na faixa etária pediátrica é a leucemia infantil.

De acordo com Carlos Eduardo Fernandes, oncologista pediátrico do A.C. Camargo Cancer Center, a leucemia linfóide aguda infantil (LLA) também é chamada de neoplasia maligna hematológica. “Ela ocorre a partir de uma célula percursora da medula óssea que sofreu mutações genéticas na sua origem e nos seus clones. Essas alterações resultam em células não funcionais, que antes poderiam originar as sanguíneas (hemácias, leucócitos e plaquetas). No entanto, passam a não ter regulação na sua divisão celular e não adquirem a funcionalidade devida”, explica o médico.

Sem a produção devida das células sanguíneas, a criança pode vir a ter anemia, queda de imunidade e apresentar sangramentos. Além disso, as células cancerígenas, chamadas de blastos leucêmicos, podem se instalar em órgãos como o fígado ou baço. Elas também podem atingir a pele, partes moles do organismo, linfonodos, nervos cranianos e até mesmo o líquor.

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Quais são as possíveis causas desta doença?

Ainda não existe uma resposta absoluta para esta pergunta. No entanto, segundo o especialista, a principal teoria sobre a leucemia infantil é que ela é uma consequência de alterações genéticas em uma célula percursora das sanguíneas na medula óssea. “Assim, ela não depende da herança genética (alterações do DNA herdadas dos pais) para acontecer, mas de mutações que se desenvolvam desde a formação do embrião durante a gestação”, completa Carlos.

Embora esta seja a explicação mais consistente sobre a doença até o momento, outras teorias continuam sendo avaliadas. De acordo com Cláudia de Souza, hematologista e pediatra do Oncobio, câncer center do Grupo Oncoclínicas, há a possibilidade de síndromes que geram uma predisposição à leucemia infantil.

“Uma delas é a trissomia do cromossomo 21 presente nas crianças com Síndrome de Down. Outros exemplos são a Síndrome de Li-Fraumeni, Neurofibromatose tipo I, Anemia de Fanconi, Síndrome de Bloom e entre outros”, enumera a médica.

Além disso, há estudos também que associam este tipo de câncer infantil à exposição ambiental a pesticidas e uso de certos medicamentos durante a gravidez.

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Sintomas da leucemia infantil

Os indicativos da leucemia infantil estão ligados a reprodução celular descontrolada dentro da medula óssea e vão variar de acordo com os órgãos que estão sendo afetados pela doença. Desse modo, os principais sintomas citados pelos especialistas são:

  • Palidez generalizada;
  • Manchas roxas e pontinhos vermelhos pelo corpo;
  • Sangramentos nasal e na gengiva;
  • Febre;
  • Dor nas pernas;
  • Dor nas articulações;
  • Aumento de gânglios linfáticos ou ínguas;
  • Testículos aumentados;
  • Paralisia facial.

Em suma, como estes sinais podem indicar outras enfermidades comuns entre as crianças, um bom especialista mostra-se ainda mais crucial para chegar à conclusão correta sobre o quadro infantil.

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Como é feito o diagnóstico deste câncer?

A princípio, caso haja suspeita da leucemia infantil, o primeiro exame pedido é um hemograma completo. Por meio dele, o médico pode analisar se há uma baixa na produção de todas as linhagens de células sanguíneas bem como se há um aumento acima do normal dos glóbulos brancos. Ambos indicam a doença cancerígena.

Em seguida, recomenda-se que o especialista realize o mielograma. Por meio dele, retira-se um pequeno volume de sangue da medula óssea e assim a morfologia e o funcionamento dessas células são analisados.

O material coletado também é utilizado para o teste de citogenética. Ele tem como função avaliar os cromossomos e indicar possíveis alterações relacionadas a doença. “Outros exames que complementam o diagnóstico são o cariótipo de medula óssea e de biologia molecular”, enumera Cláudia.

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Tratamentos para leucemia infantil

Segundo a hematologista, o protocolo de combate à leucemia infantil aguda é uma combinação entre medicamentos quimioterápicos e radioterapia. Nesse meio tempo, o transplante de medula óssea também pode ser necessário. “Além do tratamento oncológico, o paciente também necessita de uma equipe multiprofissional que envolve pediatras, enfermeiros, psicólogos e fisioterapeutas”, reforça Cláudia.

Em síntese, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 80% das crianças e adolescentes que possuem algum tipo de câncer infantojuvenil podem ser curados quando o diagnóstico é feito precocemente e este público recebe o tratamento adequado.

Fontes: Dr. Carlos Eduardo Ramos Fernandes, oncologista pediátrico do A.C. Camargo Cancer Center e parceiro no Hospital Infantil Sabará, Dra. Cláudia de Souza, hematologista e pediatra do Oncobio, câncer center do Grupo Oncoclínicas em Minas Gerais, Oncoguia, Revista Abrale e Instituto Nacional de Câncer (INCA).