Giardíase: Infecção intestinal é mais comum em crianças

20 de setembro, 2021

A giardíase é uma infecção no intestino causada pelo parasita Giardia lamblia, que faz parte do grupo dos protozoários. De acordo com Victor Bertollo, infectologista do Hospital Anchieta de Brasília, a transmissão da doença ocorre, principalmente, por meio da ingestão dos cistos do parasita.

Essa contaminação pode ocorrer tanto pelo consumo de água quanto de alimentos que estejam contaminados com fezes de animais doentes. Também é comum o contágio por maus hábitos de higiene, como não lavar corretamente as mãos e levá-las à boca. Ou até mesmo pelo contato direto com fezes de outro indivíduo, o que pode ocorrer, por exemplo, por determinadas práticas sexuais sem proteção.

A doença costuma ser mais frequente na população infantil, uma vez que as crianças são mais suscetíveis aos fatores de risco. Além disso, é transmitida com mais facilidade em regiões com pouca ou nenhuma condição de saneamento básico, apesar de aparecer em qualquer local por conta da transmissão entre pessoas contaminadas.

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Como se dá a infecção por giardíase?

“Após a infecção, o parasita se aloja no intestino delgado, promovendo uma inflamação da superfície do intestino e prejudicando a absorção dos nutrientes. Isso leva a um quadro predominante de diarreia”, explica Victor.

O médico argumenta que 5% a 15% dos casos de giardíase são assintomáticos. Já os principais sinais, além da diarreia, são: flatulência, dor abdominal, distensão do abdômen, fezes com excesso de gordura, náuseas e perda de peso.

O diagnóstico da doença é feito pela análise dos sintomas, pela avaliação clínica e pelo exame parasitológico de fezes, que detecta os cistos do parasita por microscopia direta. Existe, além disso, a possibilidade de realizar exames específicos nas fezes. Entre eles estão a pesquisa de antígenos (pedaços do parasita) ou mesmo de material genético, mas eles não são feitos todos os laboratórios.

“Quadros arrastados ou mais intensos de giardíase podem levar à desnutrição e à perda de peso, o que pode se manifestar em restrição de crescimento nas crianças”, avalia o infectologista. “Em cerca de 40% dos casos, a infecção leva ainda a uma intolerância transitória à lactose, o que piora a diarreia após a ingestão de leite e derivados, podendo persistir por algumas semanas após a resolução da infecção.”

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Fatores de risco e tratamento

Victor alerta que os fatores de risco mais comuns são: locais com pouco saneamento e condições de higiene; ingestão de água contaminada (incluindo a ingestão acidental durante atividades recreativas em água doce, como rios, lagos e piscinas); consumo de alimentos crus, mal cozidos ou mal lavados; práticas sexuais sem proteção; exposição de crianças em escolas e creches; falta de higiene correta na hora da troca de fraldas e limpeza após a evacuação de crianças pequenas; e, por fim, certas imunodeficiências. “Pessoas que têm cachorros de estimação podem também se infectar por uma espécie de giárdia específica”, complementa.

O tratamento é realizado com medicação, que combate o protozoário causador da giardíase, mas sempre com necessidade de prescrição médica.

Por fim, o infectologista observa a importância da prevenção, que se dá, sobretudo, pela higiene adequada das mãos, consumo apenas de água tratada e alimentos higienizados. “Ao viajar para locais de risco, se assegure da qualidade da água a ser ingerida ou utilize tratamento específico para a água antes da ingestão (fervura ou filtragem). Ainda é importante o diagnóstico, o tratamento e o afastamento temporário de pessoas com giardíase para evitar a ocorrência de casos secundários”, conclui.

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Fonte: Victor Bertollo, infectologista do Hospital Anchieta de Brasília.

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