Exame de triglicerídeos: Por que fazer e como interpretar?

Saúde
03 de Janeiro, 2022
Exame de triglicerídeos: Por que fazer e como interpretar?

Os dados dos triglicerídeos (ou triglicérides) são comuns no resultado do exame de sangue. Mas nem todo mundo sabe o que eles representam. E nem o que leva ao aumento nos valores e, principalmente, quais são os perigos de manter níveis elevados desse marcador.

Assim como o colesterol total e os tipos HDL (conhecido também por colesterol “bom”), LDL (colesterol “ruim”) e VLDL (na sigla em inglês, very-low-density lipoprotein), os triglicerídeos integram o conjunto de exames que analisam o perfil lipídico do paciente. Lipídios são as principais moléculas de gordura que circulam pelo organismo.

Produzidos no fígado após a metabolização do excesso de carboidratos, gorduras ou álcool ingeridos, os triglicerídeos são carregados pelo VLDL. Como a produção do VLDL é inibida pela insulina (hormônio produzido pelo pâncreas e responsável por entregar a glicose às células para ser transformada em energia), quando estamos comendo e liberando insulina, sinalizamos ao organismo que há energia disponível. E que, portanto, não há necessidade de os triglicerídeos serem produzidos, já que a função deles é ser a reserva energética.

“No entanto, quando há resistência à insulina, como na obesidade, na síndrome metabólica e no diabetes, o fígado passa a liberar mais VLDL”, explica Thiago Fraga Napoli, representante da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia — Regional São Paulo (SBEM-SP).

De acordo com Napoli, o perfil mais comum do paciente com exame de triglicerídeos alterado é aquele com excesso na ingestão de calorias pela dieta. E, desse modo, maior resistência à insulina. Outras causas, ainda que menos comuns, são a desregulação dos hormônios cortisol ou do crescimento e o uso de anticoncepcional oral.

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Como interpretar o exame de triglicerídeos

Triglicérides acima de 150 mg/dL, em exame feito em jejum, em adultos, devem chamar atenção de médicos e pacientes, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia. Em crianças e adolescentes, os níveis desejáveis são abaixo de 75 mg/dL (entre 0 a 9 anos) e de 90 mg/dL (entre 10 a 19 anos).

Manter níveis elevados dos triglicérides aumenta o risco de problemas cardiovasculares. Acima de 500 mg/dL ou 1000 mg/dL, em adultos, pode levar à aterosclerose (acúmulo de placas de gordura nas artérias) e pancreatite (inflamação no pâncreas). Em contrapartida, não há riscos quando o nível está muito baixo, exceto em situações de desnutrição.

Casos com níveis muito alterados, em geral, estão associados a deficiências familiares de metabolização do colesterol, como a síndrome da quilomicronemia família, doença hereditária e rara caracterizada pela dificuldade no processo de digestão das gorduras. Pessoas com esse diagnóstico podem apresentar concentrações que ultrapassam os 10 mil mg/dL de triglicerídeos.

De acordo com Marcelo Bertolami, assessor científico da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), crianças com histórico familiar de problemas cardíacos devem ter o perfil lipídico dosado a partir dos 10 anos, para identificar precocemente alterações nos níveis dos triglicerídeos.

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Recomendações

Ao contrário do colesterol, que pode exigir a prescrição de medicamentos para reduzir as taxas, é possível baixar os níveis dos triglicérides com uma mudança no estilo de vida, de acordo com Bertolami.

“Na maioria das vezes, basta fazer exercício físico, mudar a alimentação e emagrecer. A chance de precisar de remédio é muito menor”, explica. Segundo o especialista, o que estimula o fígado a fabricar os triglicérides é a ingestão dos carboidratos chamados simples, como açúcar, arroz branco, batata e a bebida alcoólica. “Por isso, é mais fácil ajustar”, destaca o especialista, citando a mudança na dieta.

Sem sintomas

Pessoas com triglicerídeos altos não costumam apresentar sintomas, mas podem ter queixas de indisposição, cansaço e fadiga, em alguns casos. Nos casos em que os níveis estão muito alterados, a condição apresenta lesões na pele, ou xantoma eruptivo, segundo Bertolami. “São como bolinhas de gordura que aparecem na pele e podem se espalhar pelo corpo. Mas aí a taxa já pode estar muito alta”, alerta.

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Fonte: Agência Einstein

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