Dieta japonesa ou mediterrânea: Qual é a mais saudável?

Alimentação Bem-estar
20 de Outubro, 2021
Dieta japonesa ou mediterrânea: Qual é a mais saudável?

De um lado, peixe cru com algas marinhas e verduras. Do outro, uma salada de lentilhas, azeitonas e folhas. Apesar de culturalmente muito distintos, os pratos representam dois povos conhecidos por suas alimentações saudáveis e equilibradas. Mas se fôssemos comparar as duas, qual sairia na frente: a dieta japonesa ou a mediterrânea?

Foi o que abordou Cristina Ruano Rodrigues, doutora em nutrição e professora da Universidad de Las Palmas de Gran Canaria, na Espanha, em um artigo publicado recentemente no periódico The Conversation. Afinal, o que a gente come pode trazer inúmeras consequências, e da mesma forma, prevenir as principais doenças crônicas que afetam a população (obesidade, hipertensão, diabetes e até câncer). Entenda melhor sobre a dieta japonesa e a mediterrânea:

O que faz a dieta japonesa ser considerada saudável

“Na cultura alimentar japonesa, costuma-se comer pequenas quantidades de alimentos com uma variedade importante deles, várias vezes ao dia, podendo consumir até 30 itens diferentes a cada dia. Claro, sempre em pequenas mordidas ou porções”, explica a especialista em seu texto.

Ainda de acordo com a nutricionista, na dieta japonesa, há grande presença de algas (ricas em proteínas de origem vegetal, vitaminas e fibras que beneficiam o trânsito intestinal), derivados de soja (também muito ricos em proteínas) e o chá verde como substituto do café. Dentre os alimentos evitados por eles, estão laticínios, carnes vermelhas, excesso de gorduras, pães e alimentos processados.

Uma refeição principal (almoço, por exemplo) é dividida em etapas, como um verdadeiro ritual. A começar por uma sopa feita de missô (caldo de soja fermentada) com algas marinhas, mariscos ou tofu e vegetais. Em seguida, o prato principal geralmente leva peixe, frutos do mar, tofu ou pequenas quantidades opcionais de carne, aves ou ovos. Por fim, os acompanhamentos são compostos de legumes (crus, cozidos no vapor, salteados, grelhados ou em conserva), plantas silvestres, mais algas e frutas cruas ou em conserva.

A dieta japonesa se assemelha à dieta de Okinawa, o padrão alimentar daqueles que vivem na ilha japonesa de Okinawa – e são considerados um dos povos mais saudáveis do mundo —, mas inclui significativamente mais arroz e peixe. E contrasta com a moderna culinária japonesa, que tem fortes influências ocidentais e chinesas e adiciona maiores quantidades de proteína animal e alimentos processados.

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O que faz a dieta mediterrânea ser considerada saudável

A dieta mediterrânea é baseada no consumo de alimentos frescos e naturais. O plano alimentar surgiu dos hábitos de países na região do Mar Mediterrâneo, na década de 1950, após estudos feitos pelo pesquisador Ancel Keys. O norte-americano constatou que as pessoas da região (que engloba o sul da Espanha, sul da França, Itália e Grécia) consumiam bastante gordura, mas tinham menos doenças cardiovasculares.

“Nela, encontramos a presença significativa de laticínios, ovos, legumes, café ou gorduras insaturadas, como as fornecidas pelo azeite de oliva extra virgem”, afirma Cristina Ruano Rodrigues.

Ademais, a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma pirâmide nutricional baseada no cardápio desse povo: 55-60% da alimentação composta por carboidratos de absorção lenta, 12-15% por proteínas e 25% de gorduras, principalmente insaturadas. Essas porcentagens são normalmente distribuídas em três refeições por dia.

Alguns grupos alimentares são fundamentais no sucesso do método. Azeite, frutas, legumes, cereais, leite e queijo são liberados. Entretanto, os produtos industrializados, como comida congelada, enlatados, biscoitos, pão de forma e outros, são proibidos.

Leia também: O que saber antes de seguir a dieta mediterrânea

Mas qual delas ganha?

Contudo, há bons motivos para as duas alimentações serem consideradas saudáveis. “Ambas compartilham uma dieta saudável, variada e sustentável. Também incorporam alimentos básicos como arroz, peixes, frutas, legumes e verduras típicos das regiões de cada país”, destaca a pesquisadora.

Ou seja, apesar das diferenças entre os alimentos consumidos (causadas sobretudo pelas ofertas variadas de produtos em cada lugar), ambos os cardápios priorizam ingredientes ricos em vitaminas e minerais, fibras e proteínas magras. É claro, sempre levando em conta o equilíbrio.

É por isso que não podemos falar que uma é melhor que a outra. “Tanto a dieta japonesa quanto a mediterrânea devem ser entendidas não apenas como um conjunto de alimentos. Mas também como modelos culturais, saudáveis ​​e ecologicamente corretos, passados ​​de geração em geração ao longo dos séculos. Não é de surpreender que ambas as populações estejam entre as mais longevas do mundo e, além de viverem mais, vivem melhor.”

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