Crianças abaixo do peso: saiba como contornar situação

18 de março, 2022

Pega-pega aqui, futebol acolá…a verdade é que as crianças quase nunca param quietas, não é? Os pequenos estão sempre brincando, correndo e se divertindo — o que é um ótimo sinal, segundo outras gerações. Afinal, criança quieta é criança doente, provavelmente já dizia sua avó. Inclusive, essa intensa movimentação pode gerar resultados fisiológicos, fazendo com que percam peso excessivamente, por exemplo. Saiba se é preciso se preocupar quando as crianças estão abaixo do peso.

Na verdade, essa magreza nem sempre é vista de maneira ruim pelos nutricionistas ou por outros profissionais de saúde. De acordo com Elaine Pádua, nutricionista, antes das primeiras impressões, é necessário entender e verificar se o desenvolvimento da criança está normal. Para ela, a estatura e a velocidade de crescimento são fatores contribuintes para essas crianças estarem abaixo do peso.

“Nem sempre isso significa que a criança está sem saúde”, diz a nutricionista. “Mas, é claro que muitas vezes é necessário realizar um acompanhamento com profissionais para detectar se há alguma anomalia ou problemas no processo de desenvolvimento”, completa. Elaine ainda reforça que, nesses casos, é necessário fazer uma análise geral e verificar se há algum problema efetivo. “A primeira coisa é estimular uma alimentação saudável e interpretar corretamente esse peso”. 

A nutricionista diz ainda que o crescimento e o desenvolvimento fazem parte da faixa etária infantil, do sexo e da forma individualizada de verificar o histórico familiar. “Quando temos pais e mães magros, isso também influencia de forma genética”. Além disso, Elaine reforça que crianças que fazem esportes em excesso e não têm um consumo adequado de alimentos com cargas energéticas adequadas, precisam de orientação. 

Crianças abaixo do peso: Como reverter a situação

Primeiramente, encontre um profissional especializado para realizar uma avaliação e checar os hábitos da família — desde doenças pré-existentes até um estudo por toda a parte genética. Feito isso, só inicie uma suplementação se for recomendada e validada. “Às vezes, colocar nutrientes que não podem ser consumidos pode aumentar o aporte de proteínas, vitaminas e minerais, mas sem a sugestão correta.”

Ademais, é preciso entender se há excesso de esportes e se a criança consome o que precisa para que gaste todas as ingestões calóricas. “Uma criança que não come nos horários certos e que não tem o aporte adequado pode até perder massa muscular — fenômeno que chamamos de catabolismo proteíco”. 

Segundo Elaine, para reverter o quadro, a introdução de gorduras saudáveis pode ser uma boa alternativa. “Por exemplo, pode aumentar a ingestão de ômega-3, porque, além de favorecer um bom desenvolvimento mental e cerebral, deixando a criança em um melhor estado de concentração, também é um tipo de gordura que vai equilibrar todas as gorduras do organismo”. A nutricionista ressalta que há alguns alimentos que podem fazer esse papel — como abacate e sementes oleaginosas. Nesta última, a profissional ainda indica que sejam trituradas e ingeridas em alimentos como iogurte, torta ou bolinhos integrais. 

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Ganho de peso

Elaine reforça que o ganho de peso, caso aconteça, será de forma saudável. “É o ganho de massa muscular, que é importante para a composição corporal como um todo. Minha dica é sempre incluir alimentos saudáveis, como proteínas de boa qualidade; fazer a criança comer em horário adequados — não ficar muito tempo sem alimentos, principalmente se irá fazer atividade física; e garantir que todos os grupos alimentares estejam sendo recebidos — carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais”, diz a nutricionista. 

A profissional também salienta que, além dos grupos citados acima, é importante que insumos energéticos apareçam nos pratos. Fora isso, que frutas também sejam consumidas — com, no mínimo, três porções variadas, que vão ajudar na absorção de proteínas. “Também perceba se o intestino da criança é saudável, porque a absorção dos nutrientes acontece no intestino.” 

Atenção ao efeito contrário 

Antes de introduzir qualquer mudança de comportamento, como Elaine salientou, é importante verificar a real necessidade de uma intervenção, até porque uma suplementação exagerada pode favorecer uma alteração no peso que pode não ser benéfica. “Isso acontecia muito no passado, quando os pais davam vitaminas e minerais de forma indiscriminada e faziam com que a criança aumentasse sua necessidade de consumo de alimentos. Em de ajudar, isso pode contribuir para uma alteração de peso — normalmente o sobrepeso, já que aumenta o apetite e a criança come mais”, orienta. 

Fonte: Elaine Pádua, nutricionista.

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