Endoscopia digestiva: tudo sobre o exame e principais cuidados

5 de abril, 2022

Você está com algum desconforto abdominal nos últimos dias, como dor, náusea, vômitos, queimação, refluxo ou dificuldade para engolir determinados alimentos? Se sua resposta for sim, a endoscopia digestiva é um procedimento muito importante para o diagnóstico de problemas no trato digestivo, como a gastrite e doenças do refluxo gastroesofágico.

Quem precisa fazer endoscopia digestiva?

De acordo com Carlos Alberto Cappellanes, endoscopista do hospital Santa Catarina, quem apresenta dor no estômago, azia, má digestão ou dor abdominal há algum tempo, precisam fazer o exame. Outros sintomas elegíveis para o procedimento:

  • Queimação.
  • Desconfortos abdominais persistentes.
  • Náuseas.
  • Vômitos.
  • Engasgos.
  • Anemia.
  • Diarreia.
  • Sangue nas fezes.

“Além disso, esse procedimento é importante se houver perda de peso sem motivo aparente, dor ao engolir o alimento, dificuldade para o alimento descer após ser engolido e histórico de doenças graves na família. Por exemplo, câncer de estômago ou de esôfago”, complementa Admar Concon Filho, médico cirurgião do aparelho digestivo. Também é indicado para pacientes com cirrose no fígado, que necessitam de tratamento do aparelho digestivo ou para a pesquisa da bactéria Helicobacter pylori.

Como é feito o exame

Assim que o indivíduo chega ao local da endoscopia, deve preencher um formulário com diversas questões e um termo de ciência dos possíveis riscos do procedimento. Após a anamnese, o paciente é encaminhado à sala da endoscopia e é sedado, e ambos os especialistas explicam que é introduzido um tubo com microcâmera que desce pelo esôfago até chegar ao duodeno. Para manter a boca aberta, é colocado um instrumento plástico entre os dentes e, durante o exame, as imagens são transmitidas em tempo real por meio de um monitor. Ao mesmo tempo, a equipe médica acompanha a oxigenação e a frequência cardíaca do indivíduo em caso de qualquer problema.

Concon Filho e Capellanes afirmam que quando há suspeita de alguma doença, o médico responsável pelo exame pode encaminhar pequenos fragmentos para biópsia para avaliar possíveis anormalidades no tecido coletado.

Leia também: Ecoendoscopia: O que é, como é feita e para quem é indicada

Preparo para a endoscopia digestiva

Além de ser obrigatória a presença de uma pessoa maior de 18 anos para acolher após o exame, outras medidas são fundamentais para a realização da endoscopia:

  • Fazer 8 horas de jejum antes do exame (pode variar de acordo com as orientações de cada clínica).
  • Antes de iniciar o jejum, consuma preferencialmente líquidos ou pastosos, como sopas e caldos. 
  • Não ingerir alimentos difíceis de digerir no dia anterior, como carne vermelha, já que o estômago deve estar completamente vazio para facilitar a visão completa dos órgãos. 

Perguntas frequentes

Que tipo de anestesia é usada na endoscopia digestiva?

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, não é feita a anestesia geral, que normalmente causa preocupação. “Trata-se de uma sedação apenas para dormir, o suficiente para não sentir nenhum desconforto durante ou após o procedimento”, esclarece Concon Filho.

Estou grávida. Posso fazer endoscopia?  

Os dois profissionais consultados para esta matéria são enfáticos sobre a restrição para gestantes. Em síntese, nenhum procedimento invasivo que envolva o uso de anestesia ou outras substâncias é recomendado, a não ser que seja indispensável. Contudo, é preciso discutir antes a necessidade com seu médico ao realizar esse tipo de exame. Juntamente com as gestantes, outros grupos são desaconselhados: pessoas com doenças coronarianas agudas, neurológicas e pulmonares. Dessa forma, a orientação é a mesma para as gestantes: se a avaliação for imprescindível, é o especialista que precisa dar o aval.

Afinal, há riscos de efeitos colaterais?

Normalmente a endoscopia digestiva é altamente segura, de acordo com ambos os experts. Por outro lado, algumas reações são previsíveis e não há motivos de preocupação, como leves desconfortos na garganta (por conta da passagem do aparelho) ou leves dores no estômago (em casos de biópsias). Apesar de raras, podem acontecer complicações ligadas ao exame de endoscopia após procedimentos mais demorados, como a retirada de pólipos. Às vezes podem ocorrer alergias aos medicamentos utilizados e, em casos mais graves, perfuração de algum órgão interno e hemorragia. Embora seja extremamente incomum, é possível morrer na endoscopia, como indivíduos de extrema idade avançada ou muito debilitados”, alerta Concon Filho.

Qual a duração do procedimento?

À primeira vista, são necessários cerca de 20 minutos para concluí-la. Logo depois, o indivíduo é levado para o setor de recuperação para despertar aos poucos e ser observado pela equipe médica, que libera a saída se tudo estiver bem.

Qual é a periodicidade do exame?

A princípio, o exame é repetido de acordo com a indicação do clínico que acompanha o paciente para controle do tratamento das lesões identificadas em exames anteriores.

O que não fazer após a endoscopia?

Como resultado, o efeito da anestesia pode alterar a coordenação motora e o discernimento do indivíduo. Assim, alguns hábitos e situações devem ser evitados. Por exemplo:

  • Dirigir.
  • Andar de moto e pegar carona.
  • Manusear instrumentos ou aparelhos que exijam atenção nas próximas 12 horas.
  • Tomar decisões importantes até o dia seguinte ao procedimento. 
  • Ingerir bebidas que contenham álcool por pelo menos 12 horas após o exame.

Fontes: Admar Concon Filho, cirurgião bariátrico, do aparelho digestivo, médico endoscopista e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. CRM – 53.577; e Carlos Alberto Cappellanes, médico endoscopista do Hospital Santa Catarina – Paulista; Secretaria de Saúde do Estado de Santa Catarina.

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