Chip da beleza: O perigo do uso de hormônios para fins estéticos

19 de agosto, 2021

A fórmula do rejuvenescimento e da beleza é uma busca constante de muitas pessoas na sociedade atual. Não é à toa, portanto, que esse mercado cresce tão rápido e, cada vez mais, surgem novas alternativas relacionadas a fins estéticos. Entre elas, está o uso de hormônios, como o conhecido “chip da beleza”, uma prática bastante controversa e cheia de riscos.

GH

Um dos mais famosos é o GH, hormônio do crescimento que vem sendo utilizado há anos para o tratamento de doenças como a síndrome de Turner e problemas renais crônicos. Nesses casos específicos, os estudos indicam que ele é seguro, mas, ainda assim, exige acompanhamento médico de longo prazo. O grande problema é o uso indiscriminado e não aprovado com a finalidade de rejuvenescimento, algo que nem sequer é comprovado pela ciência.

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Chip da beleza

Já o chip da beleza, por outro lado, é um implante hormonal aplicado para regular o ciclo menstrual, evitar a gravidez e amenizar alguns sintomas nada agradáveis da menstruação, como cólicas, inchaço e TPM. Contudo, as pessoas parecem ter descoberto alguns “efeitos colaterais” do dispositivo benéficos para a imagem corporal. Desse modo, muitos têm usado o chip da beleza com os objetivos de emagrecer, tonificar os músculos e acabar com as celulites.

A própria Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) condena a prática. Isso porque o produto pode carregar um esteroide chamado gestrinona ou progestagênio (molécula que imita a progesterona), bem como doses de testosterona.

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Testosterona

A testosterona, de onde derivam os populares anabolizantes, também é outro hormônio que costuma ser usado de forma não controlada para fins estéticos ou esportivos. Boa parte dos que fazem esse tipo de tratamento enxergam apenas uma ferramenta para o ganho de músculos e melhora da disposição, mas sem a indicação médica e o acompanhamento das taxas sanguíneas, pode haver consequências muito graves para a saúde.

De acordo com a endocrinologista Lorena Amato, ainda não existe uma forma segura para a utilização de hormônios com finalidade estética. “Os efeitos colaterais são muito perigosos, ainda mais em jovens, podendo interromper o crescimento e o desenvolvimento sexual adequado”, explica.

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Chip da beleza: Avaliação dos riscos

O uso de hormônios para fins estéticos requer acompanhamento médico e dosagem de riscos, sendo que há uma série de possíveis efeitos colaterais, como surgimento de acne, queda de cabelo e chances de desenvolver trombose.

Em mulheres, pode haver engrossamento da voz, infertilidade, irregularidade menstrual, aumento do clitóris e de pelos no corpo e na face, além de diminuição das mamas. Nos homens, o uso errado de hormônios pode acarretar atrofia testicular, disfunção erétil, queda da libido e aumento do volume das mamas (ginecomastia).

A endocrinologista explica que esses hormônios devem ser vendidos apenas com receita médica controlada e normalmente são indicados somente para o tratamento de doenças endócrinas, como distúrbios do crescimento, por exemplo. Ou, então, para a realização da transição de gênero. “Mas, na prática, sabemos que a busca por melhorar o desempenho atlético ou a aparência física leva muitas pessoas a conseguirem a medicação sem receita, inclusive com a venda em academias, usando seringas muitas vezes compartilhadas. E é aí onde estão todos os perigos”, alerta.

Também é importante considerar que o uso de hormônios para fins estéticos não é aprovado pelas agências reguladoras de saúde, podendo contribuir para a ampliação do risco cardiovascular, AVC e câncer.

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Nada de chip da beleza: Melhor caminho une alimentação e atividade física

Quem opta por tomar hormônios com fins estéticos normalmente esquece os riscos da utilização e deseja resultados rápidos. Mas o preço para a saúde pode sair caro. Por isso o recomendado é adotar um caminho que considere a saúde em primeiro lugar. “Para quem quer aumentar massa magra e muscular, o melhor é a alimentação equilibrada e a atividade física, principalmente a aeróbica”, finaliza Lorena.

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Fonte: Lorena Amato, endocrinologista.

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