Vigilância ativa melhora qualidade de vida de pacientes com câncer de próstata

22 de julho, 2021

Dois estudos apresentados no congresso da Associação Europeia de Urologia mostram que alguns homens com mais de 60 anos com câncer de próstata podem passar dez anos sem nenhum tratamento ativo. Além disso, com baixíssima probabilidade de morrer por conta da doença. O benefício é possível graças à vigilância ativa — quando o câncer de próstata é monitorado de perto, mas não tratado.

Além disso, ao contrário do que ocorre em outros tratamentos para câncer de próstata (como radioterapia ou cirurgia), nesse tipo de conduta, os pacientes sofrem menos com efeitos colaterais, como incontinência e disfunção erétil.

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Vigilância ativa para o câncer de próstata

Rodolfo Borges dos Reis, diretor do departamento de uro-oncologia da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia), afirma que a vigilância ativa é a opção que traz menos efeitos colaterais para quem tem câncer de próstata.

Isso porque os tratamentos convencionais (quimio e radioterapia, por exemplo) costumam ser mais invasivos e apresentar consequências como incontinência urinária, disfunção sexual e distúrbios intestinais.

“Todos esses dados sedimentam o conceito que postergar o tratamento ativo para pacientes portadores de tumores prostáticos de baixo risco pode preservar a qualidade de vida. Cabe ressaltar que pacientes com menos de 60 anos ao diagnóstico não devem ser submetidos à vigilância ativa, devido à elevada expectativa de vida”, diz. Nesses casos, a doença progredir para estágios mais agressivos.

Contudo, o médico ressalta que todos os tratamentos possíveis para a doença devem ser informados para o paciente. É ele quem irá decidir, então, se optará pela vigilância ativa ou pelas alternativas mais tradicionais (quimio e radioterapia).

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Poréns da vigilância ativa

Contudo, entre as desvantagens da vigilância ativa, está a necessidade de realização de diversas biópsias prostáticas e exames de ressonância magnética durante o acompanhamento.

Um dos estudos apresentados no congresso europeu foi realizado por pesquisadores suecos, que analisaram o Registro Nacional de Câncer de Próstata daquele país. O documento reúne dados de mais de 23 mil homens diagnosticados com a doença e que foram submetidos à vigilância ativa.

A outra pesquisa, realizada por cientistas holandeses, examinou a função sexual de aproximadamente 3 mil homens com diagnóstico de câncer de próstata. Entre os que estavam sob vigilância ativa, 45% relataram problemas de ereção, enquanto o índice dos que seguem outros tratamentos ficou entre 70% e 90%.

Já no Brasil, diz o diretor da SBU, a aplicação da vigilância ativa é limitada devido à estrutura do programa de saúde. “No sistema público, que responde pelos cuidados de mais de 70% da população brasileira, o acesso para a realização do rastreamento, biópsia e exames de imagem nem sempre se dá no tempo necessário”, diz Reis. “Além disso, a aderência a protocolos de tratamento e seguimento de doenças crônicas é baixa.”

Para ele, outra dificuldade está relacionada à eficácia do tratamento, que depende da motivação e segurança por parte dos doentes. “No sistema de saúde suplementar, o maior entrave está na necessidade de profissionais de saúde explicarem detalhadamente para os pacientes todas as opções terapêuticas, com seus riscos e benefícios.”

Por fim, também vale ressaltar que a vigilância ativa é uma proposta de acompanhamento possível somente quando a doença é diagnosticada em um estágio inicial.

(Fonte: Agência Einstein)