Respiratorianismo: cortar alimentos sólidos do cardápio é perigoso

28 de março, 2022

Quando o assunto é dieta, é possível encontrar de tudo por aí. Enquanto algumas são consideradas completas e benéficas para a saúde, como é o caso da mediterrânea, outras são extremamente perigosas. O respiratorianismo se encaixa na última definição: seus adeptos afirmam que é possível nutrir o corpo sem alimentos sólidos — e viver apenas com a “energia vital”. Saiba mais:

O que é respiratorianismo

O conceito aparece em diversas culturas ao redor do mundo e com nomes variados, mas está presente sobretudo nos Vedas, isto é, nos textos sagrados dos hindus. A ideia central diz respeito ao “prana” — termo sânscrito que pode ser traduzido como força vital ou ar vital.

De acordo com os seus seguidores, o prana seria a única fonte de energia necessária para a sobrevivência humana, dispensando alimentos sólidos e até água. Ele poderia ser obtido por meio de uma prática respiratória específica e da luz solar.

Ellen Grave (ou Jasmuheen, nome que adotou) é a principal representante deste estilo de vida atualmente. Ela aconselha começar de forma lenta: primeiramente adotando o vegetarianismo; depois, evoluindo para o veganismo, para a alimentação crua, para uma dieta com apenas frutas, para a ingestão exclusiva de líquidos…

A última etapa seria, então, viver de prana — os alimentos seriam substituídos pela luz solar e pelo ar. Essa fase necessitaria de um complexo desenvolvimento espiritual e mental, assim como a prática diária de yoga e meditação.

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Adeptos pelo mundo

O respiratorianismo parece impossível de manter, mas muitas pessoas ainda tentam adotá-lo. Um exemplo que viralizou há alguns anos (2019) foi o da influenciadora digital Audra Bear, na época com 25 anos.

Ela afirmou estar em uma das fases mais avançadas da estratégia alimentar, ingerindo apenas sucos de frutas, água de coco, chá verde e smoothies no dia a dia. E mais: Audra disse que chegou a ficar 97 dias sem nenhum alimento sólido graças à energia que obteve com a respiração.

“Viver um estilo de vida prânico é mudar o enfoque de nutrir seu corpo com fontes mais densas (alimento) para fontes menos densas (energia). Eu tinha ouvido falar de pessoas vivendo dessa maneira, mas nunca pensei que seria eu! Eu costumava amar comer. Foi só quando comecei a praticar os exercícios de respiração que percebi que não tinha apetite por alimentos sólidos ou densos”, contou à Fox News.

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Riscos do respiratorianismo

Contudo, a prática não é recomendada por especialistas. Isso porque o nosso corpo precisa de nutrientes básicos para sobreviver que vão além do ar e da respiração. Água, proteína, gorduras, vitaminas, minerais e carboidratos são essenciais para o funcionamento do corpo, e se não ingeridos em quantidades adequadas, podem desencadear deficiências nutricionais e até morte (em casos mais sérios de jejum prolongado).

Um estudo feito na Universidade de Berna, na Suíça, resolveu estudar os efeitos do estilo de vida. Desse modo, foi realizada uma bateria de exames em um indivíduo que seguia a metodologia por pelo menos dois anos. Como resultado, os pesquisadores notaram várias alterações fisiológicas importantes:

  • Perda de até meio quilo por dia;
  • Pouca resistência para a prática de atividades físicas;
  • Níveis triplicados de ácidos graxos (gorduras) no corpo;
  • Hiperaldosteronismo, ou seja, retenção de líquido que pode gerar fraqueza, pressão alta e até paralisia temporária.

Referência: Nutrition with ‘light and water’? In strict isolation for 10 days without food – a critical case study.

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