Plaquetas: o que são, funções e valores de referência

Saúde
03 de Janeiro, 2023
Leticia Ramirez Naper de Souza
Revisado por
Nutricionista • CRN-3 63183
Plaquetas: o que são, funções e valores de referência

Todos devemos compreender o que são as nossas plaquetas, afinal, ter conhecimento sobre esse assunto é fundamental para a interpretação da coagulação sanguínea — processo que evita hemorragias no organismo. Por isso, saiba o que são, funções e valores de referência logo abaixo:

O que são as plaquetas?

De acordo com o Dr Flávio Naoum, médico hematologista e coordenador do Instituto Naoum de Hematologia, são as menores células do sangue. “Na verdade, são fragmentos de uma célula grande, chamada megacariócito, que reside na medula óssea”, diz.

Normalmente, cerca de 30 mil plaquetas são formadas diariamente. No entanto, quando elas não funcionam da maneira adequada, o paciente pode sofrer com sangramento excessivo decorrente de lesões ou mesmo de sangramentos espontâneos.

Funções

A principal função das plaquetas, juntamente com outras proteínas, é auxiliar na hemostasia — isto é, conjunto de mecanismos que evitam a perda de sangue e o mantêm circulando dentro do vaso, sem coagular e nem extravasar.

“As plaquetas evitam sangramentos excessivos após um ferimento, formando uma espécie de vedação no local da lesão do vaso sanguíneo”, complementa o especialista.

Sendo assim, a principal função é formar o tampão plaquetário, cujo objetivo é parar o sangramento. Afinal, na ausência de plaquetas, podem ocorrer vários vazamentos espontâneos de sangue em pequenos vasos, capazes de comprometer o estado de saúde do paciente.

Possíveis alterações

Existem alguns tipos de alterações possíveis nas nossas plaquetas, afirma o médico:

  • Plaquetopenia: é a diminuição do número de plaquetas no sangue. Essa análise pode ser realizada após a contagem das plaquetas em uma amostra de sangue. Assim, o paciente pode apresentar sangramentos com maior facilidade, além do surgimento de manchas roxas pelo corpo;
  • Plaquetose: aumento do número de plaquetas no sangue. Pode ser classificada como aumento leve, moderado, grave e extremo. Além disso, a plaquetose pode ser primária (relacionada com doenças mieloproliferativas) ou secundária (desencadeada por alguma doença subjacente, como infecções e anemias).

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Distúrbios das plaquetas

Os distúrbios das plaquetas podem ser hereditários ou adquiridos. O Dr Flávio Naoum ensina que as alterações hereditárias são muito raras e, geralmente, provocam perda da função das mesmas. “Alguns exemplos seriam a Síndrome de Bernard-Soulier e a Trombastemia de Glanzmann.”

Por outro lado, com relação aos distúrbios adquiridos, o especialista informa que os mais conhecidos são as púrpuras. “As situações mais frequentes que alteram as plaquetas, no entanto, são infecções, inflamações e certos medicamentos, como os anti-inflamatórios.”

Entenda melhor a diferença abaixo:

  • Distúrbios hereditários: doença de von Willebrand é o distúrbio hereditário mais comum relacionado às plaquetas. Outros distúrbios hereditários raros são a doença de Glanzmann, a síndrome de Wiskott-Aldrich, a síndrome de Chediak-Higashi e a síndrome de Bernard-Soulier;
  • Distúrbios adquiridos: em geral, causados por certos medicamentos ou doenças, como cirrose, mieloma múltiplo, doença renal e lúpus eritematoso sistêmico (lúpus).

Sintomas de disfunção das plaquetas

Os sinais dependem da causa e da gravidade de cada caso. Os pacientes com distúrbios hereditários, por exemplo, podem ser comumente acometidos por hematomas que se formam facilmente, hemorragias excessivas após lesões e até necessidade de pequenas cirurgias, como extração de dentes.

Os meninos podem sofrer com sangramento excessivo após a circuncisão, já as mulheres podem ter o primeiro sinal de disfunção das plaquetas quando as menstruações são muito intensas.

Ademais, existem outros sintomas de distúrbios das plaquetas que podemos destacar a seguir:

  • Equimoses (contusões): grandes manchas roxas vistas nas pernas;
  • Petéquias (pele): pequenos pontos vermelhos na pele;
  • Petéquias (boca): pequenos pontos vermelhos na boca.

Valores de referência

Em geral, o especialista consultado informa que os valores de referência giram em torno de 140 mil a 400 mil/mm3 — isto é, 140 mil a 400 mil plaquetas por microlitro de sangue.

Em homens, considera-se normal o valor de 140 mil a 450 mil. Para as mulheres, o número fica entre 150 mil e 450 mil. Por fim, recém-nascidos, lactantes, crianças e adolescentes devem possuir entre 150 mil e 450 mil/mm3.

Plaquetas baixas ou plaquetas altas

Segundo o médico hematologista, com a diminuição do número de plaquetas, ocorrerá a plaquetopenia, que pode acontecer por diversos motivos, como a falha de produção (em pacientes que estão fazendo quimioterapia, pacientes com leucemias, entre outras doenças do sangue); sequestro pelo baço (quando este órgão aumenta de tamanho); inflamação que acompanha determinadas infecções (por exemplo, dengue); ou ataque do próprio sistema imune (Púrpura Tombocitopênica Imune – PTI).

Por outro lado, quando há o aumento das mesmas, ocorre a chamada plaquetose. “O aumento pode ser causado por inflamação, carência de ferro ou doenças raras do sangue, como a Trombocitemia Essencial”, acrescenta.

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Por que o equilíbrio de plaquetas é importante?

O Dr Flávio Naoum comenta que a preservação do número de referência e da função das plaquetas é importante para evitar a ocorrência de sangramentos. Dessa forma, é possível controlar a perda de sangue por meio de hemorragias.

A forma de reparação acontece graças à capacidade das plaquetas em se ligarem ao colágeno presente na parede do vaso sanguíneo.

Por que é preciso realizar exames regularmente para acompanhar as plaquetas?

É importante reforçar a realização dos exames regulares para acompanhar as plaquetas. Isso porque o médico conta que uma alteração no número delas pode ser o primeiro sinal de uma doença potencialmente séria.

A diminuição das mesmas pode indicar dengue, anemia perniciosa, lúpus, leucemia, infecção ativa, dentre outras doenças.

Portanto, exames de sangue ajudam a medir a contagem de plaquetas e a coagulação, além de exames especiais medirem a função plaquetária e o sangramento.

Fonte: Dr. Flávio Naoum, médico hematologista e coordenador do Instituto Naoum de Hematologia.

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