Existe leite materno fraco? Especialistas respondem principais dúvidas sobre amamentação

Embora o aleitamento materno seja de suma importância para a nutrição do bebê, sabe-se que esta jornada é regada de dúvidas sobre amamentação. Afinal, entende-se cada vez mais que dar de mamar está longe de ser um dom, em que se nasce sabendo como fazer. Mas um processo que demanda orientação e é cercado de erros e acertos até encontrar o que funciona para si.

Com isso em mente, no Dia Mundial do Aleitamento Materno, celebrado em 1 de agosto, separamos nove dúvidas frequentes sobre a amamentação. Para solucioná-las, levamos cada uma delas a especialistas sobre o tema. Confira!

1. Existe leite materno fraco?

Não! De acordo com o pediatra Paulo Telles, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), é fundamental derrubar esse mito que ainda atormenta muitas mães. “Não existe nada mais perfeito que o leite materno, inclusive, é a dieta mais balanceada que existe”, defende o especialista.

Ele ainda esclarece que, conforme o pequeno vai se desenvolvendo, o organismo materno segue o mesmo caminho. Dessa forma, ele sempre produz o alimento que supre cada necessidade que o bebê apresenta.

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2. É normal sentir dor ao dar de mamar?

Não! Segundo Cinthia Calsinski, enfermeira obstetra e consultora de amamentação, o que acontece é que, no início da amamentação, é comum os seios estarem mais sensíveis ao manuseio feito pelo bebê. No entanto, se o aleitamento materno começar a ser sinônimo de dor, é preciso atenção.

Thais Bustamante, pediatra e neonatologista, explica que o incômodo nas mamas pode ocorrer devido a uma série de fatores. Inicialmente, entre três a cinco dias após o parto, a lactante vive a apojadura do leite. Em outras palavras, o alimento materno desce para os seios a fim de que o recém-nascido comece a mamar. “Neste período, as mamas ficam maiores, bem túrgidas e, algumas vezes, quentes e mais sensíveis”, detalha a especialista.

Já com o aleitamento materno estabelecido, a figura materna pode acabar tendo o “leite empedrado” (ingurgitamento mamário). Neste caso, os seios também ficam endurecidos, inchados, com a pele avermelhada e doloridos. Em suma, este quadro ocorre devido ao:

  • Esvaziamento incompleto da mama, seja pelo fato do bebê não sugar todo o leite produzido ou a puérpera não ordenhar a quantidade necessária;
  • Uso da técnica de ordenha incorreta;
  • Atraso no horário da amamentação;
  • Oferta de fórmula junto ao aleitamento materno.

Ainda de acordo com a Dra. Thais, a dor ao dar de mamar também pode ocorrer devido a fissuras mamárias. Elas ocorrem, principalmente, por causa da pega incorreta do bebê. Logo, a medida mais efetiva para solucioná-la é a corrigindo. “Vale lembrar que espalhar algumas gotas do próprio leite materno e deixar secar naturalmente após cada mamada é um ótimo cicatrizante natural”, enfatiza a neonatologista.

Dúvidas sobre amamentação: 3. É comum um seio produzir mais leite que o outro?

Sim! A pediatra Patrícia Terrível, membro do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), lembra que o nosso corpo é assimétrico. Em outras palavras, um seio tende a ser um pouco maior que o outro e, consequentemente, ter mais glândulas mamárias que levam um lado a produzir mais leite do que o outro. “Inclusive, é importante colocar o bebê para mamar nas duas mamas para estimulá-las igualmente”, completa a especialista.

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4. Está tudo bem se o bebê não arrotar todas as vezes que mamar?

Sim! Thais esclarece que o arroto após a mamada serve para liberar o ar que foi deglutido junto com o leite. Logo, ele é importante para prevenção de cólicas no bebê, por exemplo. Todavia, Paulo explica que, conforme o pequeno faz o vácuo adequado durante o aleitamento materno, engole-se menos ar. Dessa forma, ele tende a não precisar arrotar!

5. É preciso acordar o recém-nascido durante a madrugada para mamar?

Depende. A decisão dependerá de fatores como a idade do pequeno e o seu ganho de peso, por exemplo. “A regra número um da amamentação é não ter regra, ou seja, praticar a livre demanda (oferecer o leite quando o bebê pedir). Mas em algumas situações especiais como prematuridade, baixo peso ao nascer ou diabetes materna a orientação pode ser diferente”, pondera Cinthia. Assim, diante de qualquer dúvida, o pediatra do pequeno deve ser consultado.

Dúvidas sobre amamentação: 6. Lactantes podem consumir bebida alcóolica?

Depende. De acordo com Patrícia, ainda não se sabe qual dose de bebida alcoólica é segura para se consumir durante a amamentação, ou seja, qual é o volume que não passa para o bebê por meio do leite materno. Por isso, a recomendação médica é não consumir nenhum líquido que contém álcool, no entanto, quem desejar ingerir assim mesmo, é indicado que se espere ao menos duas horas depois de tomá-lo para dar de mamar.

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7. Mães podem tentar emagrecer enquanto amamentam?

Sim. No entanto, o processo precisa ser acompanhado por uma nutricionista que saiba como funciona o organismo materno diante do aleitamento. Por exemplo, como explica o Dr. Paulo, a amamentação já gera um aumento metabólico da lactante. Em outras palavras, existe um gasto energético alto para produzir leite.

“Por isso, atenção a dietas restritivas. Diminuir muito as calorias consumidas pode reduzir a produção de leite e atrapalhar o ganho de peso do bebê. Evite também restrições de algum grupo alimentar ou períodos de jejum prolongados. O ideal é comer a cada 3 horas e se hidratar bem!”, enfatiza o pediatra.

8. Lactantes podem tomar café e comer chocolate?

Sim. “Afinal, não existe nenhum alimento que não pode ser ingerido na amamentação quando pensamos em cólica para o bebê. Porém, devido ao efeito estimulante da cafeína, é preciso ter cuidado em relação a dose diária consumida pela mãe”, destaca Cinthia.

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Dúvidas sobre amamentação: 9. Amamentar deitada pode dar infecção no ouvido do bebê?

Não. Em suma, é consenso entre os especialistas que dar de mamar no peito não aumenta as chances do pequeno ter otite. De acordo com a Dra. Thais, o que acontece é exatamente o contrário. “O ato de mamar demanda esforços do bebê, fazendo com que a musculatura facial impeça que o leite alcance o ouvido e cause uma inflamação”, esclarece a pediatra.

A ressalva, no entanto, acontece em relação ao uso de mamadeiras. “Nesse caso, quando a criança mama, o canal auditivo fica aberto. Assim, a fórmula pode acabar indo para lá e se tornar um meio de cultura para bactérias”, explica Patrícia. Portanto, é recomendado que o pequeno esteja ligeiramente inclinado ao utilizar o dispositivo.

Fontes: Dr. Paulo Telles, pediatra e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP); Cinthia Calsinski, enfermeira obstetra e consultora de amamentação; Dra. Patrícia Terrível, pediatra e membro do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP); e Dra. Thais Bustamante, pediatra e neonatologista.

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