Diabetes gestacional: o que é, diagnóstico e tratamentos

26 de maio, 2021

O diabetes gestacional é uma complicação que acomete de 2% a 15% das grávidas. E apesar de haver alguns fatores que contribuem para o seu aparecimento, ele pode ocorrer com qualquer mulher e raramente vem acompanhado de sintomas — o que torna ainda mais importante o alerta sobre o assunto para as futuras mães.

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O que é diabetes gestacional e por que acontece?

Ele é caracterizado pelo aumento nos níveis de glicose (carboidrato utilizado como fonte de energia) no sangue da grávida. E geralmente ocorre porque, durante a gestação, o organismo materno sofre algumas alterações hormonais para ajudar no desenvolvimento do bebê.

Além disso, boa parte da glicose presente na corrente sanguínea da mulher precisa ir para o feto. E quanto mais ele cresce, maior é a sua necessidade (principalmente a partir do segundo trimestre). Isso faz com que a mãe tenha um maior risco de hipoglicemia (glicose sanguínea baixa) em jejum ou durante o sono.

Para evitar esse problema, o corpo lança mão de alguns mecanismos: a placenta, por exemplo, produz substâncias (estrogênios, progesterona e somatomamotropina coriônica) que reduzem a ação da insulina no corpo (responsável pela captação e utilização do carboidrato).

A questão é que o efeito dessas substâncias é tão forte que, ao final da gravidez, o pâncreas precisa aumentar a sua fabricação de insulina em até 50% a fim de dar conta de equilibrar a quantidade de glicose no sangue da mãe. Contudo, em alguns casos, o órgão não consegue atingir o objetivo, e é aí que acontece o diabetes gestacional.

Diabetes gestacional: riscos

Ter concentrações muito altas de açúcar no sangue pode significar problemas na saúde da mulher e do bebê. Isso porque a criança pode crescer excessivamente (macrossomia fetal) e ser obesa ou desenvolver diabetes na vida adulta. Além disso, o feto sofre com maiores riscos de morte, de problemas cardíacos, de doenças respiratórias e de icterícia (pele e/ou olhos amarelados). Sem contar que o parto costuma ser mais traumático e requer mais cuidados.

Algumas características aumentam a chance de diabetes gestacional. Confira:

  • Idade materna mais avançada;
  • Ganho de peso excessivo durante a gestação;
  • Sobrepeso ou obesidade;
  • Síndrome dos ovários policísticos;
  • Histórico prévio de bebês grandes (mais de 4 kg) ou de diabetes gestacional;
  • História familiar de diabetes em parentes de 1º grau;
  • Histórico de diabetes gestacional na mãe da gestante;
  • Hipertensão arterial sistêmica na gestação;
  • Gestação múltipla (gravidez de gêmeos).

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Sintomas

Além de não ser tão comum a manifestação de sintomas, alguns sinais do diabetes gestacional podem ser confundidos com peculiaridades da gravidez (como maior frequência urinária e sono). Entretanto, podem ocorrer:

  • Aumento da sede;
  • O aumento da micção;
  • Mais fome;
  • Visão turva.

Diabetes gestacional: diagnóstico

Existem inúmeras formas de diagnosticar a condição. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), por exemplo, recomenda que todas as grávidas façam exames regulares de glicemia a partir da primeira consulta pré-natal. Se o resultado for, em média:

  • 85 mg/dl ou menos: valor ideal. Nenhuma outra investigação é feita, principalmente se a mulher não apresentar fatores de risco;
  • De 86 a 126 mg/dl: grupo de risco para o diabetes;
  • Maiores que 127 mg/dl: indicativo de diabetes. O exame provavelmente será repetido duas vezes para a confirmação, mas a mãe precisará iniciar o tratamento adequado.

Em adição aos exames tradicionais, as mulheres geralmente fazem um teste de tolerância oral à glicose (ou curva glicêmica) entre a 24ª e a 28ª semana. Nele, são coletadas amostras de sangue em três momentos diferentes: em jejum; depois de uma hora do consumo de um xarope de glicose; e, por fim, depois de duas horas da ingestão do carboidrato. Os números ideais são:

  • Glicemia Jejum: normal até 92 mg/dl;
  • Após 1 hora: normal até 180 mg/dl;
  • Glicemia após 2 horas: normal até 153 mg/dl.

Desse modo, se a mulher tiver duas dessas três referências alteradas, ela possui, sim, diabetes gestacional.

Diabetes gestacional: tratamentos

Grávidas com a condição precisam de um acompanhamento adequado e frequente. Além disso, mudanças no estilo de vida são fundamentais para uma gestação tranquila e sem complicações.

1 – Atividade física na gravidez

Os exercícios físicos são fundamentais para as gestantes, pois relaxam, melhoram a postura, diminuem a dor lombar e ajudam a controlar o diabetes gestacional. Ademais, se movimentar também é recomendado para aliviar desconfortos causados pelas mudanças no organismo.

Contudo, é importante buscar liberação médica e instruções adequadas de um treinador especializado.

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2 – O que comer com diabetes gestacional

Uma alimentação adequada talvez seja o ponto mais importante para o tratamento do diabetes gestacional. A dieta deverá incluir mais frutas, verduras, legumes e grãos integrais. E evitar carboidratos refinados (como o açúcar e a farinha branca) e alimentos muito gordurosos.

As refeições também precisarão ocorrer de forma programada, com porções definidas e a ajuda de um nutricionista ou nutrólogo. Dessa forma, a mãe não só previne problemas como também garante nutrientes adequados para a criança.

3 – Uso de insulina na gravidez

Em casos nos quais a glicemia não normaliza (mesmo com a adoção de hábitos saudáveis), são utilizados insulina e/ou medicamentos via oral para o controle da glicose. Entretanto, tudo deve ser feito com prescrição e orientação profissionais.