Glicemia em jejum: o que é e para que serve o exame

18 de maio, 2022

Se você já fez exames de sangue, deve ter conhecido um chamado de glicemia em jejum. Ele é um exame importantíssimo e supercomum. Maria Fernanda Barca, doutora em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, explica a importância de realizá-lo e qual é o objetivo principal.

O que é glicemia em jejum?  

“Glicemia de jejum é um exame que colhemos em jejum para medir a glicose do sangue”, diz a médica. “Existem valores de normalidade e os valores abaixo significam hipoglicemia. Os valores acima podem mostrar pré-diabetes ou diabetes”, completa.

Para esse exame, o único preparo necessário é o jejum de, pelo menos, 8 horas. Entretanto, é essencial não passar de 14 horas sem o consumo de alimentos ou água, já que esse tempo extra pode acusar hipoglicemia no exame. No caso do jejum, o ideal também é evitar o consumo de medicamentos, mesmo que sejam de uso contínuo, já que também podem interferir nos resultados do exame. É por isso que, via de regra, esse exame é colhido de manhã, logo após acordar. 

O diagnóstico de pré-diabetes ou diabetes raramente é dado apenas com um resultado de glicemia em jejum. Ele costuma vir depois de duas medições alteradas ou uma medição alterada mais um exame de hemoglobina glicada também alterado. 

“Esse exame serve para checarmos se o paciente tem uma tendência ao diabetes ou a uma síndrome metabólica”, afirma a especialista. “A gente solicita sempre. Faz parte da prevenção, principalmente, do diabetes”, pontua.

Hiperglicemia X Hipoglicemia

O exame de glicemia em jejum pode apresentar dois resultados: uma hiperglicemia, ou seja, excesso de açúcar no organismo, ou hipoglicemia, isto é, falta de açúcar no sangue.  Os valores de referência para uma pessoa saudável ficam entre 70 a 99 miligramas por decilitro. Abaixo disso, é dado o diagnóstico de hipoglicemia. 

Os diagnósticos de pré-diabetes e diabetes vêm quando a glicemia está acima de 99: para valores entre 100 a 125 miligramas por decilitro e acima de 125 miligramas por decilitro, respectivamente. Sempre lembrando que a confirmação desses diagnósticos exige duas medições de glicemia em jejum e/ou um exame de hemoglobina glicada alterado.  

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Outros diagnósticos

A glicemia em jejum é um exame comum porque também ajuda no diagnóstico de outras doenças além do diabetes. Os níveis de açúcar no sangue podem ser alterados tanto pelo uso contínuo de medicamentos, quanto como decorrência da Síndrome Cushing, por exemplo. Além disso, ela acontece quando o organismo sofre com o excesso de cortisol, ou na acromegalia, condição marcada pelo excesso do hormônio do crescimento.  

Dessa forma, os especialistas não citam contraindicações para esse exame. Na verdade adultos, crianças e mulheres grávidas têm indicação para realizá-lo. No caso das gestantes, aliás, ele é essencial para o diagnóstico precoce do diabetes gestacional, que pode interferir no crescimento do feto. 

“A glicemia de jejum é um exame fundamental. É importante para qualquer pessoa, de qualquer idade, e deve fazer parte de todo check-up”, finaliza. 

Fonte: Maria Fernanda Barca, doutora em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. 

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