Amamentação cruzada: veja por que a prática é prejudicial ao bebê

Dentre os diversos termos e práticas do mundo materno, existe uma, até corriqueira, porém prejudicial ao bebê. Chamada amamentação cruzada, o hábito é cercado de boas intenções e preocupações da mãe, que entrega o bebê a outro seio materno para amamentá-lo. Contudo, deixar seu bebê mamar em outra mãe é contraindicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por outras entidades, como o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Saiba mais.

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Riscos da amamentação cruzada

De acordo com Carolina Cunha, ginecologista e obstetra da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, o principal motivo para evitar a amamentação é o risco de transmissão de doenças. “Estamos falando de infecções contagiosas graves, como hepatite B, C e AIDS”, alerta a médica. Além delas, há ainda outras enfermidades potencialmente graves para o bebê, como sarampo, caxumba, rubéola, mononucleose e herpes. Afinal, por que a amamentação cruzada é tão perigosa assim? Mesmo que a outra mãe seja uma pessoa confiável, ela pode ter alguma infecção, mas sem ter sintomas. Por isso, não deixe o seu filho se alimentar de outro seio, por mais que o gesto pareça inofensivo.

O que fazer se o bebê não consegue mamar?

Carolina explica que muitas mães entregam seus bebês para mamar em outro seio porque enfrentam dificuldades no processo de amamentação. “Às vezes, há uma crença de que o leite é ‘fraco’, que gera a dúvida se o bebê está recebendo os nutrientes adequados”, comenta. Outra causa para a prática é o próprio desafio de amamentar: o bebê pode ter problemas em realizar a “pega”, o que deixa a mãe aflita em busca de uma solução.

No entanto, se você não pode amamentar, está passando por uma das situações citadas ou acredita que está com algum problema de saúde, é importante falar com seu obstetra e pediatra do pequeno. “Além disso, é fundamental que a gestante receba as devidas orientações antes do nascimento do bebê, nas consultas pré-natal. Nelas, o médico ensina a pega, fala sobre os mitos e possíveis dificuldades da amamentação e de outros assuntos”, recomenda a especialista, que reforça a importância do amparo de obstetras e outros profissionais da saúde à mulher.

Por fim, caso realmente a mãe não tenha condições de amamentar o bebê — e isso ocorre com muita frequência — é possível recorrer aos bancos de leite. Esse tipo de serviço é extremamente seguro, pois o leite doado por outras mães é tratado contra quaisquer vírus e bactérias. Outra alternativa é se beneficiar de mamadeiras com fórmulas especiais, que atendem às necessidades do bebê. Todavia, saiba que todas as opções precisam de recomendação médica. Não deixe de falar com o pediatra para encontrar a melhor solução para nutrir o seu bebê.

Fonte: Carolina Cunha, médica ginecologista e obstetra da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.