Cirurgia bariátrica: o que é, tipos, alimentação indicada e cuidados

Alimentação Movimento Saúde
24 de Julho, 2023
Cirurgia bariátrica: o que é, tipos, alimentação indicada e cuidados

A cirurgia bariátrica é uma intervenção feita em casos de excesso de peso. Ela surgiu em 1991 e realiza-se no aparelho digestivo de pessoas com obesidade mórbida ou obesidade de grau III e com idade acima de 18 anos.

obesidade é uma doença complexa e faz parte das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). É, então, caracterizada por um acúmulo excessivo de gordura corporal. O acúmulo pode levar a outras enfermidades. Como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. 

Mas antes de passar pelo procedimento, o paciente precisa da avaliação de mais de um médico, inclusive de um psiquiatra. Ainda, existe mais de um tipo de bariátrica. Entre as vantagens da cirurgia — além da perda de peso, é possível citar:

  • Melhora de diabetes;
  • Melhor controle do colesterol;
  • Melhora da saúde cardíaca;
  • Diminuição do risco de mortalidade pela obesidade.

A seguir, saiba mais sobre esse tipo de cirurgia! 

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Tipos de cirurgia bariátrica 

Primeiramente, na cirurgia de bypass ocorre a diminuição do tamanho do estômago. Sendo assim, ele fica com 10% do original. Ainda, realiza-se um desvio do estômago para o intestino inicial (delgado). Portanto, isso faz com que o paciente precise comer menos para sentir saciedade.

Ainda, existe o tipo chamado de sleeve ou gastrectomia vertical. Em resumo, nessa possibilidade, a redução do estômago não é tão drástica, pois reduz-se apenas de 70 a 85% do órgão. Sendo assim, ele acaba por se tornar um grande tubo estreito. Essa é uma técnica irreversível. Em contrapartida, a bypass é reversível, em teoria.

Já a derivação Bilio-pancreática ou derivativa combina as técnicas sleeve e bypass. Ou seja, há a redução do estômago, mas também cria-se um acesso que leva os alimentos diretamente do estômago para o intestino grosso. Sem passar pelo intestino delgado, onde acontece a digestão.

Por fim, a cirurgia gástrica ajustável é a técnica de balão de silicone, feita no estômago. Então, na hora das refeições, o paciente pode acioná-lo e ele diminui o tamanho do estômago. Dessa forma, controla o apetite. Essa é uma técnica pouco popular.

Antes da cirurgia 

Os meses anteriores à cirurgia requerem alguns cuidados e preparativos. Por exemplo, exames de rotina serão necessários, como o exame de sangue. Não só, também será preciso medir a glicemia, a pressão arterial, o colesterol (HDL e LDL) e os triglicérides.

Ainda nessa fase, os hábitos alimentares do paciente precisam ter acompanhamento, pois, de acordo com um estudo da PUC-PR, esse é um período em que episódios de compulsão alimentar podem acontecer com mais frequência. Por isso, é muito importante ter uma avaliação multidisciplinar, assim é possível reduzir o risco de complicações.

Além disso, é preciso avaliar os possíveis riscos da cirurgia. Por isso, precisam ser levadas em consideração as doenças do paciente. Por exemplo, o procedimento pode não ser recomendável para quem sofre de coágulos sanguíneos, de doenças no fígado ou de problemas do coração. Também é preciso considerar hábitos como o tabagismo e o alcoolismo. Ainda, a cirurgia é contraindicada para pessoas dos seguintes perfis:

  • Deficiência intelectual significativa;
  • Sem suporte familiar adequado;
  • Doenças genéticas;
  • Que fazem uso contínuo de drogas ilícitas.

Depois da cirurgia bariátrica

Os meses após a cirurgia exigem ainda mais cuidado. Por isso, será uma fase em que visitas ao médico serão frequentes, exames vão ser necessários e a alimentação será menor, por isso, é importante garantir a boa nutrição do corpo. Além disso, se comparado com o de outros tipos de cirurgia, o tempo de recuperação também é mais longo.

Dessa forma, nos primeiros dias depois da cirurgia, a dieta líquida é a recomendação dos médicos. Em seguida, a dieta triturada tem início e, em seguida, a pastosa. Gradualmente, a dieta sólida começa. Já nas primeiras 24 horas após o procedimento, o paciente precisa se hidratar, por isso, deve beber ao menos 2 litros de água. Isso ajuda a evitar algumas das complicações mais comuns que se relacionam à bariátrica. Desidratação, pedras nos rins e trombose.

Ainda, existem outras complicações que podem acontecer, como por exemplo:

  • Embolia pulmonar;
  • Febre;
  • Dor forte;
  • Dificuldade de respirar;
  • Vômitos;
  • Diarreia;
  • Fezes com sangue;
  • Infecção;
  • Hemorragia interna e formação de coágulos de sangue;
  • Reação à anestesia;
  • Desnutrição (falta de nutrientes, como a vitamina B12);
  • Anemia.

Afinal, como é a alimentação depois da cirurgia bariátrica?

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), a alimentação nos meses depois da cirurgia merece atenção especial. Por isso, a dieta divide-se em fases: durante as primeiras semanas, ela deve ser 100% líquida. Em seguida, dá-se início à dieta pastosa e, depois, branda.

Por fim, somente cerca de alguns meses depois da cirurgia, começa a dieta sólida — mas é claro que as indicações variam caso a caso, e o acompanhamento profissional é imprescindível.

Dieta líquida clara

Primeiramente, a introdução da dieta líquida clara é feita nas primeiras 24 horas depois da cirurgia e pode durar até 48 horas. Nela, a alimentação deve ser totalmente líquida e isenta de açúcar, com o mínimo de valor calórico e alimentos ingeridos em temperatura ambiente. O paciente chega a beber de 1800 a 2000 ml de líquidos por dia, e as opções baseiam-se em água, chá, gelatina sem açúcar, água de coco e suplemento proteico líquido.

Dieta líquida

Ela pode durar de 2 a 4 semanas. Nessa fase, a redução de peso é mais intensa e o paciente só pode dar pequenos goles de cada vez, sem exageros. Além disso, alguns líquidos com um pouco mais de textura podem fazer parte do cardápio. Por exemplo: água de coco, chás claros (sem cafeína), sucos naturais bem diluídos, caldos ralos de legumes ou carnes e, claro, a água mineral. A água com gás não é recomendada. Por outro lado, chás como o de camomila e o de hortelã são ideais.

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Dieta pastosa

A transição para este estágio, que pode durar de 2 a 4 semanas, deve ser feita de acordo com a tolerância da pessoa e suas necessidades individuais. Assim, o objetivo é treinar a mastigação e o tempo de refeição.

Os alimentos devem ter consistência semelhante a de um pudim mole, purê ou vitaminas de leite com frutas. Nessa fase, a SBCBM afirma que podem ser adicionados ovos mexidos moles, atum ralado sem gordura e queijos macios, tipo cottage e com baixo teor de gordura. Outras opções são:

  • Cremes e caldos;
  • Sopas;
  • Mingaus;
  • Purês de frutas, de leguminosas ou de proteínas;
  • Vitaminas e smoothies de frutas.

Dieta branda

Considerada uma fase de transição entre as dietas pastosa e sólida. Nela, os alimentos devem ser preparados para que exijam o mínimo de mastigação e passem de forma fácil pela bolsa gástrica. Além disso, as refeições podem ser amassadas, trituradas ou em forma de purês.

Dieta sólida

Por fim, o paciente pode finalmente voltar a consumir alimentos sólidos. Sendo assim, é recomendado fazer uso de um prato menor, como o de sobremesa, para controlar melhor as quantidades. Mas não só isso: beber água continua sendo importante. Por isso, o paciente não deve beber menos que 2 litros diários. Deve haver restrição de açúcar e fibras, sem contar a suplementação de alguns nutrientes.

O que NÃO comer depois da cirurgia bariátrica

Além dos alimentos cujo consumo é recomendado, existem aqueles dos quais o paciente deve passar longe. Por exemplo, os refrigerantes, o café e outros bebidas que tenham cafeína, como chá preto e o chá mate, os salgadinhos, os doces, fast food, comida congelada, embutidos e outros alimentos ricos em açúcar ou sódio não devem fazer parte da dieta de uma pessoa que passou pela cirurgia bariátrica recentemente.

É importante, sobretudo, contar com o auxílio e o acompanhamento de um nutricionista.

Afinal, como evitar o reganho de peso após a bariátrica?

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De acordo com a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), os primeiros 18 meses após a  cirurgia caracterizam-se como a fase de “lua de mel”. Nela, pode ocorrer uma redução de cerca de 50% do peso inicial. Além de ser um período no qual o paciente fica mais motivado e adere à dieta com mais afinco.

Depois disso, há a possibilidade de aumento do peso, o que não significa, necessariamente, um problema. A própria Abeso afirma, por exemplo, que recuperar de cinco a 10% dos quilos perdidos depois de dois anos (de forma lenta e sem o aparecimento de outras doenças) é considerado normal, e pode ser revertido com ajustes no estilo de vida.

Contudo, se o reganho começa logo no primeiro ano após a cirurgia, ou se acontece de forma acentuada e com a piora de certas condições (hipertensão, gordura no fígado, dislipidemia, apneia), ele merece atenção. Nesse caso, é preciso buscar uma equipe multidisciplinar, que ajudará o paciente a encontrar as causas do reganho de peso sem discriminações ou preconceitos. Dessa forma, o indivíduo passará por avaliações clínicas, nutricionais e psicológicas para que ele consiga tratar adequadamente os motivos que o levaram a engordar novamente.

Para evitar o problema, é fundamental seguir as orientações pós-operatórias do cirurgião bariátrico, bem como manter uma dieta balanceada, evitando carboidratos refinados, doces, massas, gorduras, frituras e alimentos ultraprocessados em excesso. Por fim, a prática regular de atividades físicas e a suplementação de certos micronutrientes também são recomendadas.

As consequências da cirurgia bariátrica na saúde óssea

Segundo o endocrinologista Dr. Sérgio Maeda, presidente da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO), a cirurgia bariátrica é eficaz na melhora de diversas condições, como glicemia, problemas cardiovasculares e dores nas articulações, porém, a saúde óssea é afetada de maneira negativa.

“Após a cirurgia bariátrica, o paciente experimenta uma significativa perda de peso durante o primeiro e segundo ano. Essa redução de carga sobre os ossos leva a uma adaptação da estrutura óssea ao novo peso. Vale destacar que a má absorção de nutrientes resulta em prejuízos na mineralização e densidade óssea. Essa contínua perda de massa óssea associada a perda de massa muscular, aumenta a suscetibilidade à osteoporose, fraturas e a sarcopenia a longo prazo” — destaca o especialista.

Segundo ele, é essencial garantir uma reposição adequada dos nutrientes que passam a ter dificuldade de reabsorção pelos pacientes, a fim de evitar o aumento do hormônio PTH e a aceleração da perda óssea. Nesse contexto, o especialista ressalta a importância da suplementação de citrato de cálcio, vitamina D e magnésio.

“É importante verificar o tipo de cirurgia que foi realizada no paciente, pois há cirurgias que provocam menos prejuízo da absorção. Caso o paciente tenha sido submetido a uma derivação biliopancreática ou alguma técnica disabsortiva, será necessário que haja uma maior suplementação de cálcio e vitamina D”, salienta o endocrinologista.

Portanto, para promover uma saúde óssea ideal após a cirurgia bariátrica, é essencial fazer uma suplementação adequada de nutrientes e realizar consultas periódicas com especialistas médicos.

Fontes: Dr. Sérgio Maeda, presidente da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO).

Referências: Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM)

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