Chá para descer a menstruação funciona? Ginecologista explica

Os dias passam, e nada da companheira mensal aparecer? Você já deve ter recebido o conselho, então, de ingerir algum chá “milagroso” para descer a menstruação atrasada. Os ingredientes mais conhecidos são canela, boldo e gengibre. Mas será que eles funcionam mesmo? Fomos perguntar a uma especialista:

Chá para descer a menstruação funciona?

A médica ginecologista Dra Renata Reigota explica que o chá de canela, o chá de boldo e o chá de gengibre são conhecidos como estimulantes porque possuem algumas propriedades relacionadas à circulação sanguínea.

Por isso, acredita-se que eles possam aumentar as contrações uterinas e acelerar o sangramento vaginal — a famosa menstruação. “Popularmente, as bebidas são usadas para essa finalidade. Mas não existe nenhuma evidência, até o momento, que indique que elas realmente façam isso”, diz a especialista.

Uma das causas da menstruação atrasada, por exemplo, é a gravidez. E ingerir substâncias para que a menstruação aconteça pode trazer riscos à mãe e ao feto. “Algumas substâncias fitoterápicas (isto é, encontradas em plantas) podem precipitar o sangramento vaginal durante a gestação. Além disso, podem ter algum potencial teratogênico e levar a alterações na formação do feto”, afirma.

Por isso, o ideal é procurar o seu médico ginecologista ao notar mudanças no ciclo menstrual. E no caso de mulheres grávidas, “é importante que o obstetra seja consultado antes do consumo de qualquer alimento que seja diferente daqueles prescritos pelo profissional no pré-natal.”

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O que pode atrasar a menstruação?

De acordo com a Dra Renata Reigota, se a mulher encontra-se em sua fase reprodutiva (que começa depois da primeira menstruação e termina após a última) e apresenta atraso menstrual, a hipótese mais considerada é a de uma gravidez. Mas outras questões podem gerar o quadro, como:

  • Insuficiência ovariana: acontece quando “alterações hormonais causam a falência do funcionamento ovariano”;
  • Hiperprolactinemia: “aumento dos níveis circulantes do hormônio prolactina no sangue”;
  • Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP): “quadro caracterizado pelo aumento dos hormônios masculinos que provoca, entre outros sintomas, a irregularidade menstrual”;
  • Presença de sinéquias uterinas: “alterações no interior da cavidade do útero que podem obstruir a saída de sangue”;
  • Disfunções tireoidianas: “relacionadas à produção de hormônios pela tireoide”;
  • Amenorreia secundária: “caracterizada clinicamente como a ausência de menstruação por três ciclos consecutivos ou mais.”

“Sempre que o atraso ocorrer, é indicado procurar o ginecologista. Desse modo, há o diagnóstico correto, assim como o tratamento de acordo com a causa da condição clínica”, finaliza a médica.

Fonte: Dra Renata Reigota, médica ginecologista e especialista em Infertilidade e Reprodução Humana Assistida na Clínica Fertilidade e Vida.

Sobre o autor

Amanda Panteri
Jornalista e repórter da Vitat. Especialista em alimentação saudável.