TPM ou gravidez? Veja como diferenciar os sintomas

Muitas mulheres que têm uma vida sexual ativa já tiveram dúvidas se estavam passando por uma TPM ou gravidez. Isso porque é muito comum confundir alguns sintomas e ficar ainda mais ansiosa, seja uma gestação planejada ou não.

De acordo os ginecologistas Geraldo Pupo e Carolina Curci, TPM ou gravidez apresentam altos níveis de progesterona, um hormônio influente na ovulação e na manutenção da gestação.

“A principal diferença de atuação do hormônio é que seus níveis caem assim que ocorre a menstruação, enquanto a gravidez permanece com o aumento da progesterona”, explica Curci. Apesar de fazer parte do ciclo feminino, poucas mulheres sabem o início de sua TPM. “Geralmente ocorre entre 10 e 14 dias no máximo antes da menstruação, e os sintomas são muito individuais. Cada mulher sente a TPM de um jeito: algumas têm poucos desconfortos ou sequer sentem a tensão; outras têm queixas variadas, que vão de cólicas intensas a alterações emocionais súbitas”, afirma a ginecologista.

Dessa forma, TPM e gravidez compartilham alguns sintomas, sobretudo a alteração nas mamas, que podem ficar mais sensíveis e inchadas, ressalta Alexandre Pupo.

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TPM ou gravidez: quais são os sintomas em comum?

Além das mamas, alguns incômodos e mudanças no apetite e comportamento podem acender o alerta. A seguir, explicamos as diferenças entre esses sintomas:

  • Sono: durante o período pré-menstrual, é raro as mulheres reclamarem que estão com sono, mas acontece e pode estar relacionado a outras razões, como falta de descanso adequado. Logo, esse sintoma não é muito típico da TPM, sendo mais frequente quando vem a menstruação e em forma de cansaço físico. Em contrapartida, as gestantes sentem muito sono e esse é um fator preponderante para a suspeita de gravidez. “Isso acontece porque o início da gestação mobiliza mudanças hormonais e no corpo feminino, que fica sobrecarregado e precisa de mais descanso”, comenta Curci.
  • Náuseas: os enjoos ao longo da TPM geralmente são uma sugestão da mente, sobretudo se a mulher estiver com o pensamento fixo na possibilidade de uma gravidez. Logo, de tanto refletir sobre o assunto, o corpo pode reagir dessa forma. Mas se o desconforto realmente for normal na TPM dessa mulher, esse tipo de náusea é mais similar ao da cinetose, que é a indisposição sentida dentro de um veículo em movimento, mas que não chega a causar vômitos. Contudo, se estiver relacionado à gestação, o enjoo é matinal – a mulher acorda extremamente indisposta e acaba vomitando. Inclusive algumas futuras mamães sofrem demasiadamente com o sintoma, a ponto de vomitar todos os dias. “Esse quadro, chamado hiperemese gravídica, é arriscado e precisa de tratamento médico, pois o excesso de vômitos causa desidratação, perda de nutrientes e deixa a gestante muito debilitada”, alerta Curci.

Outros sintomas

  • Libido: a vontade de fazer sexo pode aumentar tanto na TPM quanto na gravidez. Na primeira, o corpo entende que a ovulação está para acontecer e incentiva a libido para favorecer uma possível gravidez (mesmo que a mulher não queira ser mãe naquele momento); na gravidez, os hormônios são a principal razão. Por isso, a libido não deve ser um indicador para descartar ou considerar possibilidades de gravidez.
  • Apetite: é um dos tópicos que mais causam dúvidas se é TPM ou gravidez, mas existe uma linha tênue entre ambas. A princípio, o apetite na TPM é por doces e comidas gordurosas, que são as famosas “comfort foods”. A alteração de humor e dos hormônios provoca a necessidade de suprir a carência nesse tipo de alimento. Então, ao longo do período pré-menstrual, muitas mulheres comem mais junk foods, o que pode causar inchaço e ganho de peso. Como resultado, pensam que estão grávidas. Já o paladar na gravidez é marcado por aversão e preferências inusitadas. Por exemplo, há quem adore comer lasanha e passa a detestar o prato ao engravidar. Por outro lado, pode adquirir gosto por alimentos que não gostava e ter vontade repentina de experimentar novos sabores.
  • Cólicas: algumas gestantes podem sentir cólicas no início da gravidez, devido às movimentações do útero para expandir e acolher o bebê. Esse tipo de sintoma costuma ser leve, quase imperceptível. Já as cólicas no início da TPM não são comuns, e se manifestam próximo do dia da menstruação. Uma parte da população feminina sofre muito com o sintoma, que pode limitar a rotina até que a menstruação acabe. Além disso, o sintoma persistente pode ser indício de doenças como a endometriose, que exige tratamento médico.

Ainda tenho dúvidas. O que fazer?

Se a ansiedade e a incerteza estiverem lhe incomodando, ambos os especialistas recomendam o teste de gravidez. O exame de sangue (Beta HCG) é uma das melhores opções, pois os indicadores de detecção da gestação são mais sensíveis até antes do atraso menstrual.

No entanto, é importante saber que existe a chance de ocorrer o falso positivo antes da menstruação atrasar. “Em geral, é desejável que o teste seja feito após o dia que seria esperado para a menstruação; para ter mais chances de assertividade e evitar os falsos positivos, seria ideal realizar o teste 5 a 7 dias após o encerramento do período que não ocorreu”, orienta Pupo.

Além do exame de sangue, os testes de farmácia são alternativas rápidas e tão eficazes quanto a análise laboratorial. “Porém, a mulher precisa ler a bula do teste, pois cada fabricante tem uma orientação distinta e isso pode alterar o resultado se for feito incorretamente”, enfatiza Curci. Por fim, se você estiver com a menstruação atrasada e precisa de mais orientações, lembre-se de que o aconselhamento médico é a melhor opção.

Fontes: Carolina Curci, médica ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana; Alexandre Pupo, médico ginecologista e obtetra dos hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês; e Febrasgo.