TPM ou gravidez? Veja como diferenciar os sintomas

Gravidez e maternidade Saúde
07 de Abril, 2022
TPM ou gravidez? Veja como diferenciar os sintomas

Muitas mulheres que têm uma vida sexual ativa já tiveram dúvidas se estavam passando por uma TPM ou gravidez. Isso porque é muito comum confundir alguns sintomas e ficar ainda mais ansiosa, seja uma gestação planejada ou não.

De acordo os ginecologistas Geraldo Pupo e Carolina Curci, TPM ou gravidez apresentam altos níveis de progesterona, um hormônio influente na ovulação e na manutenção da gestação.

“A principal diferença de atuação do hormônio é que seus níveis caem assim que ocorre a menstruação, enquanto a gravidez permanece com o aumento da progesterona”, explica Curci. Apesar de fazer parte do ciclo feminino, poucas mulheres sabem o início de sua TPM. “Geralmente ocorre entre 10 e 14 dias no máximo antes da menstruação, e os sintomas são muito individuais. Cada mulher sente a TPM de um jeito: algumas têm poucos desconfortos ou sequer sentem a tensão; outras têm queixas variadas, que vão de cólicas intensas a alterações emocionais súbitas”, afirma a ginecologista.

Dessa forma, TPM e gravidez compartilham alguns sintomas, sobretudo a alteração nas mamas, que podem ficar mais sensíveis e inchadas, ressalta Alexandre Pupo.

Veja também: Menstruação pós-parto: saiba quando o ciclo volta ao normal

TPM ou gravidez: quais são os sintomas em comum?

Além das mamas, alguns incômodos e mudanças no apetite e comportamento podem acender o alerta. A seguir, explicamos as diferenças entre esses sintomas:

  • Sono: durante o período pré-menstrual, é raro as mulheres reclamarem que estão com sono, mas acontece e pode estar relacionado a outras razões, como falta de descanso adequado. Logo, esse sintoma não é muito típico da TPM, sendo mais frequente quando vem a menstruação e em forma de cansaço físico. Em contrapartida, as gestantes sentem muito sono e esse é um fator preponderante para a suspeita de gravidez. “Isso acontece porque o início da gestação mobiliza mudanças hormonais e no corpo feminino, que fica sobrecarregado e precisa de mais descanso”, comenta Curci.
  • Náuseas: os enjoos ao longo da TPM geralmente são uma sugestão da mente, sobretudo se a mulher estiver com o pensamento fixo na possibilidade de uma gravidez. Logo, de tanto refletir sobre o assunto, o corpo pode reagir dessa forma. Mas se o desconforto realmente for normal na TPM dessa mulher, esse tipo de náusea é mais similar ao da cinetose, que é a indisposição sentida dentro de um veículo em movimento, mas que não chega a causar vômitos. Contudo, se estiver relacionado à gestação, o enjoo é matinal – a mulher acorda extremamente indisposta e acaba vomitando. Inclusive algumas futuras mamães sofrem demasiadamente com o sintoma, a ponto de vomitar todos os dias. “Esse quadro, chamado hiperemese gravídica, é arriscado e precisa de tratamento médico, pois o excesso de vômitos causa desidratação, perda de nutrientes e deixa a gestante muito debilitada”, alerta Curci.

Outros sintomas

  • Libido: a vontade de fazer sexo pode aumentar tanto na TPM quanto na gravidez. Na primeira, o corpo entende que a ovulação está para acontecer e incentiva a libido para favorecer uma possível gravidez (mesmo que a mulher não queira ser mãe naquele momento); na gravidez, os hormônios são a principal razão. Por isso, a libido não deve ser um indicador para descartar ou considerar possibilidades de gravidez.
  • Apetite: é um dos tópicos que mais causam dúvidas se é TPM ou gravidez, mas existe uma linha tênue entre ambas. A princípio, o apetite na TPM é por doces e comidas gordurosas, que são as famosas “comfort foods”. A alteração de humor e dos hormônios provoca a necessidade de suprir a carência nesse tipo de alimento. Então, ao longo do período pré-menstrual, muitas mulheres comem mais junk foods, o que pode causar inchaço e ganho de peso. Como resultado, pensam que estão grávidas. Já o paladar na gravidez é marcado por aversão e preferências inusitadas. Por exemplo, há quem adore comer lasanha e passa a detestar o prato ao engravidar. Por outro lado, pode adquirir gosto por alimentos que não gostava e ter vontade repentina de experimentar novos sabores.
  • Cólicas: algumas gestantes podem sentir cólicas no início da gravidez, devido às movimentações do útero para expandir e acolher o bebê. Esse tipo de sintoma costuma ser leve, quase imperceptível. Já as cólicas no início da TPM não são comuns, e se manifestam próximo do dia da menstruação. Uma parte da população feminina sofre muito com o sintoma, que pode limitar a rotina até que a menstruação acabe. Além disso, o sintoma persistente pode ser indício de doenças como a endometriose, que exige tratamento médico.

Ainda tenho dúvidas. O que fazer?

Se a ansiedade e a incerteza estiverem lhe incomodando, ambos os especialistas recomendam o teste de gravidez. O exame de sangue (Beta HCG) é uma das melhores opções, pois os indicadores de detecção da gestação são mais sensíveis até antes do atraso menstrual.

No entanto, é importante saber que existe a chance de ocorrer o falso positivo antes da menstruação atrasar. “Em geral, é desejável que o teste seja feito após o dia que seria esperado para a menstruação; para ter mais chances de assertividade e evitar os falsos positivos, seria ideal realizar o teste 5 a 7 dias após o encerramento do período que não ocorreu”, orienta Pupo.

Além do exame de sangue, os testes de farmácia são alternativas rápidas e tão eficazes quanto a análise laboratorial. “Porém, a mulher precisa ler a bula do teste, pois cada fabricante tem uma orientação distinta e isso pode alterar o resultado se for feito incorretamente”, enfatiza Curci. Por fim, se você estiver com a menstruação atrasada e precisa de mais orientações, lembre-se de que o aconselhamento médico é a melhor opção.

Fontes: Carolina Curci, médica ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana; Alexandre Pupo, médico ginecologista e obtetra dos hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês; e Febrasgo.

Sobre o autor

Amanda Preto
Jornalista especializada em saúde, bem-estar, movimento e professora de yoga há 10 anos.

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