Varíola dos macacos em grávidas: principais orientações sobre a doença

Após a profunda preocupação em relação ao coronavírus durante a gestação, o momento pede cuidado a respeito da varíola dos macacos em grávidas. De acordo com o infectologista Marcelo Otsuka, o principal alerta mediante a doença nestas mulheres é por ser uma enfermidade que ainda não se sabe a gravidade entre elas. Inclusive, segundo o Ministério da Saúde, as publicações sobre monkeypox em figuras femininas que estão gestando são escassas.

O que se sabe, até o momento, é que ela pode ocasionar desfechos preocupantes. Por exemplo, grávidas infectadas pela varíola dos macacos têm mais chances de sofrerem abortamento espontâneo, morte fetal, além de parto prematuro.  

Assim, embora mais estudos sejam necessários para que se tenha mais conhecimento sobre a doença entre as gestantes, autoridades de saúde começaram a designar os principais cuidados em relação a enfermidade entre grávidas. A seguir, veja quais são eles!

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O que fazer diante da varíola dos macacos em grávidas?     

Gestante assintomática após exposição ao vírus

De acordo com o Ministério da Saúde, caso a grávida tenha sido exposta à varíola dos macacos, mas não apresente sintomas, ela deve ser testada para a doença. “Deve-se considerar teste em sangue, urina ou fluido vaginal”, orienta a nota técnica sobre o assunto.

Se o exame der negativo, não há nada a ser feito. No entanto, caso a paciente venha a ser diagnosticada com a enfermidade, deve-se fazer isolamento domiciliar por 21 dias. Além disso, ela deve monitorar sua temperatura corporal bem como as lesões na pele. Por fim, orienta-se que ela seja acompanhada por telemedicina pela equipe de saúde.

Grávidas com sintomas da doença e/ou suspeita

Em suma, se a gestante apresentar indícios da varíola dos macacos e/ou esteja com suspeita da doença, deve-se realizar o teste também. Embora ele dê negativo, deve-se fazer o isolamento domiciliar por 21 dias e acompanhar a possível febre bem como lesões cutâneas. “Retestar se os sintomas forem persistentes”, destaca o documento.

Já se o teste der positivo, deve-se hospitalizar a gestante em casos moderados, graves e críticos da doença. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), esse nível é diferenciado por meio da quantidade de lesões apresentadas pela paciente. Assim, distingue-se que:

  • É considerado leve se a grávida apresentar menos de 25 lesões na pele;
  • É considerado moderado se a grávida apresentar entre 25 a 99 lesões na pele;
  • É considerado grave se a grávida apresentar de 100 a 250 lesões na pele;
  • É considerado crítico se a grávida apresentar mais de 250 lesões na pele.

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Varíola dos macacos em grávidas: como elas devem se proteger?

Como explica o Dr. Marcelo, a prevenção da grávida contra a monkeypox é coletiva. Em outras palavras, “a melhor forma de proteger a gestante é por meio da responsabilidade social das pessoas que têm esse diagnóstico ou têm risco para essa infecção”, reforça o especialista. Portanto, diante de possíveis sintomas da doença, a pessoa contaminada deve se isolar para que ela não venha levar a enfermidade à mulher que está gestando.

Além disso, grávidas devem manter o uso de máscara e usarem preservativo em todos os tipos de relação sexual (oral, vaginal e anal). Isso porque a transmissão pelo contato íntimo tem sido a mais frequente. Inclusive, se a parceira sexual apresentar alguma lesão na área genital, a gestante deve-se manter afastada.

Diante de qualquer sintoma relacionado à varíola dos macacos, recomenda-se que a grávida procure por assistência médica. Em suma, os principais indícios da doença são: febre, dor no corpo, de cabeça, nas costas, aumento dos linfonodos e lesões na pele.

Fonte: Marcelo Otsuka, infectologista, vice-presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) e membro dos Departamentos de Imunizações e Pediatria Legal da SPSP.

Referências:

Ministério da Saúde

Conselho Federal de Enfermagem (Cofen)

Biblioteca Virtual em Saúde – Ministério da Saúde