O cloridrato de sertralina é um antidepressivo indicado para o tratamento de depressão e diversas outras condições psiquiátricas, como ataques de pânico, ansiedade crônica e transtorno obsessivo compulsivo (TOC).
“Na verdade, a nomenclatura ‘antidepressivo’ é errada, uma vez que a gente usa o medicamento para outras coisas além da doença. Mas de qualquer forma, ele age aumentando a quantidade de serotonina na fenda sináptica do cérebro, causando uma melhora nos diversos quadros”, explica a psiquiatra Danielle H. Admoni.
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Ainda de acordo com ela, o remédio tende a ser bem tolerado pelo organismo e geralmente não causa efeitos colaterais graves, sendo muito indicado para idosos. Saiba mais sobre a sertralina:
A sertralina age aumentando a disponibilidade de serotonina no cérebro. A substância, por sua vez, nada mais é do que um neurotransmissor que estabelece certas ligações entre as células nervosas e, desse modo, regula o humor, o sono, o apetite, o ritmo cardíaco, a sensibilidade corporal e as funções cognitivas. Por isso, quando em baixa concentração no organismo, ela pode gerar mau humor, insônia, ansiedade e até depressão.
De acordo com a própria bula do medicamento, ele começa a fazer efeito entre sete dias e três semanas de uso. Contudo, o tempo exato pode variar de acordo com o grau do transtorno do paciente e de suas características fisiológicas.
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Como já dito anteriormente, apesar de ser um antidepressivo, a sertralina também pode ser recomendada pelo médico para o tratamento de diversas condições:
“A gente geralmente evita os antidepressivos, por exemplo, em quem sofre de transtorno afetivo bipolar e tem chance de uma virada maníaca [surgimento de sintomas como insônia, fala acelerada, inquietude e impulsividade exacerbada]”, diz a especialista.
Além disso, lactantes, crianças menores de seis anos e pacientes com hipersensibilidade à sertralina não devem tomá-la. Já pessoas que fazem uso dos chamados inibidores da enzima monoaminoxidase (IMAO) necessitam cautela e acompanhamento para utilizar os dois medicamentos.
Por fim, pessoas com diabetes devem manter a glicemia sob controle durante o tratamento, e quem sofre com glaucoma de ângulo fechado deve ser acompanhado pelo médico.
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“Normalmente, o remédio é bem tolerado pelo organismo”, afirma a médica. Ela diz que podem surgir dores de cabeça e no estômago (de intensidade leve) no início do tratamento, mas elas costumam melhorar com o tempo. Em alguns casos, há ainda o aparecimento de enjoos.
“Alguns antidepressivos podem levar à disfunção erétil, mas não é uma regra”, ela complementa. Por isso, é essencial o acompanhamento médico.
Fonte: Danielle H. Admoni, psiquiatra na Escola Paulista de Medicina (UNIFESP) e especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).